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(A) :: Mais do que cortar custos, importa decidir melhor na saúde

Mais do que cortar custos, importa decidir melhor na saúde

O debate sobre “fazer mais com menos” na saúde dificilmente desaparecerá. Mas o verdadeiro desafio continua a ser escolher com base em evidência e garantir o melhor resultado para quem importa.

Ricardo Afoito
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Durante anos, a pressão para reduzir custos operacionais dominou grande parte das discussões no setor da saúde. Porém, a insistência no “mais com menos” conduz facilmente a decisões táticas, reativas e pouco alinhadas com a transformação estrutural de que os sistemas necessitam.

O ponto de partida deveria ser outro: compreender, de forma rigorosa, o impacto global de cada escolha e dar prioridade a intervenções que acrescentem valor mensurável às organizações, às equipas e aos pacientes.

É precisamente aqui que os modelos de análise multidimensionais se tornam úteis. Os referenciais da Sociedade de Sistemas de Informação e Gestão de Saúde (HIMSS, na sigla em inglês) têm ajudado a avaliar a maturidade digital dos hospitais em várias dimensões: medem o nível de digitalização dos registos clínicos e dos processos, a capacidade de transformar dados em informação útil para a decisão, a robustez da infraestrutura tecnológica que suporta os sistemas clínicos e a integração dos fluxos entre equipamentos e sistemas.

Mas a grande mais-valia destes modelos é ajudarem a estruturar prioridades, identificar lacunas e avaliar decisões de forma consistente ao longo do tempo. A sua utilização desde 2017, em vários processos de transformação digital, tem-nos permitido criar mecanismos de avaliação contínua e reduzir o risco de decisões fragmentadas.

É neste contexto que os dados se afirmam como um fator incontornável. Não como um fim em si mesmo, mas como a base que sustenta decisões mais informadas, processos mais consistentes e uma visão integrada da organização. Quando os dados passam a estar no centro, torna-se possível alinhar a prática clínica, a gestão operacional e a governação, criando condições para uma transformação que é simultaneamente tecnológica, organizacional e cultural.

Ao mesmo tempo, esta evolução obriga a repensar modelos tradicionais de crescimento e de investimento em tecnologia. Durante demasiado tempo, a expansão das organizações de saúde esteve associada a um aumento automático da complexidade operacional, tecnológica e financeira. Não tem (e não deve) ser assim.

É neste ponto que plataformas como a Mozy, da Glintt Life, ilustram a mudança de paradigma: mais do que uma solução específica, servem-se da tecnologia para acompanhar o crescimento das organizações sem se tornar um obstáculo a esse crescimento. Ao permitir que a evolução da atividade (novas unidades, novos serviços ou maior diferenciação assistencial) não implique uma penalização estrutural, cria-se espaço para decisões mais estratégicas e menos reativas.

O debate sobre “fazer mais com menos” na saúde dificilmente desaparecerá. Aliás, “fazer mais com menos” deve ser encarado como um resultado, não como um caminho. O verdadeiro desafio continua a ser escolher com base em evidência, compreender o impacto de cada opção e garantir que cada mudança contribui para melhores processos e melhores resultados para quem mais importa: as pessoas.