Os quatro saem encasacados do prédio, enquanto um enxame de jornalistas os espera, à porta. António José Seguro fica para trás, para dar passagem à mulher, Margarida, à filha, Maria, e ao filho, António. Sabem há poucas horas que o marido e pai vai mesmo ser Presidente da República e avançam juntos, a pé, num pequeno percurso até ao Centro Cultural das Caldas da Rainha, Presidente-eleito e a mulher sempre de mãos dadas. Um jornalista pergunta a Margarida Maldonado Freitas se está preparada para ser primeira dama ou se evita o título. Não foge à pergunta. “Não há primeiras damas no nosso país”, sorri, “portanto… eu acompanharei o meu marido, mas não há primeiras damas”.
A conversa acontece a minutos de Seguro fazer o primeiro discurso como Presidente-eleito, ali, na terra onde passou a morar depois do casamento com a mulher, há 25 anos. E é tecnicamente verdade o que Maldonado Freitas diz: em Portugal, a figura formal da primeira dama não existe. Ainda assim, há um “mas”, ou vários, na história da democracia portuguesa: várias das mulheres que lhe antecederam neste quase-cargo simbólico agarraram-no e tornaram-se figuras relevantes no país, aproveitando para dar visibilidade a causas específicas (quase sempre relacionadas com as áreas sociais) e trabalhando até num gabinete próprio.
Manuela Eanes ‘inventou’ o cargo de primeira-dama em democracia, participou em campanhas políticas, trabalhou num gabinete improvisado e pelo meio deu uma (grande) ajuda na decoração do Palácio de Belém. Maria Barroso, como a sua antecessora, não gostava do título, mas promoveu causas próprias, acompanhou frequentemente o marido e até cultivou amizades com figuras internacionais (como a antiga rainha Sofia, de Espanha).
Maria José Ritta passou a ter um gabinete oficial, rejeitou ter um “papel decorativo” e participou na criação da Fundação Gil. Maria Cavaco Silva foi uma figura muito visível ao lado do marido, trabalhou ativamente nas causas pelas pessoas com deficiência e tornou possível o acesso a Belém em cadeira de rodas.
Qual será a marca de Margarida Maldonado Freitas? Para já, discreta, mas deixando uma mensagem clara: é uma mulher “com vida própria e uma empresária independente”, como resumiu Seguro na mesma noite, prometendo “respeitar” sempre o que forem as suas decisões. A própria diz “esperar” poder continuar a sua vida profissional, mesmo com o marido na Presidência. E, até ver, a ideia é que acompanhe Seguro “quando as exigências de Estado o exigirem”.
O Observador perguntou à assessoria de Seguro quais serão essas circunstâncias, não tendo obtido resposta até à publicação deste artigo, mas poderá tratar-se dos casos em que o Presidente faz visitas de Estado ao estrangeiro e o seu homólogo se faz acompanhar pelo cônjuge — nesse caso, é costume que o Presidente também apareça acompanhado, embora nos últimos dez anos, nos mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa, a figura da primeira dama tenha desaparecido.

A discoteca onde tudo começou e o trabalho nas farmácias
Margarida Maldonado Freitas e António José Seguro têm 52 e 63 anos de idade e já passaram mais de metade da vida juntos: conheceram-se há 32, na clássica discoteca Pessidónio, na Figueira da Foz, corria o ano de 1994. Era dia de festa: estava a decorrer o congresso da JS em que Sérgio Sousa Pinto sucederia a António José Seguro na liderança dos jovens socialistas e Seguro estava “animado”. Ora, no meio daquele ambiente “descontraído”, até decidiu subir a uma coluna para dançar. Estava entre amigos.
Um desses amigos era o também socialista António Galamba, que viria a ser seu padrinho de casamento, e que foi o responsável por lhe apresentar Margarida, uma jovem socialista vinda de uma família com longa tradição republicana nas Caldas da Rainha e com pergaminhos no partido, ou não fosse o seu bisavô próximo do pai de Mário Soares. O casal namorou durante sete anos e casou-se a 1 de setembro de 2001, uma data que continuam a comemorar anualmente, num convívio com amigos em Porto Covo, onde a família também gosta de passar férias.
