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(A) :: Fact Check. Seguro defendeu que Portugal receba "toda a imigração que nos procura" e que não há mesquitas a mais?

Fact Check. Seguro defendeu que Portugal receba "toda a imigração que nos procura" e que não há mesquitas a mais?

Durante a campanha das presidenciais, uma publicação nas redes sociais atribuiu a António José Seguro uma afirmação sobre imigração que não corresponde ao que o socialista tem dito sobre o tema.

Rita Tavares
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A frase

Sou a favor de recebermos toda a migração que nos procura, pois somos um povo solidário, e não concordo com a ideia de que já há muitas mesquitas

— Utilizador de Facebook, 20 de janeiro de 2026

Uma publicação que surgiu em plena campanha para as presidenciais atribui a António José Seguro uma frase relativa à imigração e a defender a existência de mais mesquitas em Portugal. “Depois não se queixem”, surge na partilha crítica para o socialista que foi eleito Presidente da República.

No texto que acompanha a partilha, este utilizador avisa os que “votarem neste homem” que “daqui a uns anos vão ter de explicar” aos “filhos e neto o motivo de Portugal ser um país dominado pelos muçulmanos”. Responsabiliza a “corja socialista” pelo o que vier a acontecer e partilha a imagem com a suposta citação de Seguro, ao lado da sua imagem: “Afirmo e reafirmo que sou a favor de recebermos toda a migração que nos procura, pois somos um povo solidário e não concordo com a ideia de que já há muitas mesquitas, pois muitos crentes dessas religiões precisam dos seus lugares de culto.”

Não há nenhum registo público, em fontes fiáveis (intervenções públicas, entrevistas, notícias em órgãos de comunicação social de referência) de uma declaração de Seguro como a que consta nesta publicação. A questão da imigração tem sido abordada pelo socialista nos últimos meses, mas nunca se referiu a ela nestes termos. A posição de António José Seguro é de meio termo, nesta matéria, considerando que o país precisa de imigrantes, mas que a sua entrada tem de ser “organizada” e “controlada”.

Numa entrevista à SIC, no final do ano passado, Seguro admitiu que o país precisa de imigrantes não só para o “rejuvenescimento da sua base demográfica”, como também para ajudar ao desenvolvimento da economia, mas essa imigração tem de ser organizada, tem de ser controlada. Este é o meu princípio”. O então candidato presidencial também disse que “nessa organização há diferentes fases: como é que se entra e como se faz o acolhimento e a integração”. Na mesma entrevista fala na sua experiência de contacto com “portugueses que vivem fora” para dizer que viu “como essa integração foi possível. Agora, quem vem para o país tem de cumprir as regras do país e as regras são as leis da República e a Constituição”.

Quando o Parlamento debatia a lei dos estrangeiros, António José Seguro admitiu, também em entrevista, que promulgaria a segunda versão da lei por considerar que “é fundamental disciplinar” a imigração “para que o país cresça economicamente”. Distanciava-se, nessa altura, da discussão sobre o uso da burca, considerando que não é uma questão prioritária no país. Não há registos de posições do socialista sobre locais de culto, como mesquitas, tal como as que são referidas na publicação em análise.

Durante a campanha, sobretudo na segunda volta quando precisava de destacar as diferenças face ao adversário André Ventura, António José Seguro repetiu várias vezes a ideia de ter a intenção de ser o “Presidente de todos os portugueses”, afirmando que “não existem portugueses de primeira e de segunda”. A frase serviu em vários contextos: quando falava da distância entre interior e litoral do país, mas também para contrapor à “divisão” no país que sempre acusou Ventura de promover com um discurso anti-imigração, por exemplo.

Conclusão

Não há registo de António José Seguro ter defendido que Portugal deve receber “toda a imigração” que o procura, nem que o Presidente eleito tenha dito que “não há mesquitas a mais”. A posição de Seguro sobre a imigração foi exposta no decorrer da campanha eleitoral, por várias vezes, e passa por um acolhimento “humanista”, mas “controlado” e que exija respeito pela legislação nacional. O socialista defende que a imigração é necessária, por questões demográficas e económicas, mas ao mesmo tempo diz que deve ser “regulada”.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.