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Em Munique, não houve mãe para o Marco

O discurso de Rubio foi novo tomo das irritações Europa-América, mas já não falta tudo para todos admitirem que a administração Trump é a injeção de adrenalina no coração que a comatosa Europa exige.

Tiago Dores
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Parece que, enfim, as tempestades acabaram. Não sem antes deixarem uma cerejinha de frustração no topo do bolo de destruição que assolou o país: tendo sido cancelado o Carnaval de Torres Vedras, onde é que as matrafonas darão azo ao travestismo? Se a resposta puder não ser “um pouco por todo o país, durante o resto do ano”, creio que o público em geral agradece.

Agora, é como diz o ditado, depois da tempestade vem a lembrança da herança socialista. Da responsabilidade de António Costa no desastre que é o SIRESP, passando pela responsabilidade de António Costa nos falhanços da Protecção Civil, até à responsabilidade de António Costa no cancelamento da construção da barragem de Girabolhos — que amenizaria as cheias no Mondego — durante o governo da geringonça, penso estarmos em condições de, enfim, adoptarmos a nova versão do clássico mantra colado, com péssimo cuspo, a Passos Coelho: “A culpa é do Costa”.

Quer dizer, poderei estar a ser um pouco simplista. No caso da dita barragem, por exemplo, não esqueçamos que, na altura, Costa andava enrolado com PCP e Bloco de Esquerda, após ter traído a vontade dos portugueses expressa nas urnas em 2015. E o romance foi escaldante, como sabemos. Talvez por isso, o governo da geringonça tenha cancelado barragens. Estou certo que, da parte do Bloco, Catarina Martins alertou para que construir barragens num ambiente tão escaldante seria desperdício, porque a água evaporava toda.

A propósito de Bloco de Esquerda, e depois de um silêncio que o país agradeceu e o colunista sedento de material para satirizar lamentou, Mariana Mortágua está de volta. Por mares nunca dantes navegados (digo eu) por alguém que não sabe a tabuada, Mortágua chegou ao porto socialista do ISCTE, na qualidade de — atente-se, pasme-se, ou claro que não — directora do Doutoramento em Economia. O que, enquanto medíocre ex-aluno de licenciatura em Economia, me levanta duas questões.

Primeira questão: tendo eu passado à rasquinha, com 10, à segunda tentativa, ao “básico” Cálculo I, por manifesta falta de jeito com o bê-á-bá das derivadas e integrais, é este cargo de Mortágua compatível com o desconhecimento de quanto é 7×8? E, parecendo que sim, onde me devo inscrever para o cargo de Deus do Doutoramento em Economia do ISCTE?

Segunda questão: ai é facultativo o/a/x director/a/x do Doutoramento em Economia do ISCTE, adoptando a ideologia marxista que nega sistemas de preços e mercados, negar a lógica básica da economia como disciplina? Peço desculpa, não sabia. Nesse caso, melhor do que o cargo de directora do Doutoramento em Economia do ISCTE, só mesmo se Mariana Mortágua tivesse sido escolhida, em função da mestria patenteada na aventura flotilheira pelas ilhas do Mediterrâneo, para directora do Mestrado em Pilotagem da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique.

Não há mãe para Mariana Mortágua. Como não havia mãe, se estão lembrados, para o desgraçado do pequenito Marco, o boneco animado que buscou a fugidia progenitora dos Apeninos aos Andes. E como não houve mãe para outro Marco (mas o que se passa com as mães dos Marcos?), desta vez Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, na Conferência de Segurança de Munique.

O discurso de Marco Rubio foi um novo tomo das irritações Europa-América, mas já não falta tudo para todos admitirem que esta administração Trump é a injeção de adrenalina no coração que a comatosa Europa exige. E já não falta tudo para os últimos a admitirem nunca admitirem que o foram por burrice, incompetência, ou corrupção, claro. A verdade é que o nosso continente só acordará da ficção de terror, alimentada pela UE, de que sermos os maiores é vivermos cada vez pior, ao estilo da sobredoseada Uma Thurman em Pulp Fiction. E a culpa é do Costa.