Um ano depois, a elite do ciclismo está de volta a Portugal. A partir deste sábado e até ao próximo domingo, alguns dos melhores ciclistas do planeta vão percorrer as estradas das regiões oeste e sul do país, primeiro na Figueira do Foz e, na próxima semana, no Algarve. No que respeita à zona centro do país, a quarta edição da Figueira Champions Classic realizou-se este sábado e voltou a colocar em destaque a cidade onde o rio Mondego se encontra com o oceano Atlântico, numa zona que tem sido bastante fustigada pelo mau tempo nas últimas semanas e que levou ao adiamento da Prova de Abertura, fazendo desta a prova inaugural da temporada nacional. Ainda assim, a realização da clássica portuguesa que tem o estatuto de UCI Pro Series — o segundo escalão profissional das corridas de um dia — nunca esteve em risco.
Na pérola do Mondego, a edição desde este ano contou com um recorde de 24 equipas, oito delas do World Tour, num total de 162 ciclistas, 82 deles estreantes na clássica da Figueira da Foz e 33 que nunca tinham corrido em Portugal. Entre as nove equipas portuguesas, o destaque inicial foi para o Tavira-Crédito Agrícola que, com uma média de idades inferior a 22 anos, tornou-se na equipa mais jovem de sempre da história da prova. No que respeita aos favoritos, o vencedor do ano passado, António Morgado, foi o único ciclista do top 10 de 2025 a repetir a presença, partindo como um candidatos à vitória, num início de época que tem sido, uma vez mais, bastante positivo. Para acompanhar o português, a UAE Team Emirates-XRG abdicou de João Almeida, o líder na Volta ao Algarve, mas decidiu apostar nos gémeos Ivo e Rui Oliveira. Nelson Oliveira (Movistar) foi o outro português do escalão principal a marcar presença na Figueira Champions Classic.
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Em relação a 2025, o percurso inicialmente previsto era exatamente o mesmo, mas a organização acabou por ser forçada a alterar a fase inicial, por conta das zonas afetadas pelo mau tempo. Ainda assim, os ciclistas a percorrerem as 14 freguesias do concelho que viu nascer Alves Barbosa, José Bento Pessoa e Afonso Eulálio, mas numa ligação de 177,8 quilómetros que começou e acabou junto à Torre do Relógio, num percurso rompe-pernas, que favorecia os atletas mais completos e os ataques de longe. Na segunda metade da prova, o traçado centrava-se na cidade da Figueira da Foz e num circuito de três voltas que tinha como principais referências as subidas do Parque Florestal (2,3 kms a 7,8%), com as rampas a aproximarem-se dos 20% na segunda fase, e de Enforca Cães (0,8 kms a 7,3%), bem junto ao oceano e a convidar o aparecimento do vento. A partir daí, o regresso ao centro urbano era bastante rápido, restando apenas 5,7 quilómetros para se fazer as diferenças.
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Com o sol a aparecer na região oeste, Rafael Reis (Anicolor-Campicarn), Daniel Viegas (Aviludo-Louletano-Loulé), Pedro Pinto (Efapel), Diogo Narciso e Diogo Pinto (Credibom-L.A. Alumínios-Marcos Car) foram os primeiros a atacar, com o português da Efapel a desfazer a fuga depois da primeira passagem pelo Parque Florestal. No início da segunda volta, Cedric Beullens (Lotto Intermarché) e Iker Gómez (Kern Pharma) juntaram-se a Pinto na dianteira, numa fase em que o pelotão controlava a vantagem. A 50 quilómetros da meta, Daniel Martínez (Red Bull-Bora-hansgrohe) acabou por ser o primeiro a partir a corrida, com Brandon McNulty (Emirates) a contra-atacar logo a seguir. Na fase de descida, Max Poole (Picnic PostNL) e Riley Sheehan (NSN) colaram ao duo, que começou a aproximar-se dos fugitivos, que passou a dois elementos, depois de Pedro Pinto ter perdido o contacto.
Chegados à última volta da corrida, e já com a fuga neutralizada pelos perseguidores, o pelotão voltou a agrupar-se a 22 quilómetros do fim, no momento em que os ciclistas deixaram a marginal e partiram em direção à última passagem pelo Parque Florestal. Com McNulty a aumentar o ritmo no início da subida, o pelotão estendeu-se e só Martínez, Jarno Widar (Lotto), Alex Aranburu (Cofidis), Morgado, Thomas Gloag (Pinarello Q36.5) e Pau Martí (NSN) conseguiram seguir o Emirates, que continuou a trabalhar em prol do português. Na derradeira passagem por Enforca Cães, Aranburu tentou surpreender e obrigou Morgado a responder de imediato, contra-atacando depois de chegar ao espanhol. Contudo, o Cofidis conseguiu manter-se e iniciou a descida na roda do Emirates. Na fase mais rápida, Martí e Widar acabaram por reentrar e, no sprint final, Alex Aranburu arrancou a 200 metros, António Morgado respondeu ao seu lado, foi mais forte e bisou na Figueira da Foz.
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Esta foi a segunda vitória do português na temporada, depois de ter batido, uma vez mais ao sprint, o também espanhol Héctor Álvarez no Troféu Calvià, e a oitava na sua carreira. António Morgado passa a ser, assim, o primeiro ciclista a bisar na Figueira Champions Classic, depois de se ter juntado, há um ano, a Remco Evenepoel (2024) e Casper Pedersen (2023) no quadro de vencedores. O terceiro lugar ficou para Pau Martí, com Jarno Widar e Ion Izagirre (Cofidis), a nove segundos, a completarem o top 5 da corrida que teve mais um português a subir ao pódio: Pedro Pinto, o vencedor da classificação da montanha. Quanto às formações portuguesas, Tomas Contte (Aviludo-Louletano-Loulé) foi o melhor classificado, no 25.º lugar, a 24 segundos de Morgado.