“Uma casa feliz.” Assim resume Mafalda Patrício o estilo do seu apartamento em Lisboa, a dois passos do rio Tejo. As cores, os materiais e os padrões escolhidos (e misturados) criam uma atmosfera acolhedora e dão pistas sobre a licenciatura em Design – “Ficou-me esse olhar”, diz. Com mais de 215 mil seguidores no Instagram e várias colaborações na área da moda, a influenciadora de 32 anos diverte-se a decorar a própria casa e deixa transparecer também nos interiores o seu estilo pessoal: colorido e maximalista, marcado por sobreposições e combinações improváveis.
A mudança para este apartamento deu-se três dias antes do nascimento de Baltazar, o filho de um ano e meio, e por isso a decoração tem sido um projeto em desenvolvimento. “Só agora é que sinto que está mais composta, mais casa”, diz Mafalda. Isto apesar de algumas das suas peças favoritas já terem sido sacrificadas às mãos do filho. “Foi quando comecei a tornar esta casa mais à prova de bebé”, explica, recordando o episódio de um candeeiro partido.
Amplo e cheio de luz, o apartamento desenrola-se a partir do corredor em U, que dá acesso a todas as divisões. De um lado ficam as áreas sociais – a sala de estar aberta para a sala de jantar, juntamente com a cozinha, separada apenas por um móvel alto e utilitário –, e do outro os três quartos. Um deles é partilhado com o marido (Diogo Appleton), outro foi ocupado pelo ofício de Mafalda e funciona como um grande closet, preenchido do chão ao teto com roupas, sapatos e acessórios de moda – “um caos organizado”, brinca. No corredor, o espelho ondulado que muitos reconhecerão e onde tira uma fotografia por dia, foi desenhado pelo sueco Gustaf Westman e é uma das suas peças preferidas.
O objeto mais antigo que tenho
Um candeeiro Ingo Maurer, que veio de casa da minha avó. Estava no quarto que era do meu pai e desde sempre o adorei. Quando percebi que não cabia nesta estante em pé, fiquei furiosa. Mas acho que funciona muito bem assim deitado.

A última coisa que comprei
Um candeeiro da Flos. Andava a namorá-lo na Paris:Sete há imenso tempo – já desde a minha última casa, onde não tinha sítio para o pôr. Aqui ficou perfeito, e chegou na altura certa, porque faltava luz na sala de jantar.

O melhor presente que recebi
O quadro do Pedro Batista, inspirado numa fotografia do Slim Aarons. Foi o Diogo que mo ofereceu quando fiz 28 anos, já me acompanha há três casas e continuo a adorá-lo.

Uma coleção que tenho e adoro
Não coleciono rigorosamente nada… Mas, pensando bem, tenho muita loiça. Gosto de fazer mesas diferentes, por isso tenho vários serviços. Cá em casa devem ser uns dez, em casa dos meus pais estão mais dois, porque já não cabem aqui. Afinal sempre tenho uma coleção.

A peça de casa mais elogiada
Ainda que não perceba porquê, são as cadeiras da sala de jantar. Sempre que ponho uma fotografia delas, recebo dezenas de mensagens. Comprei-as em madeira natural, na La Redoute, já com a intenção de as pintar neste tom bordeaux. São um fenómeno.

Um artista que admiro
Gustaf Westman, um designer sueco incrível, que faz objetos coloridos e divertidos. Neste espelho que lhe comprei, tiro uma selfie todos os dias – é quase uma ferramenta de trabalho. É uma das peças mais icónicas que ele fez. Tenho-o no corredor porque não cabe bem em mais lado nenhum – é enorme!

O meu lugar favorito em casa
O quarto. É o meu espaço, o mais privado, o que me transmite mais calma – apesar da cor folclórica da colcha. Passo mais tempo aqui à noite, depois de jantar, a ver filmes… Hoje em dia, por causa do Baltazar, um pouco menos do que gostaria.

Uma peça que criei
O quadro que tenho em cima da estante, que fiz ainda para a nossa outra casa, simplesmente porque precisava de encher as paredes. Tínhamos uma sessão fotográfica marcada e eu continuava sem quadro na sala… Escolhi uma coisa simples, que eu conseguisse fazer, e neutra para equilibrar o ambiente, que já era muito colorido. Entretanto acho que me afeiçoei.

Um livro essencial na minha biblioteca
Images, publicado pela JACQUEMUS. É um livro só de fotografias, todas tiradas por Simon Porte Jacquemus, com o iPhone. Das 85041 fotografias que tinha no telemóvel, o designer selecionou 321. Umas são mais pessoais, outras são o olhar dele sobre Marselha… São fotografias icónicas.

Um souvenir
O móbile da Volta, comprado no Palais de Tóquio, em 2021. Foi uma das primeiras viagens com o Diogo. Fomos passar um fim de semana a Paris, para celebrar um ano de namoro. Estávamos a viver juntos há uns meses e ainda andávamos a decorar a casa. Na altura era uma coisa mesmo diferente, que não se via em todo o lado.

Um ritual
Cozinhar com calma na minha cozinha. Adoro esse momento, em que sirvo uma bebida só para mim. É curioso que posso ficar o dia todo quase sem comer, mas não passo sem um jantar a sério, e dou-me ao trabalho de ir cozinhar exatamente aquilo com que andei a sonhar o dia inteiro. Posso dizer que cozinho bastante bem e que a minha especialidade é gastronomia italiana.

Este artigo foi originalmente publicado no n.º28 da revista Observador Lifestyle, lançada em junho de 2025.