A história da família da próxima “primeira dama” tem sido recordada para contar mais sobre a própria: à Sábado, o histórico socialista Vítor Ramalho recordava que os Maldonado Freitas são uma família de republicanos envolvidos na luta antifascista, que se dedicou ao negócio das farmácias e manteve ligações ao PS. “O pai de Mário Soares tinha uma relação muito próxima com o Custódio Maldonado Freitas, o bisavô da Margarida. Estavam unidos pelo anticlericalismo e pelo republicanismo”, contava Ramalho, explicando a estadia de Mário Soares na casa dos bisavós de Margarida enquanto o pai, João Lopes Soares, estava preso: “Quando esteve preso nos Açores, ficaram com o Mário um ano em casa, nas Caldas da Rainha”.
Entretanto, o pai de Margarida, também de seu nome Custódio Maldonado Freitas, fez parte da concelhia do PS das Caldas e foi deputado. Margarida integrou listas da concelhia em lugares de pouco destaque, não tendo feito da atividade política a sua principal prioridade. Licenciou-se em Ciências Farmacêuticas e especializou-se em Análises Clínicas pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.
Depois, dedicou-se à vida profissional: passou a gerir e a ser diretora técnica de duas farmácias da família, das quais é proprietária (uma delas serviu de sede de campanha a Seguro), e fez parte da Associação Nacional de Farmácias. No registo de interesses de Seguro no Parlamento, ainda é possível ler a sua declaração de interesses, que teve de incluir a atividade da mulher, já que debatia interesses do setor farmacêutico: “Minha mulher é proprietária de duas farmácias e detém a gestão de uma terceira”.
Nesta fase, a mulher de Seguro apareceu de forma pontual na campanha, sempre discreta, contrastando com figuras como Sofia Marques Mendes, que acompanhou o candidato apoiado pelo PSD de forma constante e até chegou a fazer um breve discurso num dos almoços de campanha. Mas na noite eleitoral os apoiantes que estavam no Centro Cultural das Caldas da Rainha não resistiram a lançar um cântico (“Mar-ga-ri-da!”), provocando o sorriso tímido da primeira dama que não o quer ser.
Falando sobre a mulher, Seguro destacou precisamente a sua discrição: “É uma mulher discreta, mas sempre presente e solidária”, descreveu-a no livro Um de Nós, de Rui Gomes. “A minha mulher é muito bonita, por dentro e por fora. Apaixonámo-nos à primeira vista e, passados umas semanas, estávamos a namorar. Somos diferentes, mas completamo-nos bem”.
Depois disso, Seguro mudou-se para as Caldas e disse ao Jornal das Caldas que hoje tem uma “ligação natural” à cidade — foi também ali que apresentou a sua candidatura presidencial — e que seria “incapaz” de sair dali: “É aqui que eu gosto de estar, onde tenho amigos e locais onde gosto de ir”, explicou (gosta de passear no Parque D. Carlos I e na Foz do Arelho). Quando se casaram, ainda ficaram a morar na casa da família de Margarida, tendo Seguro chegado a tornar-se amigo do seu pai (com quem partilhava o dia de aniversário, 11 de março).
“As minhas convicções e valores foram adquiridas em Penamacor, pela educação que os meus pais me deram, mas a convivência com a família Maldonado Freitas reforçou esses valores de solidariedade”, acrescentou Seguro ao mesmo jornal.
A intenção da caldense Margarida será agora a de manter a vida profissional, e ambos querem manter a vida pessoal como está, dentro do possível: a ideia é continuarem a viver nas Caldas da Rainha, onde Margarida continuará a trabalhar, e Seguro só dormirá em Lisboa (na residência oficial, em Belém) quando houver necessidade disso. A mulher de Seguro não tenciona fazer uso do gabinete de trabalho que a lei coloca à sua disposição, junto da Casa Civil da Presidência da República.
