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O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, admitiu esta segunda-feira, em Budapeste, que alcançar um acordo com o Irão “não é fácil”, apontando divergências políticas e religiosas antes da nova ronda de negociações nucleares em Genebra.
Em conferência de imprensa na capital húngara, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos salientou que o Teerão é governada por “clérigos xiitas radicais” que tomam decisões “baseadas puramente na teologia“, e não em cálculos geopolíticos, o que, defendeu, torna o processo negocial particularmente complexo.
“Chegar a um acordo com o Irão não é fácil”, reiterou Rubio, sublinhando que, apesar das dificuldades, a posição dos Estados Unidos não está a prejudicar as conversações centradas no programa nuclear iraniano.
Rubio evitou avançar pormenores sobre o conteúdo das negociações que vão decorrer esta semana, mas confirmou que os representantes dos Estados Unidos estão a caminho de Genebra para a reunião agendada para terça-feira.
O secretário de Estado indicou ainda que o Presidente norte-americano, Donald Trump, privilegia a via diplomática e mantém abertura para um entendimento pacífico, desde que o Irão responda às preocupações expressas por Washington.
Ainda assim, Rubio reconheceu que as decisões de Teerão assentam em “critérios teológicos e não geopolíticos“, o que, no seu entender, reduz a previsibilidade do processo.
Do lado iraniano, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, afirmou esta segunda-feira que o país participará na segunda ronda de negociações nucleares em Genebra com “iniciativas reais” para alcançar um acordo “justo e equilibrado”.
“O que está absolutamente fora de questão é ceder às ameaças“, declarou Araqchi, sem detalhar as propostas que Teerão levará à mesa das negociações.
Nos últimos dias, Trump ameaçou repetidamente lançar um ataque militar contra o Irão caso não seja alcançado um entendimento, tendo enviado um segundo porta-aviões para o Médio Oriente.
https://observador.pt/2026/02/13/maior-porta-avioes-dos-eua-recebeu-ordens-para-navegar-para-o-medio-oriente/
Na cidade suíça estarão o enviado da Casa Branca (presidência norte-americana) Steve Witkoff e o genro do Presidente Donald Trump, Jared Kushner.
As negociações indiretas sobre a questão nuclear iraniana vão ser mediadas por Omã, à semelhança do que aconteceu a 6 de fevereiro, quando os contactos entre Washington e Teerão foram retomados em Mascate.
O Irão tem reafirmado o direito de enriquecer urânio para fins civis.
O Ocidente e Israel contestam a versão de Teerão, argumentando que não existe uma justificação civil credível para a escala das ambições atómicas iranianas.
Em paralelo, a Guarda Revolucionária iraniana, exército ideológico da República Islâmica, iniciou esta segunda-feira exercícios navais no estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita uma parte significativa do petróleo mundial, numa demonstração de força que coincide com o arranque das conversações em território suíço.