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(A) :: "Fumo" ou "fogo" no BCE? Novos rumores de que Lagarde sairá antes do fim do mandato, agora por receio do resultado das eleições francesas

"Fumo" ou "fogo" no BCE? Novos rumores de que Lagarde sairá antes do fim do mandato, agora por receio do resultado das eleições francesas

Regressa o "fumo" de que Lagarde sairá antes do fim do mandato, que termina no final de 2027. BCE garante que não há "fogo" e que a presidente não tomou qualquer decisão. Eleições francesas preocupam.

Edgar Caetano
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O BCE garante que não há “fogo” mas, nesta quarta-feira, voltou a surgir “fumo” que aponta para uma saída antecipada de Christine Lagarde da liderança da autoridade monetária. O Financial Times noticia que a francesa está a preparar-se para abandonar o cargo, para o qual tem um mandato de oito anos que termina em outubro de 2027, porque dessa forma garante-se que ainda será Emmanuel Macron o Presidente de França na altura em que se tiver de escolher um sucessor – o receio é que, se se esperar pelo fim do mandato, França poderá ter um Presidente de extrema-direita, que terá um peso decisivo na escolha.

Os rumores de que Lagarde não iria terminar o mandato à frente do Banco Central Europeu (BCE) já são antigos, embora o “fumo” seja cada vez mais notório. Em maio do ano passado, foi noticiado que a presidente da autoridade monetária teria estado pessoalmente envolvida num plano para sair antecipadamente do BCE e suceder a Klaus Schwab na liderança do Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla original). A revelação foi feita ao Financial Times, na altura, pelo próprio Klaus Schwab.

https://observador.pt/2025/05/28/christine-lagarde-preparou-saida-do-bce-antes-do-fim-do-mandato-para-liderar-forum-economico-mundial-diz-fundador-klaus-schwab/

Já nesta segunda-feira, a agência Bloomberg tinha um texto mais analítico em que se exploravam as razões pelas quais os líderes europeus e a própria Lagarde poderiam querer “atalhar” o plano de sucessão – explicando que essa possibilidade estaria ligada ao risco de a presidência francesa vir a ser liderada por um candidato do Reagrupamento Nacional, a antiga Frente Nacional, provavelmente Jordan Bardella. Macron não pode candidatar-se a um terceiro mandato, nas eleições que estão previstas para a primavera de 2027.

Caso o BCE e Lagarde esperem pelo fim natural do mandato, isso poderá significar que existe um risco de que um dos votos mais importantes para decidir o sucessor fique nas mãos de Bardella. O líder do Reagrupamento Nacional (RN) já por várias vezes criticou a forma como o BCE tem desenvolvido a sua política, defendendo, designadamente, que regressem os programas de compra de dívida com o objetivo de baixar os custos de financiamento do (endividado) Estado francês. Isso poderia, no entanto, cavar um fosso complexo entre França e a ortodoxia financeira e a independência que esteve na origem da formação do BCE.

“A Presidente Lagarde está totalmente focada na sua missão e não tomou qualquer decisão sobre o fim do seu mandato“, disse um porta-voz do BCE, uma declaração que contrasta com o desmentido categórico que Lagarde fez, em viva voz, quando houve rumores da sua saída antecipada em 2025. Porém, citando uma fonte próxima do processo, o Financial Times afirma nesta quarta-feira que Lagarde ainda não decidiu a data exata da sua saída, mas deseja que Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz sejam os principais responsáveis ​​pela escolha do seu sucessor.

A notícia do Financial Times surge apenas uma semana depois de o governador do Banco de França, François Villeroy de Galhau, ter anunciado que deixaria o cargo em junho deste ano, mais de um ano antes do fim do mandato, permitindo a Macron nomear o seu substituto antes das eleições presidenciais. Neste cenário, os holofotes apontaram-se para a presidente do BCE, também ela francesa.

Embora a escolha do sucessor de Lagarde caiba a todos os líderes da zona euro, composta por 21 nações, historicamente qualquer candidato, para ter sucesso, necessita do apoio tanto da Alemanha como de França para garantir o cargo. Ainda não há candidatos formais para o cargo, mas têm circulado vários nomes nos círculos do BCE como potenciais presidentes do BCE, entre os quais o espanhol Pablo Hernandez de Cos, o neerlandês Klaas Knot e o alemão Joachim Nagel. Qualquer um deles, pelo seu percurso, poderia ter dificuldades em conseguir um voto favorável de um Presidente como Jordan Bardella.

O mandato de Lagarde decorre até 31 de outubro de 2027. Antes de ser nomeada para suceder a Mario Draghi no BCE, foi diretora-geral do Fundo Monetário Internacional de 2011 a 2019 e, antes disso, ministra das Finanças de França.