Com gabinete e lugar no protocolo, mas sem cargo
Na Constituição portuguesa, a figura da primeira dama simplesmente não existe. No ordenamento legal existem apenas duas referências à figura do cônjuge do/a Presidente da República, sendo que a primeira delas é uma alteração que remonta ao mandato de Jorge Sampaio. Foi a partir daqui, em 1996, que passou a estar previsto que junto da Casa Civil funcione um “gabinete de apoio”, “a fim de prestar apoio ao cônjuge do Presidente da República no exercício das atividades oficiais que normalmente desenvolve.
Este gabinete funciona no âmbito da Casa Civil e é composto por dois adjuntos e um secretário, designados de entre o pessoal que compõe a Casa Civil (12 assessores, 4 adjuntos e 15 secretários). O gabinete não tem orçamento próprio e a primeira dama não aufere qualquer tipo de rendimento.
No tempo de Cavaco Silva, o Observador chegou a noticiar que o Presidente tinha nomeado como assessora da mulher a cunhada, Margarida Mealha Santos Silva, referindo então que o gabinete de apoio “nunca teve quaisquer funções ligadas à ação política e constitucional do Presidente da República”, servindo apenas de “apoio às atividades essencialmente de cariz social e cultural da sua mulher, em particular a intensa ação desenvolvida junto das associações de apoio aos deficientes”.
Além disso, a Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português estabelece uma circunstância em que é referido o papel dos cônjuges das “altas entidades públicas”: “Aos cônjuges das altas entidades públicas, ou a quem com elas viva em união de facto, desde que convidados para a cerimónia, é atribuído lugar equiparado às mesmas quando estejam a acompanhá-las”. Em tudo o resto, fora o gabinete e o lugar protocolar a que podem ter direito, o papel é exercido de forma informal e de acordo com os objetivos e vontades de cada “primeira dama”.
As questões protocolares também já tiveram, assim, de ser ajustadas consoante as circunstâncias: na tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, a 9 de março de 2016, teve de se acautelar uma diferença em relação à primeira tomada de posse de Cavaco Silva.
Afinal, ao contrário do antecessor, Marcelo optou por não assumir a figura da primeira dama (namorava então com Rita Amaral Cabral) e a dança das cadeiras protocolar mudou: dez anos antes, a mulher do presidente da Assembleia da República (Filomena Aguillar, mulher de Ferro Rodrigues) tinha trocado de lugar com Maria Cavaco Silva assim que o marido desta última tinha lido o juramento constitucional. Em 2016, Marcelo Rebelo de Sousa e Cavaco Silva trocaram de lugar, mas Maria Cavaco Silva ficou no mesmo sítio — não teria com quem trocar.
Quatro maneiras de se ser primeira dama
As várias mulheres dos Presidentes da República escolheram exercer o cargo de formas diferentes. Manuela Eanes tinha apenas 37 anos quando o marido, António Ramalho Eanes, chegou a Belém. A jurista, que assumiu a sua “vocação para as causas sociais” e a falta de entusiasmo com o título “pomposo e importado dos Estados Unidos”, não teria ainda direito conforme a lei a ter gabinete próprio, mas o problema resolveu-se informalmente.
“O meu marido dispensou uma pessoa para trabalhar comigo e organizou-se o gabinete na residência, para não gastar dinheiro. Eu não podia gastar dinheiro… Aliás, havia sofás rotos, não havia pinturas e nós gostamos imenso de arte. Fui com o David Mourão Ferreira, que era secretário de Estado da Cultura, ao acervo dos museus… fui buscar pinturas, pus plantas…”, chegou a contar, numa entrevista a Júlia Pinheiro. A preocupação com o dinheiro era tal que admitiu até que alguns almoços e jantares com algumas personalidades foram pagos com dinheiro do próprio bolso: “O meu marido, às vezes, é um bocadinho exagerado nessas coisas”.
Manuela Eanes participou em campanhas políticas, privou com figuras como a rainha Isabel II, Margaret Thatcher, o casal Reagan ou os reis de Espanha e, apesar desse estatuto, continuou a mostrar a frugalidade do casal: segundo contava a revista Máxima, era a única mulher de um Presidente que prescindia de cabelereiros e maquilhadores nas viagens ao estrangeiro — “Tratava sozinha desses embelezamentos femininos e com um bom resultado”.
