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Fact Check. Noruega passou a exigir cinco anos de contribuições para atribuir apoios sociais a imigrantes?

Publicações alegam que Noruega exige 5 anos de contribuições para atribuir apoios sociais. Mas o que Oslo passou a exigir foram 5 anos de residência e um mínimo de 20 horas de trabalho por semana.

Tiago Caeiro
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A frase

“Apoios sociais a estrangeiros na Noruega apenas após cinco anos de descontos, porque hoje 74% dos apoios já são para estrangeiros”

— Utilizador de Facebook, 26 de janeiro de 2026

Com os movimentos anti-imigração a ganharem força pela Europa, várias publicações que circulam na rede social Facebook alegam que a Noruega passou a exigir cinco anos de contribuições para atribuir apoios sociais a imigrantes, uma vez que quase três quartos dos apoios sociais já são canalizados para a população imigrante. “Apoios sociais a estrangeiros na Noruega apenas após cinco anos de descontos, porque hoje 74% dos apoios já são para estrangeiros”, lê-se numa das publicações.

No final de Janeiro, o governo trabalhista norueguês anunciou uma reformulação do sistema de apoios sociais destinados aos refugiados. As novas regras ditam que um refugiado só poderá ter acesso a apoios sociais (subsídios de habitação ou assistência social) depois de residir no país durante cinco anos. Outra mudança diz respeito aos próprios subsídios. O Governo vai fundir os três apoios existentes num único subsídio de integração, que apenas poderá ser atribuído a refugiados que trabalhem pelo menos 20 horas por semana, explica um comunicado publicado no site do governo norueguês.

O objetivo das novas regras é “inserir mais refugiados no mercado de trabalho, reforçar a integração e simplificar o sistema”, sublinhou o executivo, liderado por Jonas Gahr Støre. A ministra do Emprego e Inclusão da Noruega, Kjersti Stenseng, explicou que “conseguir um emprego é bom para o indivíduo porque lhe dá a oportunidade de se sustentar e sustentar a sua família” e frisou que trabalhar “dá oportunidade de treinar a língua e dá um sentido de pertença à sociedade”.

O governo norueguês reconheceu que, com o sistema de apoios existente até agora, trabalhar nem sempre era vantajoso para os refugiados. Stenseng frisou que o emprego entre os refugiados ronda os 50%, claramente inferior à taxa da restante população.

Assim, não é verdade que o governo norueguês exija cinco anos de contribuições para atribuir apoios sociais. Passa, sim, a ser obrigatório que os refugiados beneficiários dos apoios sociais trabalhem no mínimo 20 horas por semana.

Quanto à alegação de que os estrangeiros recebem 74% dos apoios sociais na Noruega, a informação oficial confirma essa ideia. A agência de estatísticas da Suécia publicou, em janeiro, uma análise que concluiu que “em 2024, 74% do total dos pagamentos foram destinados a imigrantes”

Conclusão

Não é verdade que a Noruega tenha passado a exigir cinco anos de contribuições para que os imigrantes tenham acesso a apoios sociais. As novas regras (destinadas especificamente a refugiados e não a imigrantes no geral) ditam que estes podem ter acesso a apoios sociais caso residam no país há pelo menos cinco anos e desde que trabalhem um mínimo de 20 horas por semana.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ENGANADOR

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.