Vinte anos depois, o jornalista norte-americano Anderson Cooper vai deixar o programa 60 Minutes da CBS News, que é transmitido como 60 Minutos em Portugal pela SIC Notícias.
Cooper era correspondente do programa ao abrigo de um acordo entre o generalista CBS News, canal detido pela Paramount Skydance, e o canal de cabo CNN, da Warner Bros Discovery. A parceria arrancou na temporada 2006-2007, indica a agência Reuters.
A saída foi confirmada pelo próprio num comunicado, em que justifica a decisão com razões familiares. “Ser correspondente no 60 Minutos foi um dos momentos altos da minha carreira. Pude contar histórias incríveis, e trabalhar com alguns dos melhores produtores, editores e operadores de câmara da área. Ao longo de quase 20 anos, fui capaz de equilibrar os meus empregos na CNN e na CBS, mas agora tenho filhos pequenos e quero passar o máximo de tempo possível com eles, enquanto eles ainda querem passar tempo comigo.”
O jornalista deverá terminar várias histórias que tem em produção para o programa, antes do fim da temporada em maio. Fonte oficial da CBS também reagiu à despedida de Anderson Cooper. “Estamos-lhe gratos por ter dedicado tanto da sua vida a este canal, e entendemos a importância de passar mais tempo com a família”, lê-se numa nota partilhada pela imprensa.
A mesma imprensa nota que a saída de Cooper acontece meses depois da entrada de Bari Weiss como editora executiva da CBS. Anderson Cooper tem, na CNN, o programa Anderson Cooper 360. Em 2001, entrou para o canal por cabo e renovou o seu contrato em 2025. Segundo a Reuters, Bari Weiss tinha expressado interesse em trazer Cooper para a CBS a tempo inteiro.
O programa 60 Minutos esteve envolto em polémica quando em dezembro de 2025, Bari Weiss deu ordens para que uma peça acerca da prisão Cecot, em El Salvador, para onde a administração Trump enviou imigrantes venezuelanos, não fosse transmitida. Segundo a editora executiva, faltava a perspetiva do governo que, contactado previamente pelos jornalistas, decidiu não responder às perguntas. A peça foi retirada horas antes de ser transmitida e acabou por sê-lo em janeiro deste ano, ainda sem qualquer entrevista de membros da administração Trump.
Bari Weiss garantiu em janeiro que não tinha sido pressionada pela presidência da Paramount Skydance, empresa que detém a CBS desde 2024, para impedir a transmissão da história. Nesse mesmo mês, anunciou que ia contratar 19 pessoas e focar-se em trazer uma “mentalidade streaming” à CBS.
Na primavera de 2025, também Bill Owens, produtor executivo do 60 Minutos, saiu por se ter tornado claro que não poderia liderar o programa como sempre o fizera, nas suas palavras. Essa saída deu-se quando o 60 Minutos esteve no centro de um processo que Trump interpôs contra a Paramount durante a campanha de 2024 e que acabou com um acordo no valor de 16 milhões de dólares (13,5 milhões de euros). O presidente dos EUA alegava que o canal editou de forma enganosa uma entrevista com a antiga vice-presidente Kamala Harris.
De seguida, a FCC (a entidade reguladora das comunicações nos EUA) aprovou a aquisição, por parte da Skydance, da Paramount CBS. A Paramount é a mesma empresa que, atualmente, está na corrida para adquirir a Warner Bros, apesar de esta empresa estar mais inclinada a fundir-se com a Netflix. A decisão deverá ser tomada a 20 de março em assembleia de acionistas.