O trabalho que desenvolveu foi muito focado na área infantil e principalmente na ajuda às crianças desfavorecidas: ainda em 2025 a Câmara Municipal de Lisboa decidia dar o seu nome a uma nova creche no Bairro de Madre de Deus, o seu bairro. Durante a sua vida profissional, ainda no tempo da ditadura, tinha estado ligada ao Instituto das Obras Sociais, promovendo a “assistência à população mais vulnerável, com as cantinas escolares, infantários/creches e subsídios de velhice e invalidez”; enquanto primeira-dama fundou o Instituto de Apoio à Criança e foi depois criando projetos para ajudar crianças maltratadas e alvo de abusos, como os serviços SOS Criança.
A vida familiar passou a acontecer no Palácio de Belém, para onde o Presidente, a sua mulher e o filho mais velho, Manuel, se mudaram, em junho de 1976 — os tempos eram agitados e a casa da família, no bairro de Madredeus, não garantia segurança ao casal. O segundo filho, Miguel, nasceria já em Belém, com o staff de Eanes a receber a notícia desta segunda gravidez pelo então jornalista Marcelo Rebelo de Sousa, contaria o DN, que recolheu o relato de um ex-colaborador. “[Marcelo Rebelo de Sousa] Telefonou-nos a perguntar se era verdade que Manuela Eanes estava à espera do segundo filho. Ninguém sabia de nada, mas para o Marcelo estar a perguntar era porque devia haver alguma coisa. Não confirmámos e dissemos-lhe que o contactaríamos mais tarde. Perguntou-se ao Presidente e ele olhou-nos com um invulgar sorriso no rosto. “Sim, é verdade”, confirmou”.

Maria Barroso teve sempre uma forte vida política (era a única mulher presente na data da fundação do PS) e profissional próprias, mas chegou a admitir que as mulheres “ficam sempre na sombra” nestes casos. Ainda assim, aproveitou o papel como primeira dama para se dedicar a causas culturais, sociais e humanitárias, participando também em várias visitas de Estado ao estrangeiro e recebendo chefes de Estado de outros países em Belém.
“Na altura não havia um gabinete oficializado, portanto tinha que trabalhar na privacidade. Aquilo que [o cargo de primeira-dama] me dava era a possibilidade de um conhecimento maior do que se passava. Recebia muitas cartas de pessoas que precisavam de apoio”, contava em 2012, no programa da SIC Alta Definição, destacando também o contacto que pôde ter com personalidades como o Papa João Paulo II. Ficou amiga da rainha Sofia de Espanha. “Um dia que cá veio perguntei-lhe se queria um jantar protocolar ou ir a um restaurante, e ela respondeu-me: ‘Obviamente que prefiro ir a um restaurante. Deixa-te de protocolos, que eu quero é sentar-me ao pé de ti para conversar’”, contou em 2009.
Não se considerava conselheira privilegiada do seu marido, apesar de lhe dar a sua opinião. “Exercia também a sua magistratura de influência?”, chegaria a perguntar-lhe o Expresso. “Tanto quanto podia… tanto quanto podia… Mas foi muito pouca. [O grande protagonista foi ele?]. Sim, claro. Ele tinha uma estatura muito superior à minha. Ele tinha uma vida política muito intensa, e eu tinha a família, os filhos… Além disso, sabem muito bem que quando os homens têm uma grande projeção as mulheres ficam mais na sombra”.
Apesar disso, o lugar podia ter algum potencial: “Faz-se o que se pode, funcionando dentro das nossas possibilidades“. Em Belém, Maria Barroso aproveitou para dar destaque a causas que considerava importantes, incluindo a independência de Timor-Leste; e chegou a dizer publicamente que a primeira dama teria a função de “representar as mulheres do seu país”.

Maria José Ritta, mulher de Jorge Sampaio, seria a primeira a ter direito a um gabinete oficial com três funcionários. Até então, a algarvia era diretora-geral da TAP para o mercado português, depois de ter trabalho durante trinta anos na empresa; em 1996, passou a dedicar-se à função de primeira dama, ocupando-se sobretudo de ações de solidariedade social (em áreas como a prevenção social, a educação e a saúde).
