“Os nossos ‘diplogatos’ e ‘diplocães’ têm sido excelentes embaixadores e tenho a certeza de que continuarão os seus esforços exemplares sem mim.” Depois da despedida da vida política de Palmerston, o Reino Unido despede-se do antigo “caçador-chefe de ratos” do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, que morreu “pacificamente” a 12 de fevereiro. O Ministério prestou-lhe homenagem nas redes sociais, despedindo-se com carinho e reconhecendo o seu contributo enquanto “diplomata felino”. O gato preto e branco morreu nas Bermudas, onde vivia “semireformado” da vida pública.
https://twitter.com/FCDOGovUK/status/2023447599324557770
https://twitter.com/DiploMog/status/2022412136056868910
Palmerston, que recebeu o nome em homenagem ao Visconde Palmerston, secretário dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro do século XIX, ingressou no “serviço diplomático” em 2016. Tinha-se reformado em 2020, após quatro anos ao serviço em Whitehall, a sede do governo britânico, e passou então a viver tranquilamente no campo.
https://twitter.com/SimonMcDonaldUK/status/732947047037427713
A reforma chegou quando Palmerston já era considerado sénior, ainda que a sua idade nunca tivesse sido conhecida ao certo — um pormenor que tornava discutível até o momento certo para deixar funções. Estimava-se que o gato resgatado do abrigo Battersea Dogs and Cats Home tivesse cerca de 12 anos.
Na carta em que formalizava a sua retirada profissional, endereçada a Simon McDonald, o então funcionário público do mais alto escalão no Ministério, “escreveu” que estava a gostar de subir a árvores, patrulhar os campos ao redor da sua nova casa e que queria passar mais tempo “a relaxar longe dos holofotes”.
https://twitter.com/DiploMog/status/1291618656678490117
“Descobri que a vida longe da linha de frente é mais tranquila, calma e fácil”, lê-se na carta assinada em nome de Palmerston que deixa ainda uma homenagem aos “diplogatos” e “diplocães”, considerando-os “excelentes embaixadores”.
“O meu truque característico: fingir dormir enquanto oiço todas as conversas dos dignitários estrangeiros. Vai ser uma grande perda para a nossa recolha de informações. Mas, à medida que envelheço, preciso de afastar-me das funções diplomáticas e aproveitar algum tempo só para mim”, conclui.
Andy Murdoch foi quem se tornou o seu dono, escolhido pelo próprio, como explicou Simon McDonald ao The Times. “Quando chegou ao interior de Hampshire, Palmerston afeiçoou-se completamente ao marido da minha secretária particular, Andy Murdoch. Foi ele que acabou por se tornar o seu verdadeiro dono.”
Em fevereiro de 2025 chegou o último capítulo da sua vida, quando Murdoch foi nomeado governador das Bermudas. No X, Palmerston anunciou um regresso à atividade, desta vez num posto diplomático no estrangeiro, como “consultor de relações felinas (semirreformado)” do novo governador.
https://twitter.com/DiploMog/status/1907804251746681045
https://twitter.com/DiploMog/status/1257329236844609539
Palmerston não era o único felino na rua da política britânica, e a sua chegada não foi bem recebida por todos. A convivência com os outros gatos podia ser tensa, e Palmerston chegou a envolver-se em vários desentendimentos pouco diplomáticos com Larry, o seu antigo rival e atual caçador-chefe de ratos do número 10.
O território não era o único motivo de atrito. Por vezes, o gato preto e branco invadia o número 10 para tentar abocanhar a comida de Larry, sem se preocupar com protocolos felinos. Até Evie, uma gata do gabinete do primeiro-ministro em Whitehall, chegou a ser vítima do apetite de Palmerston.
https://twitter.com/itvnews/status/1125719193389813761
Ainda assim, com o passar do tempo, acabou por surgir um certo respeito entre Larry e Palmerston, que parecem ter aprendido a tolerar-se, segundo o fotógrafo Justin Ng, citado pelo The Times. Durante o verão, era comum vê-los a descansar lado a lado, como dois companheiros.