O ex-líder da Bolívia Evo Morales disse que a destituição de José Jerí, Presidente interino do vizinho Peru, através de uma moção de censura aprovada pelo parlamento, se deve à influência dos Estados Unidos.
“Qualquer país governado pelo império norte-americano carece de estabilidade política e económica. O Peru é um excelente exemplo. O presidente Jerí durou apenas quatro meses. Em cinco anos, os peruanos tiveram quatro presidentes e, em dez anos, oito chefes de Estado”, declarou Morales, nas redes sociais.
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“A única forma de evitar a instabilidade económica e política é ter autoridades dignas que (…) defendam a nossa soberania e não sejam subservientes do império dos Estados Unidos“, acrescentou.
Morales alegou que, “quando os gringos governam” na América Latina, “o povo é sempre punido”, dando como exemplo “privatizações, destruição de direitos, aumento de impostos para os trabalhadores, mas redução de impostos para os ricos, submissão a instituições financeiras estrangeiras e entrega dos (…) recursos naturais a empresas transnacionais“.
Morales, o primeiro chefe de Estado da Bolívia de origem indígena, governou o país entre 2006 e 2019, tendo-se demitido após os violentos protestos de 2019, que resultaram em 37 mortes.
Os protestos deveram-se a uma crise após eleições presidenciais em que Morales conquistou mais um mandato, mas cujos resultados foram considerados fraudulentos, nomeadamente pela Organização dos Estados Americanos.
O Congresso, o parlamento do Peru, aprovou na terça-feira a destituição de José Jeri, um político de direita que enfrenta duas investigações sobre presumível tráfego de influência, a menos de dois meses das eleições gerais.
Esta é a oitava mudança presidencial na nação andina em quase uma década de instabilidade política desde as eleições de 2016.
https://observador.pt/2026/02/13/aberto-inquerito-contra-presidente-do-peru-por-alegado-trafico-de-influencias/
A exoneração de Jeri foi aprovada com 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções e a assembleia elegerá esta quarta-feira um novo presidente do parlamento, que assumirá automaticamente a presidência interina do Peru até 28 de julho, quando tomará posse o chefe de Estado eleito em abril, disse Fernando Rospigliosi, presidente interino da câmara legislativa.
Jeri, 39 anos, presidiu ao parlamento até outubro, altura em que sucedeu a Dina Boluarte, que também foi destituída na sequência de um processo desencadeado depois de se ter confessado incapaz de dar resposta a uma onda de violência sem precedentes no país ligada ao crime organizado.
Durante o seu mandato, Jeri enfrentou vários pedidos de destituição da minoria de esquerda e de um bloco de partidos de direita, por “má conduta” e incompetência para o exercício das funções, após duas investigações preliminares abertas em janeiro pelo Ministério Público.
As investigações dizem respeito ao alegado envolvimento no recrutamento de nove mulheres para o Governo e a presumíveis crimes de “tráfico de influências” e “patrocínio ilegal de interesses”, devido a encontros semiclandestinos com empresários chineses que tinham contratos com o Estado.