No livro “As primeiras damas”, contava que tinha uma “perspetiva de gestão” e que se mostrava sempre a postos, com a pergunta sobre “o que é preciso fazer” na ponta da língua — era mais prática e mais rápida a tomar decisões do que o marido, o que nem sempre levaria a bons resultados, assegurava a própria. E responderia sobre os rumores que diziam que mandava em Belém: “Um absurdo”.
Foi, isso sim, uma primeira dama ativa, recusando ter um papel “meramente decorativo” e tendo participado, por exemplo, na criação da Fundação Gil, para ajudar crianças desfavorecidas. E teve um objetivo, definido por si própria: ser a “colaboradora número um” do Presidente da República, com quem tanto trocava opiniões e impressões como almoçava, sem protocolos, no andar residencial do Palácio de Belém (onde, tal como Maria Barroso e Mário Soares, nunca chegaram a morar).
Maria Cavaco Silva era descrita, se não como “colaboradora número um”, como uma presença assídua e ativa em Belém. Teve direito a gabinete e o seu site tinha até um espaço dedicado ao envio de perguntas dos cidadãos, sendo que os seus funcionários se ocupavam de organizar a sua agenda e de a conciliar com a do Presidente (poderia ser preciso criar um programa de visita separado quando um chefe de Estado estrangeiro trazia o seu cônjuge).
Ao Observador, o Palácio de Belém explicava nessa época que Maria Cavaco Silva só se deslocaria ao estrangeiro com o marido “quando este é convidado por outro chefe de Estado”, confirmando que caso o Presidente que se seguisse não mantivesse este gabinete ativo, como de facto veio a acontecer com Marcelo, os funcionários reintegrariam outros departamentos da Casa Civil.

Já depois de Cavaco Silva sair de funções, Maria Cavaco Silva contou que teve “consciência de que iria ter uma vida mais facilitada, pela existência na lei, desde 1996, do Gabinete de Apoio ao Cônjuge do Presidente da República”. “A minha antecessora, a D. Maria José Ritta, foi a primeira a beneficiar desse importante apoio que, sei-o agora por experiência pessoal, tanto nos ajuda nas tarefas que, não tendo nós um papel institucional, somos sempre chamadas a desempenhar”, explicava.
Destacava também o papel de Manuela Eanes e Maria Barroso, que “todos os portugueses sentiram como muito importante”. E explicava que em Belém recebera “pedidos de presença, apoio, alto patrocínio, audiências”: “Percebi que a minha presença iria ser muito mais solicitada do que para os casos em que se partia automaticamente do princípio que a mulher do Presidente da República fazia parte do acontecimento”. Além disso, não chegara de “ideias vazias” e por isso o gabinete foi no seu tempo “pró-ativo”.
Decidiu dedicar-se a causas solidárias, especialmente às das pessoas com deficiência, explicando que sem ter orçamento próprio se dedicava a apresentar pessoas, promover networking e acompanhar projetos solidários. Acabou por ser responsável por uma mudança concreta no Palácio de Belém: “Parece impossível, mas se o PR quisesse receber alguém, em cadeira de rodas, não podia fazê-lo condignamente”, explicava numa reportagem da Visão. O palácio acabou por ser adaptado, com um elevador próprio primeiro até ao primeiro andar (onde passam todos os convidados) e depois à zona privada da residência oficial.
Maria Cavaco Silva tinha entrado ao lado do marido em Belém, logo no dia da tomada de posse, em 2006, rodeados por todos os filhos. Marcelo Rebelo de Sousa optou por entrar sozinho — os filhos assistiram à posse na Assembleia da República, mas não o acompanharam até Belém –, tal como tinham feito Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva antes de si. Resta saber como é que Seguro entrará em Belém — com ou sem Margarida — e se esta concluirá, como algumas antecessoras, que afinal a simbólica primeira dama é “muito mais solicitada” do que pode parecer.