“Basta olhar à volta e vê-se um oceano. É assustador”, diz Bruno Marty, presidente da Câmara de La Réole, uma das cidades mais afetadas no distrito de Gironda pela tempestade Nils, que deixou algumas localidades francesas inundadas desde sábado. Os fenómenos meteorológicos extremos de dia 14 de fevereiro, segundo a Franceinfo, provocaram pelos menos duas mortes.
Tal como em Portugal, o mau tempo deixou ainda milhares de habitações sem eletricidade. Embora 95% dos clientes que ficaram sem luz já tenham visto a eletricidade resposta, há ainda cerca de 45 mil clientes da Enedis que continuam sem energia, confirma a própria empresa. A Enedis é a empresa responsável pela gestão e manutenção de 95% da rede de distribuição de eletricidade em França continental.
A Vigicrues, serviço público oficial de vigilância e previsão de cheias, descreve as cheias deste último sábado como uma “situação excecional” e que excede “todos os recordes”. Mas a situação não fica por aqui. Apesar da “atual queda dos níveis de água”, a Vigicrues avisou que seria “temporário”, já que as chuvas desta segunda-feira, com maior incidência nos Pirinéus, faziam prever uma possível subida dos caudais nos próximos dias.
Um alerta que se confirma em La Réole, no oeste francês, onde passa o rio Garonne, com o presidente de Câmara a recordar que a situação ainda não está controlada. “Ainda não chegámos ao fim das cheias, muito pelo contrário”, avisou Bruno Marty ao final de doming domingo, pedindo para a população “manter a cautela”.
Em Lot-et-Garonne, onde passa o mesmo rio, cerca de 1500 pessoas foram retiradas preventivamente, depois de o dique que protegia a cidade de Aiguillon romper no sábado. A Météo-France alertou que “a situação no rio Garonne, a jusante de Agen, deve ser acompanhada com particular atenção”.
“O caudal do rio Garonne está a baixar, mas não vai baixar rapidamente”, alertou esta segunda-feira Vazken Andréassian, hidrólogo do Instituto Nacional de Investigação para a Agricultura, Alimentação e Ambiente, à Franceinfo. Ainda assim, o hidrólogo assegura que o pico da cheia já foi, “até ver”, atingido. Estas reservas de Andréassian devem-se ao facto de serem esperadas “novas precipitações”, além de haver “marés cujos coeficientes começarão a aumentar”, até quarta-feira, o que pode fazer ainda mais a subida do rio.
Também o distrito de Maine-et-Loire, onde passa o rio Loire, também no oeste de França, enfrenta risco elevado de cheias. O presidente da Câmara, Hugues Vaulerin, apelou à evacuação de várias localidades próximas de Angers, e foram instaladas barreiras de contenção em Les Ponts-de-Cé como medida preventiva, noticiou o 20minutes.
Na Bretanha, o distrito de Morbihan também sofreu os efeitos da tempestade. O rio Blavet transbordou em Pontivy, reportou o Franceinfo. Entretanto, o alerta laranja foi levantado, passando a vigorar apenas o nível amarelo, sinal de uma ligeira melhoria das condições, ainda que a vigilância se mantenha.
[Gregorian Bivolaru dá todos os passos do manual de manipulação. Mas quem vive no interior da seita vai demorar a perceber. Ouça o terceiro episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio e o aqui o segundo.]