
A frase
“Primeiro caso do vírus Nipah já foi confirmado no Brasil”
— Utilizador de Facebook, 03 de fevereiro de 2026
Está a circular um vídeo na rede social Facebook, amplamente partilhado, que alega que o vírus Nipah — que está a causar preocupação entre as autoridades de saúde na Índia — já chegou ao Brasil. “Primeiro caso do vírus Nipah já foi confirmado no Brasil”, lê-se na legenda do vídeo. Nas imagens, pode ver-se um jornalista do Record News a informar que “foi confirmado o primeiro caso de um brasileiro com a nova variante indiana”.
“Esse passageiro chegou da Índia, desembarcou no aeroporto de Guarulhos, aqui em São Paulo, mas mora no estado Rio de Janeiro”, acrescenta o jornalista.

A Índia tem vindo a registar, desde há algumas semanas a esta parte, infeções esporádicas provocadas pelo vírus Nipah. Há registo de dois casos confirmados e de quase 200 casos suspeitos. O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1998, em explorações de suínos na Malásia, tendo sido detetado na Índia, pela primeira vez, em 2001.
Transmitido a humanos por animais, através de alimentos contaminados ou pelo contacto com uma pessoa infetada, pode gerar uma infeção assintomática. No entanto, nos casos sintomáticos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que atinja uma mortalidade entre os 40 e os 75%.
No entanto, o vídeo partilhado no Facebook não se refere à deteção do primeiro caso de vírus Nipah no Brasil, país onde não há registo conhecido de qualquer pessoa infetada. O vídeo em causa não é recente — data de maio de 2021, disponível na página de Facebook da Record News— e refere-se ao primeiro caso conhecido de infeção pela variante indiana do Covid-19 no Brasil, a B.1.617.
Num comunicado, de 9 de fevereiro, o Ministério da Saúde do Brasil esclareceu que não foram detetados quaisquer casos de infeção por Nipah no país e sublinhou que “não há qualquer indicação de risco para a população brasileira”. A própria OMS já tinha classificado o risco do Nipah para a população mundial como baixo.
Conclusão
O vírus Nipah não chegou ao Brasil. O Ministério da Saúde do país desmentiu publicamente as alegações que circulam nas redes sociais e sublinhou que não foi detetado qualquer caso de infeção por aquele vírus no Brasil.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.