Um grupo de pais manifestou-se esta segunda-feira à porta de uma creche na freguesia de Carnide, em Lisboa, denunciando alegados maus-tratos a crianças por parte das funcionárias da instituição. O protesto de pequena dimensão levou à presença da Polícia de Segurança Pública (PSP), que confirmou ao Observador que está a fiscalizar o espaço para “tentar apurar se estas alegações fazem sentido”. A mesma fonte acrescentou que os pais já apresentaram queixa às autoridades.
Com cartazes e fotografias nas mãos, os pais mostraram imagens com marcas de agressões a crianças, imagens essas que, segundo explicaram à CNN Portugal e à SIC Notícias, começaram por circular em conversas privadas entre pais e uma auxiliar da creche. Para uma das mães, essas fotografias foram “a peça do puzzle que se montou” e que levou os encarregados de educação a confrontarem a instituição.
Os pais asseguram que só na quinta-feira, dia 5, é que perceberam a gravidade do que estava em causa, após o testemunho de uma funcionária que decidiu falar. Um dos casos mais graves envolve uma criança de cerca de um ano e meio, que chegou a casa com um traumatismo craniano. A mãe contou que os médicos do Hospital da Luz confirmaram a lesão, mas que a explicação dada pela creche foi a de que “outra criança, que era agressiva, tinha empurrado” o filho, uma versão em que nunca ter acreditou, diz.
Segundo esta mãe, a versão mudou depois de uma funcionária ter decidido revelar o que terá realmente acontecido. “O meu filho foi agredido, foi espancado”, afirmou, enquanto mostrava fotografias com marcas visíveis no rosto da criança.
A funcionária “explicou que ele [filho] não queria dormir e então empurraram-no para debaixo da cama e quando ele se tentou levantar, a educadora deu-lhe uma chapada com tanta força que ele bateu com a cabeça e desmaiou. Não sabiam se estava vivo ou morto e colocaram uma manta por cima”, relata à CNN.
Ainda de acordo com este testemunho, os funcionários terão entrado em pânico. “Não sabiam se ele estava vivo ou morto e colocaram-lhe uma manta por cima“, relatou, acusando a creche de ter negado auxílio à criança: “Não sabiam se o meu filho estava vivo ou morto e negaram ajuda“.
Outros familiares relataram situações semelhantes. Uma avó presente no protesto afirmou que a neta era sujeita a castigos e agressões, dizendo que “a obrigavam a comer em pé, metiam um pano na boca enquanto comia e batiam-lhe“, concluindo que as funcionárias “não têm competência” para cuidar de crianças.
Até ao momento, não é conhecida qualquer reação por parte da direção da creche. Os pais exigem que o caso seja investigado.