Parece um insólito, mas é mais uma das belas histórias que só os Jogos Olímpicos conseguem proporcionar. No ano em que levou a maior digressão da sua história a uma edição das Olímpiadas de inverno (14 atletas), o Brasil subiu ao pódio pela primeira vez. E em grande. No slalom gigante, que decorreu durante a manhã deste sábado, Lucas Pinheiro Braathen fez história, com o ouro olímpico. Filho de pai norueguês e mãe brasileira, o brasileiro conseguiu a primeira medalha da história da América do Sul nos Jogos de inverno, na competição que decorreu na pista Stelvio, em Bormio.
O esquiador, de 25 anos, chegou a competir pela Noruega, mas há dois anos, após um conflito com a federação daquele país, devido a direitos de imagem, admitiu acabar a carreira. Porém, em 2024, vinculou-se à federação brasileira e, nesse mesmo ano, competiu com as cores brasileiras. Na prova deste sábado, Braathen teve uma primeira manga imaculada (01.13,92 minutos), que lhe valeu desde logo a importante liderança. Já na segunda manga, até baixou o tempo (01.11,08), mas não foi o melhor, alcançando, ainda assim, um registo globalmente suficiente para o ouro. O brasileiro terminou o slalom gigante com um total de 2.25 minutos, à frente da dupla suíça Marco Odermatt (prata), e que era o favorito e campeão olímpico em 2022, a 0,58 décimas, e Loic Meillard (bronze), a 01,17 segundos.
“Não consigo colocar em palavras o que estou a sentir, é simplesmente impossível. As emoções que estou a sentir agora são um sol eterno dentro de mim, que está tão brilhante. Muitas pessoas deram-me essa luz, que me trouxe o poder para ser o mais rápido do mundo hoje [sábado] e para ser campeão olímpico. Sabia que tinha esse nível e precisava de confiar nisso. Trabalhei tanto para chegar aqui e tentei canalizar toda a energia do povo brasileiro na minha primeira descida. O único objetivo que tenho é esquiar da forma que sou e seguir a minha intuição. Foi esse o objetivo para segunda descida”, comentou o novo campeão olímpico, citado pelo Comité Olímpico do Brasil (COB).
O esquiador português Emeric Guerillot foi 38.º classificado na mesma prova dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina-2026. Guerillot fechou com o tempo de 2.39,45 minutos no total das duas mangas, a 14,45 do campeão olímpico, num desempenho que conseguiu melhorar na segunda passagem, na qual foi o 37.º entre os competidores. Mais cedo, o português tinha realizado a primeira manga em 01.22,87 (42.º) e na segunda, com 01.16,58 conseguiu melhorar posições, num desempenho que, ainda assim, ficou uns lugares abaixo do que tinha alcançado na quarta-feira no Super-G (32.º). Emeric Guerillot vai ainda disputar nestes Jogos Olímpicos de inverno a competição de slalom, na segunda-feira, com a irmã Vanina Guerillot a estar presente no slalom gigante, já no domingo, e também no slalom, na terça-feira.
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“É uma consagração fazer este resultado em slalom gigante, que nem sequer é a minha disciplina favorita, nem aquela em que sou mais forte. A pista era bastante difícil, bastante longa, mas consegui sair-me bastante bem e espero repetir isto no slalom”, disse Guerillot, em declarações ao Comité Olímpico de Portugal (COP). “Na segunda manga, aí sim, esquiei mesmo muito bem, consegui fazer o meu esqui. Estou muito contente com aquilo que fiz. E no final, em termos de classificação, fiquei mesmo muito bem colocado: 38.º lugar, quando tinha partido com o dorsal 57 na primeira manga”, referiu, destacando o resultado que conseguiu na segunda passagem (01.16,58 minutos) e que o fez subir na classificação geral.