(c) 2023 am|dev

(A) :: IP mobilizou meios de projetos do PRR para reparações urgentes em estradas que na região Oeste vão demorar mais por causa dos solos

IP mobilizou meios de projetos do PRR para reparações urgentes em estradas que na região Oeste vão demorar mais por causa dos solos

Dos 4.400 "eventos" em estradas e ferrovia causados pelo mau tempo, 98% estão resolvidos. Infraestruturas de Portugal diz que há casos a exigir ações estruturais que vão demorar mais, como o Oeste.

Ana Suspiro
text

A Infraestruturas de Portugal (IP) quantificou cerca de 3.700 “eventos” na rede rodoviária que está sob a sua gestão, em consequência das intempéries que afetaram o território do continente desde meados de janeiro. O número de “eventos” na ferrovia foi de 700, o que dá um total de cerca de 4.400. Os números foram indicados ao Observador pelo presidente da IP, à margem de uma interpelação no Parlamento sobre o corte no financiamento para a modernização da linha Casa Branca/Beja.

Miguel Cruz adiantou ainda que 98% destes eventos — buracos, deslizamentos de terras, quedas de árvores, e outros danos que não permitem a circulação em segurança — foram já resolvidos. Sobram 2% entre os quais existem casos em que já está a ser avaliada a reabertura de estradas e linhas. Em causa estão danos que obrigam a realizar intervenções de natureza urgente, mas há estradas, “em particular no Oeste que têm caraterísticas de terreno, solo e goetécnica” e que exigem intervenções urgentes, mas “que vão demorar tempo a resolver”. Um dos concelhos mais afetados pela degradação das vias rodoviárias é Arruda dos Vinhos, concelho no norte do distrito de Lisboa.

https://observador.pt/especiais/no-oeste-a-chuva-dobrou-as-estradas-e-fez-ruir-as-casas-olhei-para-a-porta-e-vi-uma-grande-onda/

O presidente da IP afirmou que ainda algumas das obras em curso (rodoviárias) que fazem parte do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ficaram paradas durante os eventos climáticos porque não foi possível fazer as intervenções. As obras que foram suspensas também sofreram estragos devido ao mau tempo que, apesar de serem menores do ponto de vista do valor, vão ter impacto no calendário de execução.

Sem assumir atrasos nestes projetos, o gestor sinalizou que vai ser necessário “incorporar” os efeitos do mau tempo nos prazos acordados com os empreiteiros. Miguel Cruz revelou ainda que IP usou alguns dos empreiteiros contratados para empreitadas do PRR para ajudar “a resolver determinados tipos de problemas” que resultaram das intempéries. E reafirmou: “estamos a articular para não haver perturbação na execução das obras contratadas”.

O presidente da IP assegurou ainda que a empresa está a trabalhar com os empreiteiros para resolver problemas mais urgentes e minimizar os impactos na circulação. “As nossas equipas estiveram no terreno, com mais de 2.000 pessoas, equipamentos e empreiteiros. Tudo esteve no terreno praticamente 24 horas até ao passado domingo. O nosso foco foi de emergência e resolver questões. Temos estado no terreno a resolver o que é possível de resolver”, adianta.  A empresa estima em 400 milhões de euros, para já, os custos das reparações, tendo já sido autorizado um reforço do orçamento para este processo.

Mas sinaliza que há impactos que “têm natureza estrutural e são significativos e que vão obrigar a estudos e a levantamentos geotécnicos que vão demorar”. A IP tem também de avaliar os riscos de segurança na reabertura de estradas e linhas ferroviárias. E avaliar se pode reabrir mesmo quando estão aconselhadas intervenções de natureza mais estrutural.

A par da recuperação rápida de vias, foi encomendada ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil uma auditoria sobre o estado das infraestruturas críticas.

Na ferrovia, o maior problema é a linha do Oeste cuja recuperação vai demorar meses. Mais uma vez, o presidente da IP aponta para o tipo de solo da região que “é reconhecidamente problemático” e que é apontado como o culpado deslizamento de terras por baixo da plataforma onde assenta o carril. Confrontado com o facto de esses deslizamentos terem ocorrido apesar das obras de modernização em curso, o vice-presidente da IP, Carlos Fernandes explica que a modernização não interveio na subestrutura.  “Havia sítios que estavam sãos há mais de 100 anos e que pura e simplesmente deslizaram. Aquilo cedeu, liquidificou, transformou-se em barro”.

Atualmente continuam inoperacionais ou condicionados troços das linhas do Douro — entre a Régua e Pocinho — Beira Baixa e linha de Cascais, cujo troço entre Algés e Caxias circula em via única devido ao avanço do mar sobre as pedras que protegiam a linha. Para este caso, que reduziu a oferta a dois comboios por hora em cada direção, está prometida uma solução para muito breve.