(c) 2023 am|dev

(A) :: Fact Check. Primeiro-ministro da Noruega responde a carta de Trump a corrigir os erros do Presidente norte-americano?

Fact Check. Primeiro-ministro da Noruega responde a carta de Trump a corrigir os erros do Presidente norte-americano?

PM da Noruega teria respondido à carta que recebeu de Trump (que se queixou de não ter vencido Nobel da Paz) e teria feito correções ao estilo, gramática e argumentos do líder dos EUA. Será verdade?

José Carlos Duarte
text

A frase

O presidente dos Estados Unidos escreveu uma carta para o primeiro ministro da Noruega mas a resposta deixou muita gente andando sobre os farrapos de surpresas sem fim. Em vez de responder à carta, o norueguês decidiu focar-se na gramática e na precisão mecânica da carta

— Utilizador de Facebook, 27 de janeiro de 2026

Foi uma carta que causou surpresa na comunidade internacional. Dirigida ao primeiro-ministro da Noruega Jonas Gahr Støre, o Presidente norte-americano, Donald Trump, queixava-se do facto de não ter recebido o Prémio Nobel da Paz e como, por causa disso, já não se sentia obrigado a pensar “puramente na paz”. O facto de não ter vencido o galardão seria um motivo para redobrar a ofensiva diplomática contra a Gronelândia, um território que pertence à Dinamarca, mas que faz parte do Norte da Europa.

O primeiro-ministro norueguês respondeu à carta e às alegações que foram feitas contra Oslo, confirmando a veracidade da carta que recebeu. Na missiva, Donald Trump queixou-se de que a Noruega não lhe atribuiu o Nobel da Paz, sendo que Jonas Gahr Støre voltou a explicar, num comunicado, que “o prémio é atribuído por um independente Comité Nobel e não o governo norueguês”.

Mas Jonas Gahr Støre teria ido além desse simples comunicado, segundo se alega nas redes sociais. O primeiro-ministro teria, à semelhança de um professor, feito correções à carta e teria dado uma nota: D- (uma espécie de insuficiente). “Em vez de responder à carta, o norueguês decidiu focar-se na gramática e na precisão mecânica da carta. Ele demorou o seu tempo para delinear os erros, linha por linha”, escreveram vários utilizadores nas redes sociais.

https://observador.pt/2026/01/19/gronelandia-como-nao-recebeu-nobel-trump-diz-que-ja-nao-tem-obrigacao-de-pensar-exclusivamente-na-paz/

Algumas dessas correções que se veem na alegada carta alterada por Jonas Gahr Støre incluem a substituição de “querido Jonas” para “senhor primeiro-ministro”, reparos gramaticais, de estilo e até geopolíticos — como quando Donald Trump alega, na carta original, que terminou oito guerras: “O argumento pode precisar de mais exemplos”.

Apesar de poder ter sido uma jogada inteligente para responder a Donald Trump, não é verdade que Jonas Gahr Støre tenha corrigido os erros do Presidente norte-americano. Na NATO, a atitude tem sido a de não confrontar diretamente o líder dos Estados Unidos e manter alguma cordialidade, principalmente durante a escalada mais recente por causa da Gronelândia.

Além disso, não há qualquer registo oficial de que o primeiro-ministro norueguês tenha feito estas correções à carta de Donald Trump. Trata-se antes de uma sátira, como reconhecem várias páginas nas redes sociais que também a partilham, como fez o escritor norte-americano Mark Richard Beaulieu.

Conclusão

O primeiro-ministro da Noruega não corrigiu a carta em que Donald Trump reclamava por não ter vencido o Prémio Nobel da Paz. Não existe qualquer prova de que Jonas Gahr Støre o tenha feito — e seria encarado como uma provocação ao Presidente norte-americano, atitudes que os líderes europeus têm evitado ao lidar com o chefe de Estado. A correção do documento que se vê nas redes sociais é uma sátira, como admitem alguns utilizadores, como o escritor Mark Richard Beaulieu.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.