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Militante nacionalista francês "entre a vida e a morte" em Lyon após agressões à margem de conferência de Rima Hassan

Episódio de violência ocorreu à margem de conferência de Rima Hassan. Eurodeputada francesa já se mostrou "horrorizada" com as agressões e defende investigação rigorosa.

João Paulo Godinho
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Um militante nacionalista francês está “entre a vida e a morte”, depois de ter alegadamente sido agredido à margem de uma conferência da eurodeputada Rima Hassan, membro do partido França Insubmissa e de origem palestiniana, na noite de quinta-feira, em Lyon.

O jornal Fígaro cita o coletivo feminista de extrema-direita Némésis, que relatou que o militante de 23 anos foi espancado por ‘antifas’ — elementos antifascistas radicais de extrema-esquerda —, tendo sofrido uma hemorragia cerebral. O risco de vida foi confirmado à imprensa francesa pela família do jovem, enquanto o Ministério Público de Lyon admitiu que o estado clínico é grave.

A conferência de Rima Hassan teve lugar no Instituto de Estudos Políticos (IEP) de Lyon, local ao qual acorreram várias militantes do coletivo Némesis para exibir uma faixa de protesto contra a presença da eurodeputada. “Islamo-esquerdistas fora das nossas faculdades“, lia-se na tarja. Alice Cordier, diretora do Némésis, explicou ao jornal gaulês o contexto que precedeu as agressões.

“Foi uma ação organizada pela nossa filial de Lyon, cinco ou seis raparigas estavam presentes e homens voluntários posicionaram-se um pouco mais longe, prontos para intervir e garantir a ordem se as militantes fossem atacadas”, referiu.

Fonte policial citada no artigo indica que se registaram confrontos envolvendo perto de 50 pessoas, mas que acabaram por não condicionar a conferência de Rima Hassan no interior da instituição. Nesse período inicial, uma jovem de 19 anos do coletivo terá sido “arrastada pelo chão e estrangulada”. Posteriormente, o jovem de 23 anos, identificado como Quentin, que estaria a garantir a segurança das militantes do Némésis nas imediações, acabou também por ser agredido com um outro amigo quando deixavam o local.

Numa rua mais afastada, Quentin terá sido atirado ao chão e pontapeado, tendo sofrido lesões na cabeça. O amigo, que sofreu menos ferimentos, ajudou-o a erguer-se e tentaram regressar a casa, até que Quentin ficou inconsciente e teve de ser levado de urgência para o hospital.

“Levou uma forte pancada na cabeça; quando se levantou, tinha uma espécie de bolsa de sangue na cabeça. Os bombeiros tentaram reanimá-lo. Ele encontra-se agora em estado de morte cerebral”, frisou Alice Cordier.

Por sua vez o Ministério Público de Lyon adiantou, segundo a BFMTV, que “foi imediatamente aberta uma investigação (…) por violência agravada” e que tentará apurar-se “o contexto e as circunstâncias destes factos”.

https://twitter.com/RimaHas/status/2022352277210558942

Entretanto, Rima Hassan já veio manifestar através das redes sociais o seu repúdio pelo episódio de violência registado no exterior do local onde realizou uma conferência e defendeu uma investigação profunda aos “factos extremamente graves e inaceitáveis” ocorridos na última noite em Lyon.

Fiquei horrorizada ao saber dos acontecimentos envolvendo o jovem Quentin, que se encontra entre a vida e a morte após um confronto ocorrido ontem em Lyon entre militantes antifascistas e militantes identitários, presentes ao lado do coletivo de extrema-direita Némésis, que vieram perturbar a conferência para a qual fui convidada a participar pelos estudantes”, lê-se na publicação efetuada na rede social X.

“Em todas as minhas viagens, o único serviço de segurança com o qual colaboro e que me acompanha é o da França Insubmissa, que nunca recorre à violência e que não está, de forma alguma, envolvido nestes confrontos. Uma investigação deve esclarecer as circunstâncias desses factos extremamente graves e inaceitáveis, que condeno veementemente. Os responsáveis por essa violência devem prestar contas o mais rápido possível para que seja feita justiça”, concluiu.

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