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(A) :: "Se soubessem que o Sporting é assim, morria de vergonha": Varandas responde a FC Porto e fala de "mentiras e falta de ética"

"Se soubessem que o Sporting é assim, morria de vergonha": Varandas responde a FC Porto e fala de "mentiras e falta de ética"

Depois de mais um ataque em comunicado do FC Porto, Frederico Varandas, presidente do Sporting, tomou posição sobre acontecimentos no último clássico e uma alegada "Santa Aliança" contra os dragões.

Bruno Roseiro
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Um comunicado após o clássico no Dragão, um compasso de espera em relação a tudo o que daí poderia advir, mais um comunicado do FC Porto a apontar a mira ao Sporting, a resposta. À margem do encontro do Campeonato de juniores em atraso entre os leões e a União de Leiria, a contar para a segunda jornada da fase final de Apuramento de Campeão, Frederico Varandas, presidente do clube de Alvalade, voltou a escalpelizar todas as críticas feitas pelos dragões no seguimento da partida da última semana, destacando que episódios como o roubo das toalhas a Rui Silva ou o “desaparecimento” de todos os cones e bolas quando os azuis e brancos estavam em vantagem é algo que “já não se vê na Europa periférica, só mesmo em África”.

“Em relação ao que diz o comunicado do FC Porto em relação ao Sporting, vou focar-me em dois pontos e vão perceber porquê. Um é muito direto, fala em mais um lance no jogo do Sporting-Famalicão. Curiosamente, esse lance, coisa rara no futebol português, em todos os comentadores na análise desportivo, teve decisão unânime. Todos consideram que a decisão foi a correta. No segundo ponto insinuam que o Sporting tem peões numa Comissão Não Permanente de Arbitragem. Já esclareci esse assunto mas não interessa esse esclarecimento, interessa é insistir na mentira”, começou por dizer Frederico Varandas aos jornalistas.

“Vou voltar a explicar: estes órgãos sociais da Federação curiosamente até foram eleitos com o apoio do FC Porto. Estava preciso no programa criar essas comissões. Em maio, antes da época começar, foram criadas 19 comissões. Que são o quê? Grupos de reflexão. Não reportam ao Conselho de Arbitragem, não reportam ao Conselho de Disciplina, não têm poder deliberativo. A Federação convidou os 84 delegados, onde estão os clubes profissionais, as comissões de trabalho, grupos para se inscreverem. O Sporting inscreveu-se. Mas não é que o FC Porto também se inscreveu? Havia comissões de arbitragem, competições, futebol jovem, jogadores, treinadores… Quem escreve este comunicado sabe que está a mentir. O intuito deste comunicado não é informar, é simplesmente desviar atenções”, prosseguiu o presidente do Sporting.

“Não lhes interessa falar do que tem de ser falado. Mais uma vez, esperei uns dias para ver se havia alguma resposta, algo que explicasse o sucedido no FC Porto-Sporting. E vou dar de barato o facto da comitiva entrar, passar junto a adeptos que, bastava terem recolhido a manga, e não estavam a ofender, insultar e ameaçar os jogadores, o presidente, o staff e o treinador, bastava isso. Não estou a falar do ar condicionado, não estou a falar da decoração do balneário. Esses três casos para mim é pouco relevante”, apontou.

“Beijinhos? Não, não foi provocatório. Repare: ensinaram-me desde pequenino a responder que a melhor resposta ao ódio é o amor. Só isto. Em relação a esses três episódios, dou de barato. Até motiva as equipas adversárias, demonstra pequenez e caráter pouco nobre. O Sporting quando recebe, seja o primeiro, que neste caso é o FC Porto, seja outro, que pode ser o último, é com toda a dignidade possível. É assim que gosto de competir, que o Sporting gosta de competir. Os comunicados, que são um churrilhos de mentiras, e têm sido desde o jogo do FC Porto, têm um só objetivo: não falar-se do que interessa. E o que aconteceu às toalhas do Rui Silva? Foram precisas três toalhas, roubaram duas vezes a toalha do Rui Silva. Nunca vi isto. Roubaram duas vezes as toalhas do guarda-redes durante o jogo. E a partir do golo do FC Porto, todos os apanha-bolas retiram os cones e as bolas. E isto, meus senhores, já não se vê na Europa periférica, vê-se em África só”, acusou de novo o número 1 do conjunto de Alvalade.

“Devem saber que o presidente do FC Porto pertence ao Comité de Competições de Clubes da UEFA. Gostaria que perguntassem ao presidente do FC Porto se sugere, na elite do futebol, roubar as bolas quando se está a ganhar 1-0. Depois, retirar a toalha ao guarda-redes para ver se a bola escorrega e entra. É isto que ele propõe? No Comité da UEFA? Fazia uma sugestão ao presidente do FC Porto: que faça isto agora nos oitavos de final da Liga Europa. Não fazem porque sabem que aqui brincam com o Conselho de Disciplina. O caso Fábio Veríssimo parece que já acabou, o FC Porto foi multado em mais de 12 mil euros pelo sucedido. Vocês tiveram acesso à justificação do FC Porto. Pensava que tinha um ato lamentável, vai ser corrigido… Não. Foi um mero lapso. Lapso porquê? Porque o FC Porto analisa, durante a primeira parte, os lances polémicos de arbitragem e manda para os treinadores. E não é que também avaliam lances dos jogos dos infantis? Um jogo de infantis do Sp. Braga-FC Porto… Afinal também analisam jogos dos infantis. Esta é a justificação do Conselho de Disciplina. Eles mentem, mentem. Julguei que houvesse a justificação de ‘O presidente não sabia’. Mas não, há mentira”, continuou Frederico Varandas, antes de falar de outros temas.

