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Vice-presidente Sara Duterte anuncia corrida à presidência das Filipinas em 2028

Era amplamente esperado que Sara sucedesse ao pai, Rodrigo Duterte (2016-2022), nas eleições presidenciais de 2022, mas desistiu em favor de Marcos Jr., com quem formou uma aliança.

Agência Lusa
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A vice-presidente das Filipinas, Sara Duterte – alvo de petições de destituições no parlamento – anunciou esta quarta-feira que se vai candidatar à presidência do arquipélago do Sudeste Asiático nas eleições de 2028.

“Ofereço a minha vida, a minha força e o meu futuro ao serviço da nossa nação“, disse, ao anunciar a candidatura, Duterte, que está em conflito com o atual Presidente, Ferdinand Marcos Jr.

“Sou Sara Duterte e estou a candidatar-me à presidência das Filipinas”, acrescentou.

Era amplamente esperado que Sara sucedesse ao pai, Rodrigo Duterte (2016-2022), nas eleições presidenciais de 2022, mas desistiu em favor de Marcos Jr., com quem formou uma aliança antes de ser eleita vice-presidente.

A aliança entre as duas dinastias rivais, no entanto, rapidamente se desfez, dando lugar a frequentes confrontos públicos.

“Nos primeiros meses do nosso mandato, já testemunhei a falta de sinceridade de Bongbong Marcos Jr. em relação às promessas que fez durante a campanha, bem como ao seu dever para com a nação”, afirmou Sara Duterte, usando a alcunha de Marcos Jr.

Em novembro de 2024, Duterte disse numa conferência de imprensa que tinha dado ordens para matar Marcos Jr. no caso dela própria ser assassinada.

Mais tarde, negou ter feito uma ameaça de morte, descrevendo as declarações como uma expressão da desilusão com as falhas do Presidente filipino.

Em 2025, Duterte enfrentou um processo de destituição devido a estas declarações. Mas em julho, o Supremo Tribunal das Filipinas declarou nulo o processo, decidindo que a Constituição não permite múltiplos julgamentos de destituição no mesmo ano.

Os apoiantes de Duterte acreditam que Marcos Jr. orquestrou a detenção do pai, Rodrigo Duterte, e a subsequente transferência para o Tribunal Penal Internacional, em Haia, para responder por acusações relacionadas com assassínios cometidos durante uma campanha de repressão do tráfico e consumo de drogas.

https://observador.pt/2024/11/25/vice-presidente-das-filipinas-acusada-de-ser-mentora-de-plano-para-assassinar-presidente/

O anúncio surge poucos dias antes do início da audiência preliminar de Rodrigo Duterte em Haia.

Em 2 de fevereiro passado, membros da sociedade civil das Filipinas apresentaram duas novas petições de destituição contra Sara Duterte.

Duterte foi acusada de corrupção e de acumular riqueza de forma inexplicável com base no seu salário, além de desviar 612 milhões de pesos (cerca de 9,4 milhões de euros) de fundos secretos do gabinete da Vice-Presidência e do Departamento de Educação, que chefiou até ser demitida, em 2024.

Se for destituída no Senado, Duterte será impedida de exercer cargos públicos a título vitalício e também de concorrer às eleições presidenciais de 2028.

Membros da sociedade civil filipina também apresentaram um processo de destituição contra Marcos Jr., acusando-o de aceitar diretamente subornos relacionados com projetos fraudulentos de ajuda às vítimas das cheias.