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(A) :: Montenegro anuncia "plano português de recuperação e resiliência" para reconstrução após as tempestades

Montenegro anuncia "plano português de recuperação e resiliência" para reconstrução após as tempestades

Montenegro já deu instruções aos ministros para prepararem PRR português para os próximos anos. E deixou avisos aos seguros: peritagens e apoios têm de ser imediatos.

Mariana Lima Cunha
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Em vez de um PRR, um “PTRR”. À semelhança do que aconteceu após a pandemia, o Governo acredita que depois dos efeitos dos temporais em Portugal será preciso adotar um plano — agora nacional, e não europeu — de “recuperação e resiliência” para os próximos anos. E Luís Montenegro já deu instruções aos seus ministros para que comecem a trabalhar na sua preparação.

Saído do Conselho de Ministros desta quinta-feira, no final do qual não houve declarações, Luís Montenegro dirigiu-se sem aviso prévio a Alcácer do Sal acompanhado pela ministra do Ambiente, Maria Graça Carvalho, para acompanhar os trabalhos de recuperação no terreno. E foi ali que revelou que, apesar de não ser ainda o dia certo para anunciar ao país o “plano para os próximos anos”, nesta reunião do Governo já houve uma “reflexão aprofundada”, tendo dado orientações a todos os ministros para “projetar um grande programa de recuperação e resiliência para Portugal para chegarmos a todo o território”.

“Ninguém vai ser esquecido” garantiu, assegurando que vai ser posta em marcha uma resposta nacional para um problema que “afetou todo o território”, em resposta aos locais cuja inclusão nos territórios em estado de calamidade vai sendo pedida.

“Teremos um PTRR — programa de recuperação e resiliência exclusivamente português — para podermos sair mais fortes e resilientes, recuperados, para revigorarmos o nosso desempenho económico e com atuação sobre as infraestruturas mais básicas, rodoviárias, ferroviárias, de abastecimento elétrico, de água. Temos pela frente um desafio enorme nos próximos anos de podermos recuperar e de nos tornarmos mais resistentes a uma eventual repetição” destes temporais, revelou aos jornalistas.

Em Alcácer, Montenegro foi interpelado por uma lojista que “perdeu tudo” e que pediu ao primeiro-ministro ajuda para perceber a que apoios deveria recorrer, tendo este aproveitado para anunciar que a linha de crédito à tesouraria já teve 3500 pedidos de apoio, num valor total de 700 milhões, e que o seu volume total subirá assim de 500 para mil milhões, decidiu o Conselho de Ministros.

E defendeu a rapidez da resposta, comparando-a com situações anteriores. “Tudo está a ser feito com uma rapidez muito grande, sei que pode parecer um bocadinho difícil de compreender a quem está na dificuldade”, explicou, falando sem especificar de “circunstâncias similares” em que a resposta “demorou mais” para garantir que este Governo está a fazer “o máximo que é possível”. “

“O país tem de se reerguer rapidamente, mesmo que ao mesmo tempo também tenha de continuar vigilante. Sabemos que ainda vamos ter umas horas difíceis”, avisou ainda, alertando que a partir do fim da tarde e toda a noite haverá uma “forte e constante precipitação”, com pressão maior na bacia do Sado e do Tejo, mas também relevante no Mondego, Douro, Minho e Cávado.

Ainda não tinha estado em Alcácer, mas explicou que não só tem tido membros do Governo no terreno como se tem ido “revezando” com o Presidente da República, com quem está em “contacto permanente”, para estarem no máximo de locais possível.

Na mesma visita, o primeiro-ministro lançou ainda avisos aos seguros, lembrando que lhe foi garantido que 80% das peritagens seriam feitas em 15 dias, quando a lojista revelou que o seu estabelecimento ainda não foi alvo de nenhuma peritagem. “O Estado não pode nem deve substituir-se aos seguros. Os seguros têm de assumir a sua responsabilidade. Precisamos de que sejam consequentes porque as pessoas precisam de ajuda agora”. Quanto aos pagamentos bancários a empresas e para reconstrução de casas, já estão a ser feitos, assegurou.