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Fact Check. Foto atual mostra Jeffrey Epstein em Telavive?

Nas redes sociais está a ser divulgada uma imagem como sendo de Jeffrey Epstein vivo, em Telavive, com cabelo e barba compridos, bem como uns óculos de sol.

Inês André Figueiredo
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A frase

“Jeffrey Epstein vivo e bem em Telavive. Bronzeado, bonito e seguranças caros. [A] sua morte foi totalmente encenada”

— Utilizador de Facebook, 07 de fevereiro de 2026

A divulgação de mais ficheiros de Jeffrey Epstein tem colocado o tema no centro da atualidade noticiosa a nível internacional e, nas redes sociais, o assunto vai ganhando tração e vão sendo alimentadas teorias de que o norte-americano, condenado por crimes sexuais, poderá estar vivo.

É o que está a acontecer com a publicação em causa: uma imagem em que, alegadamente, surge Jeffrey Epstein, vivo, de barba e cabelo compridos, de óculos escuros, supostamente numa rua de Telavive, em Israel. Porém, nos sites que detetam Inteligência Artificial conclui-se que se trata de uma imagem gerada por IA. Sendo que, de acordo com a AFP, a imagem original tem até uma marca-de-água do Google Gemini e foi criada por um canal do Reddit que se dedica a conteúdos de IA.

“Jeffrey Epstein vivo e bem em Telavive. Bronzeado, bonito e seguranças caros. [A] sua morte foi totalmente encenada”, pode ler-se na descrição em causa. Nas imagens o pedófilo surge com roupas diferentes, uma vez de t-shirt castanha, outra de casaco e aparentemente uma camisola preta, mas sempre de óculos de sol.

Esta não é uma novidade, já que as teorias da conspiração — principalmente as alegações de que está vivo — vão circulando nas redes sociais desde que morreu na prisão, em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. E já depois de ter sido condenado em 2008 por crimes sexuais envolvendo uma menor.

Um relatório do Departamento de Justiça, publicado em 2023, confirmou que a autópsia realizada pelo médico legista concluiu que a “causa da morte foi enforcamento e a forma de morte foi suicídio” — um facto que as autoridades têm reiterado repetidamente, já que sempre que o assunto tem novas nuances surge a mesma teoria.

A verdade é que a imagem em causa foi gerada por Inteligência Artificial e foi partilhada pela primeira vez no Reddit no dia 1 de fevereiro de 2026. Aliás, mesmo nesse fórum há alertas para o facto de a “marca-de-água do Gemini [estar] literalmente ali”.

E o autor chega mesmo a responder, como é possível ver aqui ou aqui: “Fui eu, na verdade com o Gemini. Podem ver o logótipo do Gemini no canto inferior direito de cada imagem. Não pensei que se tornasse tão viral.”

https://observador.pt/2026/02/16/arquivos-de-epstein-revelam-possiveis-crimes-contra-a-humanidade-afirmam-peritos-da-onu/

No dia 30 de janeiro de 2026 o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou novos documentos que “sugerem a existência de uma empresa criminosa global”, segundo nove peritos da ONU num comunicado divulgado em Genebra, Suíça. Também “revelam implicações aterradoras sobre o nível de impunidade para estes crimes”.

Os arquivos contêm referências a possíveis casos de escravatura sexual, violência reprodutiva, desaparecimento forçado, tortura, tratos desumanos e degradantes, e feminicídio, assinalaram.

Conclusão

Não é possível constatar que Jeffrey Epstein está vivo através da imagem em causa. A mesma foi gerada por Inteligência Artificial, sendo que não só os detetores o confirmam, como o autor acabou por o revelar no Reddit, onde foi publicada pela primeira vez. Não há nenhuma prova de que o pedófilo condenado esteja vivo ou que tenha sido visto nas ruas de Telavive, em Israel.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.