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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta sexta-feira que as ações de coordenação para assegurar capacidade de encaixe nas barragens foi determinante para diminuir os impactos do mau tempo e riscos de inundações.
A gestão que tem sido feita no rio Mondego, “como em todos os grandes cursos de água do país”, foi “determinante para diminuir os impactos que a adversidade meteorológica” trouxe, disse Luís Montenegro, numa declaração sem direito a perguntas no Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil de Coimbra, com a presença da ministra do Ambiente e de autarcas da região.
Segundo Luís Montenegro, tem havido uma gestão que provoca cheias controladas e com “ações de coordenação para poder ter capacidade de encaixe nas barragens com maior capacidade”.
No caso do rio Mondego, o primeiro-ministro frisou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem procedido “a uma gestão integrada, monitorizada, de descargas para poder libertar capacidade para os piores dias que viriam a seguir”.
https://observador.pt/2026/01/30/agencia-do-ambiente-vai-provocar-pequenas-cheias-para-evitar-uma-cheia-descontrolada-com-chuva-prevista-para-a-proxima-semana/
“Foi isso que aconteceu no Rio Mondego e aconteceu também noutros rios. Naqueles cuja partilha junta Portugal e Espanha, essa gestão […] foi também muito intensa e eu quero nesta ocasião agradecer publicamente ao Governo espanhol, às autoridades regionais das comunidades autonómicas espanholas e, em particular, à senhora ministra do Ambiente e Energia, que tem coordenado com a APA esta interação”, salientou.
Governo regista mais de 18.500 pedidos de apoio
O Governo já contabilizou mais de 18.500 pedidos de ajuda, quase metade dos quais para reconstrução de habitações afetadas pelas tempestades, afirmou ainda em Coimbra o primeiro-ministro.
O Governo registava hoje “mais de 8.200 pedidos de cidadãos ou famílias” para ajuda à reconstrução de habitações próprias afetadas pelas tempestades, disse Luís Montenegro. Segundo o primeiro-ministro, os apoios até cinco mil euros apenas precisam de demonstração fotográfica dos danos, já as casas com impacto entre cinco e dez mil euros precisam de uma vistoria, que garantiu que será “rápida” e assegurada pelas autarquias.
Apesar de reconhecer que há desgaste nos serviços municipais face às consequências das tempestades, Luís Montenegro pediu um “esforço para se realizarem essas vistorias o mais rapidamente possível”.
No caso dos apoios às famílias com perdas de rendimento ou situação de carência, o Governo já registou mais de duas mil candidaturas. No caso das empresas, há mais de 3.800 empresas candidatadas, num montante “que já supera os 850 milhões de euros”, o que levou o Governo a aumentar a linha de crédito à tesouraria das empresas “de 500 para mil milhões de euros”.
O Governo regista também mais de 4.500 pedidos de apoio no setor agrícola, com candidaturas que dizem respeito a “todo o território nacional e não apenas daqueles territórios que se encontram em estado de calamidade ou de contingência”.
Luís Montenegro frisou ainda que está a ser feito “tudo para repor a normalidade”, apesar de ainda haver 45 mil pessoas sem luz, a grande maioria das quais há mais de duas semanas, após a passagem da depressão Kristin.
Governo trabalha “a todo o vapor” para aplicar Programa de Recuperação e Resiliência português
Sobre o Programa de Recuperação e Resiliência exclusivamente português, que intitulou de PTRR, Montenegro vincou que o Governo está a “trabalhar a todo o vapor para se poder fazer essa apresentação o mais brevemente possível, de uma forma estruturada”.
https://observador.pt/2026/02/12/montenegro-anuncia-plano-portugues-de-recuperacao-e-resiliencia-para-reconstrucao-apos-as-tempestades/
Esse programa, desenhado para ajudar o país a recuperar das consequências do mau tempo, procura garantir uma “economia competitiva”, disse, referindo que é essa riqueza que irá ajudar a dar “maior resiliência” às infraestruturas.
“Estamos a falar de escolas, estamos a falar de equipamentos de saúde, estamos a falar de equipamentos sociais, estamos a falar de equipamentos culturais, estamos a falar de equipamentos desportivos, estamos a falar de estradas, estamos a falar de ferrovia, estamos a falar de comunicações, estamos a falar de rede de abastecimento de energia elétrica, estamos a falar de rede de abastecimento de energia elétrica, estamos a falar de rede de abastecimento de água, estamos a falar, portanto, de um verdadeiro projeto de transformação nacional que será o alicerce do nosso futuro”, frisou.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal continental na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas. O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.