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Brisa assume já custo de reparar autoestrada A1. "Não estamos a discutir com ninguém quem paga", diz Pires de Lima

Brisa "não está a discutir com ninguém" quem suporta os custos de reparação da autoestrada que colapsou no Mondego. Vai assumir custo. Autoestrada A1 mantém portagens, com exceção do troço cortado.

Ana Suspiro
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A Brisa vai assumir o custo imediato da reparação da autoestrada A1 depois do colapso de uma parte da plataforma devido à rotura de um dique do rio Mondego. Em resposta ao Observador, fonte oficial da concessionária diz que a “Brisa decretou o início da obra e assume o seu custo imediato. Estamos focados em recuperar a infraestrutura e retomar o seu funcionamento o mais rapidamente possível”.

A empresa assinala que tem contratado “um pacote de seguros vasto, afeto à infraestrutura”, considerando que ainda “é cedo para avaliar o nível de exposição ou de ativação de necessidades”.

Nas perguntas enviadas, o Observador quis também saber se poderia haver lugar a um pedido de compensação ou reequilíbrio financeiro da concessão por causa deste evento, mas não houve uma resposta concreta a esse tema. A Brisa indica ainda que “neste momento a nossa preocupação são as pessoas e as comunidades que as nossas vias servem.”

Esta posição foi aliás sublinhada pelo presidente da Brisa, em entrevista à SIC Notícias esta quinta-feira à noite. “Não estamos a discutir com ninguém quem paga”, afirmou António Pires de Lima que assinalou que a obra terá que ser assegurada através de procedimentos de transparência, o que significa lançar concursos públicos para a empreitada.

Não existe uma estimativa pública de quanto custará a reparação e ainda não é possível calendarizar os trabalhos — porque é preciso esperar que o rio Mondego retome o seu curso normal. O presidente da Brisa admite que a intervenção para repor a operação pode demorar algumas semanas, como já tinha sido sinalizado pelo ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz. “Espero que não sejam meses”, acrescenta Pires de Lima.

Quanto às portagens nesta autoestrada, só “não há pagamento correspondente ao troço interditado”. A A1 “tem 300 quilómetros de autoestrada e estão encerrados 9 km desta via”, indica ao Observador fonte oficial da concessionária.

Na entrevista à SIC, o presidente da Brisa esclareceu ainda que a A1, a principal autoestrada do país, está a funcionar desde Lisboa até Coimbra Sul, no quilómetro 189 (Coimbra Sul), e desde o Porto até ao quilómetro 198 (Coimbra Norte). “Os acessos a Coimbra estão garantidos”. Há várias alternativas face ao troço fora de circulação, nomeadamente a A17 e a A8 que são mais baratas do que as portagens da A1, ainda que exijam um desvio de 10 a 15 quilómetros. E o IC2.

Ainda sobre a isenção de portagens em vários troços de autoestradas nas regiões mais afetadas pelas tempestades, Pires de Lima argumenta que a empresa tem ido ao encontro das solicitações do Governo. “Não é muito fácil porque temos acionistas de diversas nacionalidades, do Brasil à Coreia do Sul, passando pelos Países Baixos, mas tem sido possível responder aos pedidos do Governo em menos de uma hora”.

No que toca à qualidade da manutenção do troço que colapsou, Pires de Lima explica que o viaduto foi construído no início da década de 1990 no tempo de Edgar Cardoso (reputado engenheiro de infraestruturas). Na altura, a Brisa era uma empresa do Estado. O viaduto foi sujeito a manutenção e a uma obra profunda entre setembro de 2023 e setembro de 2024 e “está impecável“, afirmou, garantindo que “não foi ainda afetado apesar das correntes enormes. O viaduto mantém-se, porque tem tido condições excecionais de manutenção e todas as obras que fizemos de manutenção foram certificadas tecnicamente”. O que ruiu foi a plataforma que assentava num aterro que foi levado pela força das águas na quarta-feira à noite, pela rotura de um dique cuja manutenção, como salientou Pires de Lima, não é feita pela Brisa. O dique “não depende, do ponto de vista de gestão, de uma empresa privada, muito menos da Brisa”.

Os trabalhos de reparação da A1 ainda não estão totalmente identificados. A intervenção no terreno começou na quinta-feira com o depósito de pedras no local do aterro para evitar que a rotura se dilate.

Nos últimos dois dias, indicou a empresa ao final da tarde de sexta-feira, tinham sido depositados mais de oito mil e novecentas toneladas de material pétreo na infraestrutura (enrocamento) no sentido Norte-Sul, de forma a estabilizar os solos sob a laje de transição. Os trabalhos continuam a decorrer de forma contínua envolvendo mais de 70 pessoas. Estes trabalhos, previsivelmente, durarão algumas semanas. O objetivo “nesta fase é garantir a estabilização do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego, na A1, tendo em vista suster a erosão e impedir novos danos nas duas faixas de rodagem”.

As obras estão a ser apoiadas por 33 camiões de transporte de material rochoso, um camião grua, um veículo porta máquinas, duas escavadoras giratórias, um bulldozer e duas minicarregadoras. Estão no terreno equipas técnicas do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e do Ministério das Infraestruturas e Habitação  (MIH).

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