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Os moradores da Picanceira, aldeia do concelho de Mafra, pediram esta segunda-feira, meios para salvar os seus bens e conter o deslizamento de terras, enquanto o presidente da câmara assegurou que os meios estão a chegar ao local.
“Vêm todos os dias ao local para ver, mas não vejo ação”, queixou-se Pedro Luís, um dos moradores do Bairro do Ilhéu, obrigado a mudar-se para outra habitação que tem em Loures, depois de a família ser aconselhada a sair da que possui na Picanceira.
Bruno Amaral, por sua vez, é proprietário de uma casa que pode ser a próxima a ser afetada pelo deslizamento continuado de terras. Face ao risco, a família foi obrigada a sair, primeiro para casa de familiares e depois para uma outra casa que arrendou. “Não houve qualquer apoio”, disse.
Para o morador, “nada está a ser feito para conter terras ou limpar a lama que continua a mover-se, já provocou a derrocada de uma casa e está a pressionar outras vivendas”.
Segundo os moradores, “não há equipas de limpeza, avaliação de risco, maquinaria, apoio logístico ou sequer presença para tranquilizar os moradores — muitos deles idosos, com mobilidade reduzida e sem meios para lidar sozinhos com esta catástrofe”.
Questionado pela agência Lusa, o presidente da câmara de Mafra, Hugo Luís, esclareceu que, no fim de semana, meios da câmara, junta de freguesia e proteção civil estiveram no local a identificar os problemas, tendo decidido não intervir, alegando que “quando mais se tira, mais cai”.
Contudo, enviou esta segunda-feira “maquinaria para o terreno para tirar as primeiras lamas e fazer o levantamento das terras”.
“A água corre e ninguém limpa. Se continuar a chover é um risco. Preocupa-nos o avanço da lama sobre as habitações e, sobretudo, as pessoas idosas, que veem os seus bens em risco”, alertam os moradores.
Os habitantes pedem mais acompanhamento da Proteção Civil com medidas de prevenção e de segurança do risco.
Além do risco iminente, os acessos estão bloqueados por quantidades enormes de lama, pedras, troncos e entulho, isolando os moradores que ainda se mantêm nas suas casas, sobretudo os mais idosos, com mais dificuldades de mobilidade.
“Consideramos que não há muito risco de mais desalojados, mas estamos a acompanhar a toda a hora”, afirmou o autarca.
Além dos meios da Proteção Civil, também os serviços de Ação Social estão a trabalhar na identificação dos casos que necessitem de realojamento e a procurar respostas nesse sentido.
O município “está a contactar” os dois desalojados do Bairro do Ilhéu para os realojar, depois de terem procurado primeiro a casa de familiares.
O concelho contabiliza três desalojados, dois na Picanceira e um outro em Monte Gordo, por deslizamento de terras que deixou “completamente destruídas as suas casas”, e 18 deslocados de casa por precaução pelo mesmo motivo, 12 dos quais são moradores da Picanceira.
Segundo o autarca, outras cinco habitações estão em risco na Venda do Pinheiro e Vila Franca do Rosário devido a deslizamentos de terras, mas ainda não foi necessário deslocar essas famílias.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.