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Mundo árabe acusa Israel de querer anexar Cisjordânia

Várias nações do Médio Oriente condenaram uma medida do Governo israelita que tem como objetivo "o registo de extensas áreas" na Cisjordânia em nome de Israel. Hamas diz que medida é "ilegítima".

Agência Lusa
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A Autoridade Palestiniana, o Hamas, o Egito e o Qatar rejeitaram a decisão de Israel de reabrir o processo de registo de terras na Cisjordânia ocupada, que aumenta os receios da anexação do território.

A diplomacia da Autoridade Palestiniana afirmou que “condena veementemente [a decisão] e rejeita qualquer tentativa de designar terras da Cisjordânia como território público sob o controlo da força de ocupação”.

Num mensagem publicada na rede social X, no domingo à noite, o ministério considerou as novas medidas “juridicamente inválidas” e equivalentes ao “início de facto de um processo de anexação“.

https://twitter.com/pmofa/status/2023138508664135744

Num comunicado, o movimento islamita Hamas classificou a decisão de Israel como uma tentativa de “roubar e judaizar” territórios palestinianos e considerou a medida ilegítima, “nula e sem efeito“.

“Trata-se de uma tentativa de impor assentamentos e judaização no terreno pela força, em flagrante violação do direito internacional e das resoluções relevantes das Nações Unidas”, afirmou o Hamas, citado pelo jornal Filastín.

O Hamas afirmou que a decisão foi “emitida por uma potência ocupante ilegítima” e reiterou que “a resistência do povo palestiniano” não permitirá as tentativas de Israel “de anexação, judaização e deslocação”.

“A vontade do nosso povo, o seu apego à sua terra e aos seus direitos nacionais inalienáveis continuarão a ser a barreira intransponível contra as políticas e os planos expansionistas da ocupação“, acrescentou.

O Hamas apelou à comunidade internacional, incluindo a ONU e o Conselho de Segurança, para que assumam “as suas responsabilidades legais e políticas” e tomem “medidas imediatas para travar a agressão da ocupação e as suas contínuas violações contra o povo palestiniano”.

O Governo do Egito disse na X que “condena veementemente” o anúncio, que considera “uma escalada perigosa com o objetivo de consolidar o controlo israelita” sobre a Cisjordânia e uma violação de acordos internacionais.

A diplomacia do Qatar denunciou, na mesma rede social, as medidas aprovadas por Israel, que descreveu como “uma extensão dos planos para privar o povo palestiniano dos seus direitos“.

https://twitter.com/MofaQatar_EN/status/2023086095852802085

Também no domingo, a Jordânia já tinha manifestado “rejeição absoluta” da medida anunciada por Israel, que considerou como “uma afronta ao direito inalienável do povo palestiniano à autodeterminação“.

https://twitter.com/Petranews/status/2023293276380594335

De acordo com o Ministério da Justiça israelita, o objetivo da medida é “o registo de extensas áreas” na Cisjordânia em nome do Estado de Israel, enquanto o Governo israelita fornecerá à autoridade governamental competente o orçamento e o equipamento necessário para realizar o assentamento da terra.

O ministro da Justiça israelita, Yaariv Levin, falando após a aprovação da medida, disse tratar-se de “uma verdadeira revolução na Judeia e Samaria”, nome bíblico utilizado pelos nacionalistas israelitas para a Cisjordânia, e afirmou que “a Terra de Israel pertence ao povo de Israel“.