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O chefe das Forças Armadas alemãs, Carsten Breuer, pretende preparar a Alemanha para um eventual conflito com a Rússia e avisa que “o tempo está a esgotar-se”. Durante uma visita à Lituânia, onde Berlim está a posicionar tropas, o general afirmou, citado pelo WallStreetJournal, que o país (e o continente) tem de “estar pronto” para qualquer adversidade, uma vez que os serviços secretos indicam que, dentro de três anos, Moscovo poderá ter capacidade militar suficiente para alargar a guerra na Ucrânia à Europa. Um ataque de menor escala, admitiu, pode acontecer a “qualquer momento”.
Num posto de comando improvisado numa cidade portuária do Báltico, Breuer — que iniciou a carreira militar em 1984 e passou por missões no Kosovo e no Afeganistão — passou uma mensagem clara do que quer da brigada: treinar como se fosse para combater, ou seja, “Kriegstüchtig” ( que significa estar pronto para a guerra).
Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, as forças alemãs estão destacadas de forma permanente no estrangeiro. A 45ª Brigada Panzer, com cerca de cinco mil militares presentes no flanco leste da NATO, deverá esta totalmente operacional no final do próximo ano.
A despesa alemã com a defesa também aumentou significativamente nos últimos meses e, em dezembro, o parlamento aprovou uma lei que obriga os jovens de 18 anos a preencherem um questionário sobre serviço militar e, a partir de 2027, realizarem exames médicos de aptidão. O objetivo é atrair recrutas militares, já que o número de alistados está em queda desde o fim do serviço militar obrigatório, em 2011. As Forças Armadas contam, atualmente, com cerca de 184 mil militares. O plano é reforçar destacamento em 20 mil homens este ano e alcançar mais 60 mil até 2035.
https://observador.pt/2025/12/05/alemanha-aprova-plano-para-aumentar-recrutas-militares-e-abre-porta-a-servico-obrigatorio/
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, indicou, entretanto, Breuer para presidir ao comité militar da NATO, o mais importante órgão de política militar da organização. Se esta nomeação for confirmada, o general tornar-se-á o principal conselheiro militar do secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, e Berlim assumirá um papel central nesta reconfiguração estratégica.
Breuer descreveu, de acordo com o mesmo jornal, o panorama internacional atual como um limbo: ainda não há guerra, mas também não há paz. Têm-se multiplicado, nos últimos tempos, intrusões de drones, ataques cibernéticos e atos de sabotagem em infraestruturas europeias. Perante este cenário, o general alemão pretende ter três divisões militares totalmente equipadas e prontas para combate até 2032.
Para alcançar esse objetivo, a Alemanha está a acelerar a cooperação com a indústria de defesa e a descentralizar decisões, permitindo que comandantes no terreno adquiram equipamentos, como drones, para treino e experimentação. “No futuro, cada soldado terá de ser também piloto de drone“, defendeu.
Breuer institiu, por fim, que o objetivo desta preparação não é promover a guerra: é evitar que um conflito volte a devastar a Europa. “É nosso dever garantir que isso nunca mais aconteça”, concluiu.
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