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Eleições? Zelensky garante que Ucrânia está "pronta" e diz que "ninguém se está a agarrar ao poder"

Líder ucraniano disse, em entrevista, que apoia as propostas de paz dos EUA para pôr fim à guerra e que está pronto para eleições ou referendo desde que "não seja prejudicial aos interesses do país".

Manuel Nobre Monteiro
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O Presidente da Ucrânia afirmou, esta quinta-feira, que o país tem apoiado as propostas de paz dos Estados Unidos para pôr fim à guerra com a Rússia. Segundo Volodymyr Zelensky, em entrevista à revista The Atlantic, Kiev está também aberta a realizar uma eleição presidencial ou um referendo, mas não um acordo que seja “prejudicial para os interesses da Ucrânia”.

A Ucrânia “não tem medo de nada. Estamos prontos para as eleições? Estamos. Estamos prontos para um referendo? Estamos”, sublinhou, apontando que “ninguém se está a agarrar ao poder”.

Mas, para isso, insistiu Zelensky, a Ucrânia precisa de “segurança, garantias de segurança, um cessar-fogo“, realçando que não se devia propor “um mau acordo num referendo”.

As garantias de segurança são um dos principais temas nas discussões trilaterais em curso entre os negociadores de Kiev, Moscovo e Washington, juntamente com o futuro dos territórios ucranianos reivindicados pela Rússia.

Na quarta-feira, Zelensky já tinha reiterado que para se realizarem eleições tinha de existir primeiro um cessar-fogo e todas as garantias de segurança necessárias tinham de estar em vigor. O chefe de Estado ucraniano reconheceu que o tema das eleições presidenciais é levantado por alguns dos parceiros de Kiev, sobretudo pelos Estados Unidos, mas que a própria Ucrânia nunca o tinha abordado.

https://observador.pt/2026/02/11/zelensky-condiciona-eleicoes-a-cessar-fogo-e-garantias-de-seguranca-e-nega-ter-planos-para-votacoes-ate-maio/

O Presidente ucraniano comentou, ainda, a demissão de Andriy Yermak do cargo de chefe do gabinete presidencial, afirmando que a decisão não esteve relacionada com a investigação de corrupção ou as buscas na casa de Yermak.

“Durante anos, Zelensky resistiu à pressão do Governo dos Estado Unidos e de muitos dos seus aliados mais próximos na Ucrânia para demitir o seu chefe de gabinete, Andriy Yermak, que atuava como principal negociador da Ucrânia. E apenas no dias das buscas é que o Presidente concordou em demiti-lo…”, contextualizou o jornalista, ao que o líder ucraniano apenas respondeu: “Eu tinha os meus motivos“.

Zelensky vê fim da guerra como uma “vitória” para Donald Trump

O Presidente ucraniano disse, ainda, que a maior vitória para o homólogo norte-americano, Donald Trump, seria “parar a guerra” que começou em 2022

“Acredito que não haveria maior vitória para Trump do que travar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia”, afirmou, acrescentando que a situação mais vantajosa para o líder norte-americano seria alcançar o fim do conflito antes das eleições intercalares dos Estados Unidos, que se realizam em novembro.

“Sim, ele quer menos mortes. Mas, falando como adultos, seria uma vitória para ele, uma vitória política“, argumentou Zelensku, referindo-se ao que disse ser impacto positivo para Trump e para o Partido Republicano caso seja alcançado um acordo entre Kiev e Moscovo para pôr fim ao conflito.

O chefe de Estado ucraniano explicou que a tática das autoridades de Kiev é impedir que os norte-americanos pensem que a Ucrânia quer continuar a guerra.