O Irão propôs benefícios económicos para os Estados Unidos no âmbito de um acordo nas negociações nucleares entre as duas partes, afirmou este domingo o vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros para a Diplomacia e membro da equipa negocial.
“Para garantir que um acordo seja sustentável, os Estados Unidos devem beneficiar de setores económicos iranianos de elevado desempenho e retorno rápido”, declarou Hamid Ghanbari, citado pela agência Fars.
O diplomata explicou que nas negociações foram incorporados interesses comuns em áreas como o petróleo e o gás, investimentos mineiros e até a compra de aviões norte-americanos por parte do Irão.
Destacou ainda que os ativos iranianos congelados no estrangeiro também farão parte do acordo e que a sua libertação “deve ser real e utilizável, não meramente simbólica ou temporária”.
O Irão e os Estados Unidos vão realizar na terça-feira, em Genebra, a segunda ronda de negociações nucleares, depois de terem retomado as conversações indiretas no dia 6 deste mês, em Omã, país que atua como mediador.
Ao confirmar a reunião, o também vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Majid Takht-Ravanchi, afirmou, numa entrevista à cadeia de televisão britânica BBC, em Teerão, que “a bola está no campo dos Estados Unidos” e que, “se forem sinceros”, é possível alcançar um acordo.
“Se se quer um acordo, é preciso centrar-se na questão nuclear”, afirmou Takht-Ravanchi, que excluiu a hipótese de enriquecimento zero no Irão e considerou inegociável o programa de mísseis balísticos do país por fazer parte da sua capacidade defensiva.
Ainda assim, o diplomata reiterou que Teerão está disposto a “examinar compromissos” sobre o seu programa nuclear, “desde que Washington também encete conversações sobre o levantamento das sanções”.
O vice-ministro iraniano considerou a “proposta de Teerão de diluir” os mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60% – muito próximo dos 90% necessários para uso militar — como um sinal da disposição do Irão para alcançar um acordo.
Sábado, na Conferência de Segurança de Munique (CSM), que termina este domingo, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que a administração de Donald Trump privilegia a via diplomática para resolver as divergências com Teerão, embora tenha reconhecido que alcançar um acordo é “muito difícil”.
Trump ameaçou lançar um ataque militar contra o Irão caso não seja alcançado um acordo, tendo para o efeito enviado um segundo porta-aviões para o Médio Oriente.
O Irão e os Estados Unidos retomaram a 6 deste mês as negociações indiretas sob mediação de Omã, no primeiro encontro desde a guerra de 12 dias entre Teerão e Telavive, na qual Washington participou com o bombardeamento de instalações nucleares iranianas.
Ambas as partes classificaram o encontro como “bom” e acordaram voltar a reunir-se “em breve”, apesar das divergências em torno do programa de mísseis iraniano e do apoio de Teerão a grupos regionais como o Hezbollah ou o Hamas, que Washington pretende travar e que o Irão rejeita.