Pedi a cinco sistemas de inteligência artificial – ChatGPT, Gemini, Grok, Perplexity e Copilot – que ordenassem diesel, eletricidade e hidrogénio por quota de mercado futura. O resultado parece consensual, mas apenas à primeira leitura.
Quatro dos cinco modelos colocam a eletricidade em primeiro lugar e fazem-no pelo mesmo motivo: eficiência energética. Um veículo elétrico aproveita cerca de três vezes mais energia do que um motor de combustão, o que significa menor custo por quilómetro, e os mercados tendem a seguir o custo. Ainda assim, nenhum prevê um mundo totalmente elétrico. O que descrevem não é substituição, mas segmentação: a eletricidade domina onde a mobilidade é previsível – cidade, carros particulares, distribuição e frotas.
O debate verdadeiro começa depois, na segunda posição. Aqui surge algo mais interessante do que a vitória do elétrico: quase todas mantêm o diesel. ChatGPT, Gemini, Perplexity e Copilot concordam numa conclusão pouco popular – o motor de combustão não desaparece, adapta-se. A razão repete-se: trabalho pesado contínuo. Camiões de longo curso, maquinaria, agricultura e operações intensivas penalizam demasiado peso, autonomia e tempo de carga das baterias. Onde parar custa dinheiro, a densidade energética continua a mandar. A diferença está apenas na origem do combustível, que passa a ser sintético, renovável ou misturado, mas continua líquido.
Há uma exceção. O Grok coloca o diesel acima do elétrico em 2040, não por tecnologia, mas por sociologia. Mesmo com vendas rápidas de elétricos, a frota mundial demora décadas a desaparecer. O mundo físico muda mais devagar do que a inovação e é a única previsão onde a inércia vence a eficiência.
No hidrogénio existe unanimidade. Nenhum sistema o vê como dominante no transporte rodoviário e todos o colocam em terceiro lugar, limitado a nichos onde a bateria não chega e o custo é secundário. Vários acrescentam ainda que dificilmente terá relevância em carros particulares.
O consenso superficial – elétrico ganha, hidrogénio perde – esconde afinal duas visões do futuro: uma assume que a tecnologia transforma rapidamente o mercado, outra que o mercado demora décadas a adaptar-se. Não é apenas uma discussão energética, é uma discussão sobre tempo.
No fundo, nenhuma inteligência artificial prevê uma revolução, mas sim uma reorganização silenciosa em que cada energia ocupa o espaço onde funciona melhor: cidade elétrica, trabalho pesado líquido e aplicações limite em hidrogénio. Talvez a pergunta nunca tenha sido qual energia vence, mas se o mundo muda depressa o suficiente para existir apenas uma vencedora.