Este ano, a celebração do Ano Novo Lunar na China trouxe a palco cerca de 20 robôs que praticam a arte marcial chinesa kung fu, breakdance e parkour. Foram desenvolvidos pela empresa chinesa Unitree, que diz estar a planear construir 20 mil robôs só este ano.
Foi uma atuação surpreendente: 0 palco da Gala do Festival da Primavera da China, o maior evento televisivo do país, foi ocupado por vários robôs vestidos com uma espécie de camisola vermelha, como pode ver no vídeo abaixo ao minuto 54. Todos ao mesmo ritmo e ao som de música, os robôs fizeram vários movimentos de kung fu, entre os quais saltos mortais. Segundo o jornal Telegraph, este evento que acontece na véspera do Ano Novo chinês é visto como um momento de propaganda, em que a China exibe o seu poder tecnológico a todo o mundo.
No ano passado, estiveram em palco alguns robôs que, com movimentos desajeitados e aparentemente limitados, dançaram com um lenço vermelho. Mas este ano, a empresa tecnológica Unitree superou-se e apresentou 20 robôs que também dão socos, pontapés, correm até 14 quilómetros por hora e saltam obstáculos. Segundo o jornal inglês The Telegraph, além desta empresa de robótica, também a Galbot, Noetix e MagicLab marcaram presença neste evento.
https://observador.pt/2018/10/12/o-robo-atlas-da-boston-dynamics-ja-sabe-fazer-parkour-com-obstaculos/
Numa publicação feita na rede social Facebook pela embaixada da China nos EUA lê-se, a propósito desta atuação, que “um ano depois de dançarem, os robôs humanoides da China voltam à Gala do Festival da Primavera da China com uma atuação de kung fu de tirar o fôlego”. “Precisão, poder e equilíbrio perfeito — a tradição cruza-se com o futuro.”
E, numa outra publicação onde se compara a atuação de 2025 com a de 2026, a embaixada escreve que ninguém “consegue imaginar quão rápido os robôs humanoides da China estão a evoluir“.
Segundo o The Telegraph, a empresa que produziu os robôs deste ano planeia construir entre 10 e 20 mil só este ano, adiantou o diretor executivo da empresa Wang Xingxing. Em 2025, a empresa tecnológica vendeu cerca de 5.500 robôs, tendo estes sido construídos para fazer tarefas como trabalhar em fábricas de automóveis.
A China, acrescenta o jornal inglês, representou 90% do mercado global de robots humanóides no ano passado. E o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação do país disse que queria que milhares destes equipamentos fossem colocados em fábricas e casas. Contudo, até ao momento não foi dito com clareza se Pequim pretende usar estes robôs para fins militares.