“Sabem quem não é um dos meus convidados esta noite?”, perguntou Stephen Colbert à plateia do seu programa noturno da CBS na segunda-feira. “É o deputado estadual do Texas, James Talarico. Ele deveria estar aqui, mas fomos informados, sem rodeios, pelos advogados da nossa emissora, que nos contactaram diretamente, que não poderíamos tê-lo no programa”, acaba por responder Colbert à própria pergunta, recebida com vaias da plateia.
O comediante e apresentador do The Late Show, que já está de saída da emissora, garante ter sido avisado “com termos pouco claros” de que não só não podia ter o convidado no programa, como também não podia mencionar a sua ausência. “E como a minha emissora claramente não quer que falemos sobre isso, vamos falar sobre isso”, acrescentou.
Stephen Colbert acusou a própria emissora de impedir a transmissão de uma entrevista com James Talarico que é também candidato ao Senado dos Estados Unidos, alegadamente a pedido da equipa jurídica da Paramount Skydance, empresa‑mãe da CBS, noticiou o Washington Post.
O apresentador afirmou que a proibição estaria ligada a preocupações de que a entrevista violasse as regras da FCC (o equivalente norte‑americano da ANACOM) de tempo de antena equitativo para candidatos políticos.
https://twitter.com/jamestalarico/status/2023659473466687994
A polémica surge num contexto de mudança recente das regras da FCC. Em janeiro, os programas de entrevistas diurnos e noturnos (talk shows, em inglês) passaram a estar obrigados a conceder espaço de antena equitativo a todos os candidatos políticos. Caso não pudessem cumprir esta exigência num episódio, as emissoras teriam de solicitar isenções individuais à Comissão Federal de Telecomunicações, atualmente liderada por republicanos.
A CBS, por seu lado, rejeitou a versão de Colbert. Num comunicado citado pelo Washington Post, afirmou que não pressionou o programa a cancelar a entrevista. “O The Late Show recebeu apenas orientação jurídica de que a transmissão poderia ativar a regra de tempo igualitário da FCC para outros dois candidatos, incluindo a deputada Jasmine Crockett, e foram apresentadas opções para garantir o cumprimento da regra”, explicou a emissora. A decisão do programa foi, então, disponibilizar a entrevista no YouTube, promovendo-a durante a emissão, em vez de arriscar infringir a regra na televisão.
“Este é o partido que se opôs à cultura de cancelamento”, disse Talarico a Colbert. “Agora estão a tentar controlar o que assistimos, o que dizemos, o que lemos. E este é o tipo mais perigoso de cultura de cancelamento — aquele que vem de cima.”
No dia seguinte à sua participação, James Talarico afirmou ter conseguido arrecadar 2,5 milhões de dólares (2,1 milhões de euros) para a sua campanha, o maior valor que já conseguiu.
https://twitter.com/jamestalarico/status/2024124888391287234