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Investigadores na Alemanha descobrem que bigodes de elefantes são dos mais sofisticados no reino animal

Não são uns pelos vulgares. Chamam-se vibrissas, são resistentes a pancadas e fundamentais para detetar objetos. Com fraca visão, os elefantes dependem muito do tato no seu dia-a-dia.

Manuel Carvalho
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Não se notam facilmente, mas sim, os elefantes têm bigodes. E agora descobriu-se que esses pelos que cobrem a tromba de um elefante estão entre os mais sofisticados e sensíveis do reino animal, conclui uma nova investigação publicada na revista Science.

A equipa de Andrew Schulz, engenheiro mecânico do Instituto de Sistemas Inteligentes de Max Planck, na Alemanha, recorreu a imagens de microscópio, modelos computacionais avançados e a uma “varinha de bigode” impressa em 3D para mostrar como a estrutura dos bigodes dos elefantes permite às trombas detetar movimento, manipular objetos e realizar tarefas complexas.

Este é um exemplo do que os cientistas chamam de “inteligência material”, diz Schulz, que estuda como os animais se movem, ao Washington Post. Embora as vibrissas — nome científico para pelos sensoriais especializados, como os bigodes — sejam estruturas incapazes de se mover independentemente ou de pensarem por si mesmas, as suas características físicas permitem que elas traduzam sinais do ambiente em informações que podem ser transmitidas ao cérebro.

A descoberta pode ajudar profissionais da área da engenharia mecânica a desenvolver sensores de toque melhores e outras ferramentas robóticas, além de ajudar os humanos a entenderem os elefantes, dando-lhes uma ideia do mundo na perspetiva de um elefante, afirma uma coautora do estudo, Lena Kaufmann, neurobióloga da Universidade Humboldt, de Berlim, ao mesmo jornal.

Os elefantes dependem do seu apurado sentido de tato para encontrar comida e detetar ameaças, devido à sua falta de visão. As trombas, cobertas de bigodes, além de os ajudarem nessa função, também poderão ser úteis para comunicarem uns com os outros, diz Kaufmann.

Todos os bigodes são feitos de queratina, a mesma proteína encontrada nos cabelos, garras, cascos, chifres e unhas. Mas, ao contrário dos pelos comuns, os bigodes estão conectados a células chamadas mecanorrecetores, que conseguem detetar quando o bigode toca num objeto. No caso dos elefantes, em oposição aos ratos, quando um dos bigodes se perde, a probabilidade de regeneração é baixa. Ainda assim, as possibilidades de se quebrar são menores, tendo uma estrutura que lhe confere mais flexibilidade nas pontas, como ‘tiras’ de relvas, e que possui múltiplos poros que permitem a absorção de pancadas.

As conclusões publicadas na quinta-feira, dia 12, oferecem a análise mais detalhada alguma vez realizada a um órgão sensorial raramente estudado, afirma Lena Kaufmann. Segundo a investigadora, estes dados representam um avanço significativo no conhecimento da área.