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(A) :: O apelo da filha, as indicações dos amigos e o sinal de telemóvel. O que se sabe sobre o casal desaparecido há uma semana após ida a Coimbra

O apelo da filha, as indicações dos amigos e o sinal de telemóvel. O que se sabe sobre o casal desaparecido há uma semana após ida a Coimbra

Venâncio e Maria de Fátima regressavam de uma consulta quando desapareceram. Antes, foram aconselhados pelos amigos a não seguir viagem. GNR (e bombeiros) fazem buscas no terreno.

Miguel Pinheiro Correia
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“Partilhe por favor. Os meus pais estão desaparecidos, vinham de Coimbra e não regressaram a casa”. A mensagem desesperada de Laura Santos acompanha uma fotografia dos pais partilhada no Facebook e que foi rapidamente divulgada por outras milhares de pessoas, na tentativa de ajudar nas buscas do casal desaparecido desde a passada terça-feira (16 de fevereiro), durante o período crítico de tempestades.

Venâncio e Maria de Fátima vivem em Verride, vila de Montemor-o-Velho, mas as viagens aos municípios vizinhos de Soure ou Coimbra seriam habituais. Segundo o relato da filha, terá sido num regresso a casa, na terça-feira, que desapareceram, após uma ida a uma consulta em Coimbra. Apesar de conhecerem bem o trajeto de cerca de 40 minutos, as estradas alagadas podem ter contribuído para complicar o percurso.

Laura falou pela última vez com os pais nesse dia e nunca mais teve novidades do casal. O alarme intensificou-se com as notícias que colocavam a zona banhada pelo Baixo Mondego em alerta. Verride, junto ao rio e do outro lado da margem da ainda isolada aldeia da Ereira, eram uma das localidades sob ameaça. A filha, que vive em Lisboa, deslocou-se assim que conseguiu a Montemor-o-Velho e informou a GNR, na sexta-feira. Até hoje, os pais continuam desaparecidos.

Venâncio e Maria de Fátima saíram de casa e fizeram viagem de carro. Porquê?

Quando Venâncio passou pelo Café Jardim, em Verride, os amigos aconselharam-no a não fazer a viagem de carro até Coimbra, devido às cheias que deixavam muitas ruas intransitáveis. O homem não terá acedido aos conselhos dos conterrâneos e decidiu seguir, horas depois, para Coimbra.

“Disse para não ir no carro dele [à consulta], para requisitar uma ambulância, que as estradas estavam cheias de água, ia ter dificuldade em chegar a Coimbra. Disse para ele telefonar para a Câmara Municipal, que lhe resolvia o problema, mas ele também não aceitou. Tinha na ideia ir, e foi”, contou um amigo à CNN Portugal.

Outro amigo entende que é “muito fácil enganar-se na estrada” nesta viagem que pode ser, com estradas inundadas, meia hora mais longa que o habitual.

Já no caminho de regresso a casa, Venâncio terá abordado um morador a pedir indicações. António Querido conta, em declarações à CMTV, que o homem lhe perguntou “qual era o melhor caminho” para Montemor[-o-Velho]. “Eu indiquei o caminho para Verride”, disse António Querido, acrescentando: “Ainda não estavam inundadas [as ruas]”.

Passaram por uma farmácia e jantaram com família. O que fizeram no dia do desaparecimento?

Decididos a seguir para Coimbra de carro, o casal saiu e, de manhã, ainda passou numa farmácia, na Abrunheira, e num supermercado, antes de rumarem à capital de distrito. Depois da consulta, diz a CNN Portugal, jantaram em casa de um familiar e entraram no Citroen Saxo de cor verde que está agora a ser procurado.

Foi nessa terça-feira que a filha falou pela última vez com os pais. Laura passou os dias seguintes a tentar contactar com os pais, missão dificultada pelas falhas de energia que ainda subsistem na zona. Longe de Verride, pediu ajuda aos vizinhos, mas os pedidos nunca tiveram efeito: Venâncio e Maria continuavam sem responder.

Então, Laura deslocou-se a Montemor-o-Velho e, na sexta-feira, informou a GNR sobre o desaparecimento dos pais. No mesmo dia, publicou a fotografia no Facebook e deu as únicas indicações possíveis: a viagem a Coimbra e a cor e modelo do carro.

Carro ainda não foi localizado, mas GNR apurou localização do último sinal do telemóvel. Onde?

Já com os militares da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR no terreno, os trabalhos de busca tornaram-se visíveis, concentrando-se nas estradas que ligam Verride a Coimbra, mas também no município de Montemor-o-Velh0.

Longe do terreno, o trabalho da GNR permitiu encontrar nova pista: o último sinal do telemóvel de Venâncio foi detetado em Vila da Rainha, a cerca de 20 quilómetros da casa da família.

https://observador.pt/2026/02/14/gnr-procura-casal-de-idosos-desaparecido-em-soure-ha-quatro-dias/

GNR tem apoio dos bombeiros. Que meios estão empenhados nas buscas?

As buscas para encontrar o casal têm decorrido desde o início com liderança da GNR e cooperação de alguns bombeiros de Soure. No sábado, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Soure, João Paulo Contente, revelou à Lusa que as buscas incidiam na zona Oeste do concelho, na freguesia de Vinha da Rainha, numa zona que abrange os campos agrícolas de arroz do Vale do Pranto.

Para apoiar a missão das autoridades, os militares no terreno contam com um drone que tem sido usado para sobrevoar os locais onde o casal poderia estar. O drone ganha redobrada importância se for enquadrado com uma das maiores dificuldades da GNR: os acessos.

Segundo o Correio da Manhã, o drone já terá sido utilizado nos campos agrícolas agora alagados e está a ser equacionada a utilização de câmaras de infravermelhos para tentar encontrar o casal em zonas mais escondidas. No sábado, chegaram a estar envolvidos nas buscas 14 operacionais e cinco viaturas, segundo adiantou à Lusa fonte do Comando Sub-regional da Proteção Civil de Coimbra.

O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil assumiu aos jornalistas que as buscas continuam, com o apoio da GNR e bombeiros. “Não temos informação. Continuamos a fazer buscas e a tentar perceber juntamente com a GNR o que se está a passar, mas não temos mais informação até ao momento”, disse Mário Silvestre no ponto de situação realizado na sede da ANEPC.

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