É uma “mudança de regras repentina, míope e arbitrária”, queixa-se ao The Guardian uma mulher britânica que vive na Alemanha há anos e tem dupla nacionalidade, referindo-se a uma medida que poderá impedir britânicos com dupla nacionalidade de entrar no país, a partir de 25 de fevereiro, se estes não tiverem um certificado de elegibilidade, que custa 589 libras (677 euros, aproximadamente), ou um passaporte britânico.
A mesma mulher sente-se “tratada com uma moeda de troca do Brexit, mais uma vez”, depois de uma alteração nos controlos fronteiriços a partir desse dia, que estabelece que todos os que viajarem para o Reino Unido precisam dessa autorização para viajar, a menos que sejam cidadãos britânicos ou irlandeses ou estejam isentos por algum outro motivo específico. E diz ao jornal temer que a decisão afete os seus filhos, também eles com dupla nacionalidade, além de considerar que se está a exigir um “luxo” desnecessário a várias famílias que podem não ter como pagar.
O governo do Reino Unido lançou um guia no qual explicava que, até dia 24 de fevereiro, “se for cidadão britânico com dupla nacionalidade e possuir um passaporte válido para uma das nacionalidades que podem obter uma ETA [autorização de viagem eletrónica], deverá ter permissão para embarcar em transportes para o Reino Unido normalmente, sem a necessidade de uma ETA”.
No entanto, se a viagem for a partir de 25 de fevereiro, o cidadão “poderá não conseguir embarcar no transporte para o Reino Unido sem um documento válido” e “precisará de passar por verificações de identidade adicionais para comprovar a sua cidadania antes de poder passar pelo controlo de passaportes do Reino Unido”.
Além disso, conta o jornal, existem questões legais que podem dificultar que um cidadão tenha passaporte. Julie, que pediu para não divulgar o apelido, explica que o passaporte britânico não é uma opção viável devido à rigidez das leis de nacionalidade em Espanha. Ao naturalizar-se espanhola pós-Brexit para garantir os seus direitos na UE, foi legalmente obrigada a renunciar à cidadania britânica; como tal, apresentar um passaporte do Reino Unido na fronteira constituiria uma prova de que mantém o vínculo anterior, colocando-a em risco imediato de perder a nacionalidade espanhola e a residência que construiu ao longo dos 30 anos.
James, um italo-britânico nascido e criado em Londres, conta ao mesmo jornal que reservou uma viagem de trabalho para Nova Iorque para esta sexta-feira e relata que, pelo facto de haver muitos pedidos junto do Ministério da Administração Interna há um atraso na emissão e envio do documento. “Vi-me obrigado viajar em cima da hora e agora enfrento a possibilidade de não me permitirem voltar”, confessou. Neste caso, pedir um passaporte de urgência custar-lhe-á 222 libras (cerca de 255 euros), de acordo com os preços estabelecidos pelo governo britânico.
O Ministério da Administração Interna do Reino Unido alega que esta medida faz parte de um programa de digitalização para possibilitar uma “experiência de viagem perfeita”, além de dar ao governo “maior poder para impedir que pessoas que representam uma ameaça entrem no país e nos dar uma visão mais completa da imigração”.
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