José Mourinho demorou muito tempo a chegar à zona de entrevistas rápidas. E sabia que, no momento em que chegasse, as principais perguntas seriam sobre Vinícius, Prestianni e o alegado “mono” que saiu da boca do argentino em direção ao brasileiro. Chegou preparado e com as memórias bem frescas, do que falou com um e com outro, e tentou ao máximo não alimentar uma fogueira que interrompeu o jogo durante mais de dez minutos.
https://observador.pt/2026/02/17/num-jogo-que-a-dada-altura-se-tornou-um-carnaval-por-perceber-o-samba-venceu-o-fado-a-cronica-do-benfica-real-madrid/
“Uma coisa é o que o Vinícius diz e outra é o que o Prestianni diz. São coisas completamente diferentes. O que eu disse ao Vinícius, de modo independente e sem querer defender a minha dama, é que quando se faz um golo daqueles sai-se em ombros, não se vai mexer com o coração de um estádio adversário. Como dizem em Espanha, quem marca um golo daqueles corta o rabo, corta a orelha e sai-se em ombros. Não se acaba com o jogo”, atirou o treinador do Benfica, que também abordou o momento em que foi expulso com dois cartões amarelos consecutivos por protestos.
“Nada a explicar, é muito óbvio. Eu tenho 1.400 jogos de futebol e 200 e tal de Europa e é simples. Ele tinha um papelinho que dizia: Huijsen, Carreras e Tchouaméni, se virem amarelo, não podem jogar. E alguém lhe disse que estes não podem levar amarelo. O Carreras, com uma simulação, não leva amarelo. O Tchouaméni, com dez faltas, não leva amarelo. Depois, com a sua arrogância, expulsou-me. Não há crise”, vincou, deixando ainda a ressalva de que espera que não seja Anthony Taylor, árbitro inglês, a apitar a segunda mão.
https://twitter.com/DAZNPortugal/status/2023884688251580424
Sobre o jogo em si, em que o Benfica perdeu com o Real Madrid e ficou em desvantagem no playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, o treinador encarnado elogiou a primeira parte da equipa. “O que veio de diferente no Real Madrid? Fecharam-se. Fecharam-se bem. Duas linhas de quatro, com os dois ultra rápidos na frente. Entrámos muito bem e depois começámos a perder demasiadas bolas, eles começaram a sair com perigo ainda na primeira parte e depois acho que a seguir ao golo o jogo passou a ser mais instabilidade e emoção do que propriamente jogo, cérebro e controlo. Depois foi um jogo sem o brilho que a primeira parte teve. É uma primeira parte boa das duas equipas, também do Real Madrid. A segunda parte… É um golo fantástico e depois não há jogo”, atirou.
Mais tarde, já na sala de conferências de imprensa do Estádio da Luz, Mourinho garantiu que o facto de não estar no banco de suplentes em Madrid não terá grande impacto. “O facto de eu não estar no banco acho que não tem grande impacto porque o treinador no banco não joga muito, joga mais na preparação do jogo. O facto de não poder comunicar com a equipa, de não poder comunicar com os assistentes e de não poder ir ao balneário… Tenho de confiar nos jogadores, nos assistentes. Obviamente que é limitativo. Estamos a jogar contra uma equipa fantástico, estamos em desvantagem. Mas é o que é”, disse, comentando novamente o caso entre Vinícius e Prestianni.
https://twitter.com/playmaker_PT/status/2023887489807585431
“Falei com o Vini e ele disse-me uma coisa, falei com o Prestianni e ele disse outra coisa. Podia ser ‘vermelho’ e dizer que só acredito no que o Prestianni me disse e podia ser equilibrado e dizer que no mundo do futebol tento ser sempre mais equilibrado. Não quero dizer que o Vinícius é um mentiroso e que o Prestianni é um miúdo maravilhoso. Não quero dizer isso. O Álvaro [Arbeloa] optou tomar um comportamento diferente e eu não quero fazer isso. Eu disse ao Vinícius: ‘Marcas um golo do outro mundo e por que celebras assim? Por que não celebras como celebrava Eusébio, Di Stéfano, Pelé, celebrar com a alegria de ter marcado um golo?'”, acrescentou.
Polémicas à parte, o Real Madrid venceu o Benfica pela segunda vez na história, depois de 1965, e não tem a história a seu favor: os encarnados só conseguiram dar a volta a uma eliminatória depois de uma derrota na primeira mão numa ocasião, em 1999 e frente ao Dínamo Bucareste, falhando o apuramento nas outras sete vezes. A segunda mão da eliminatória está agendada já para a próxima semana, no dia 25 de fevereiro, no Santiago Bernabéu.