O que sei é que, se chegasse a casa, olhasse para os meus filhos e eles soubessem que o Sporting fazia isto, eu morria de vergonha. Não estamos a falar de ganhar ou perder, isso faz parte da vida. Mas o que nos define é a maneira como atuamos na vitória e na derrota. Se estes episódios de Fábio Veríssimo, de roubar as toalhas, de mandar os apanha-bolas tirar a bolas, fossem neste Sporting, eu não tinha dimensão ética para ser presidente do Sporting”, salientou Varandas.

“Santa Aliança? “Isso é mais um chorrilho de asneiras como outras. O objetivo é apenas divergir do que realmente interessa. E uma das coisas que devia interessar a todos nós é lutar para a valorização do futebol português. O futebol português tem de recuperar o sexto lugar do ranking da UEFA. Mas eu tenho vergonha, tenho de dizer isso. Estes episódios tiveram eco lá fora. E, de facto, dirigentes que tanto se preocupam com o estado dos relvados, com as condições dos clubes pequenos, com as transmissões televisivas, fazem dez vezes pior. Com dirigentes como estes, não merecemos estar no sexto lugar da UEFA. Não merecemos. A luta pelo Campeonato vai ser até ao fim mas o título da falta de ética e anti-desportivismo já está entregue, seguramente”, voltou a criticar o presidente dos leões, antes de abordar os próximos jogos com o FC Porto.

“Próximos clássicos? Apenas posso dizer o que gostaria e o que controlo. O que controlo é que o FC Porto será muito bem recebido para poder fazer o que melhor sabe, competir dentro de campo. O presidente do FC Porto tem o lugar institucional, onde sempre se sentou. Gostaria que os adeptos do Sporting não fizessem o que os adeptos do FC Porto fazem, de interromper o sono. Os jogadores do Sporting não querem isso, nós não queremos isso. O FC Porto vai ser muito bem recebido, tal como qualquer equipa. Ambiente cada vez mais insustentável? Mas eu não controlo isso. Eu controlo as nossas ações, as do Sporting. Não é o Sporting que comenta nomeações antes dos jogos. Não é o Sporting que tem estes episódios num jogo que organiza. Custa muito quando as coisas acontecem e é muito fácil criticar o presidente. Não, porque o mal do futebol português está nos dirigentes? O dirigismo assim não ajuda, todos têm telhados de vidro. Meus senhores, tenham coragem de meter nomes. Não somos todos iguais e não, não fazemos o mesmo”, concluiu.

A reação de Frederico Varandas teve também como contexto uma publicação do FC Porto na sua newsletter diária, onde visava não só Sporting mas também Benfica. “Concluída mais uma jornada do Campeonato, o FC Porto continua à frente de um adversário proibido por decreto de perder pontos. A equipa mais beneficiada pelos erros infelizes dos árbitros voltou a ser levada ao colo frente ao Famalicão – novamente prejudicado contra o Sporting, depois da expulsão perdoada a Gonçalo Inácio no jogo da primeira volta. Ao contrário do que sucedera nos Açores, quando Rui Borges, ainda preso ao século passado, não sabia trabalhar com as novas tecnologias, desta vez o treinador do Sporting aprendeu rápido e lá se socorreu do tablet colocado à frente dos seus olhos para rever as imagens e para defender a existência de uma ‘falta clara’ sobre Maxi Araújo. Podia parecer gozo, mas não é. Parece que alguém manda na arbitragem em Portugal e claramente não são os seus dirigentes, numa época desportiva marcada por casos infelizes sempre a favor dos mesmos”, começou por referir, neste caso apontando diretamente ao último encontro dos leões.

A única razão para haver uma intervenção do VAR no golo limpo do Famalicão poderá estar relacionada com uma famosa queda na área de Hjulmand, após ter sentido o toque de um dedo na cara, para ganhar um penálti nos Açores. A partir daí, o futebol português estabeleceu o padrão para as intervenções do VAR e, dessa forma, anteontem [domingo] assinalou-se falta antes do golo limpo do Famalicão”, criticou a publicação dos azuis e brancos.

“Perante isto parece quase absurdo registar um caso que passou ao lado do VAR na semana passada. Em mais um lance infeliz a favorecer os mesmos, um jogador do Sporting pontapeou violentamente a cabeça de um atleta. Não, não estamos a falar de Matheus Reis, o intimidador de apanha-bolas, estamos a falar de outro. Desde a simulação nos Açores à agressão ao jogador do AVS, é chocante a impunidade que goza perante os árbitros para discutir de forma veemente todo e qualquer lance de jogo. Não fosse a intervenção do FC Porto, o Conselho de Disciplina preparava-se para fazer vista grossa ao lance em questão. As imagens parecem desaparecer misteriosamente, inclusive as das revolucionárias bodycams dos árbitros – o ex-líbris da transparência, segundo o presidente do Conselho de Arbitragem”, apontou o texto.

“Enquanto isso, sucedem-se as habituais absolvições de Frederico Varandas, uma figura inimputável aos olhos do Conselho de Disciplina (e de qualquer tribunal), depois de destratar o presidente da Federação Portuguesa de Futebol como figura menor da arbitragem ao serviço de outros presidentes no passado. Neste caso específico, parece que o crime compensa, porque desde mapear cores clubísticas dos órgãos sociais da FPF, a colocar peões nas Comissões Não Permanentes de Arbitragem e a acumular retóricas sobre a arbitragem, a verdade é que, desde a famosa tirada após o jogo em Guimarães, o Sporting acumula lances que seguramente figurarão na lista de erros a não cometer, para que no futuro a arbitragem seja melhor. Nada disto surpreende, tal como não surpreende o silêncio cúmplice no outro lado da Segunda Circular – que clama por ainda mais penáltis – nesta Santa Aliança que visa tentar derrubar o FC Porto”, concluiu.