(c) 2023 am|dev

(A) :: Jimmy Lai condenado a 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa em Hong Kong

Jimmy Lai condenado a 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa em Hong Kong

Fundador do jornal pró-democracia Apple Daily foi considerado culpado ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim. Taiwan denuncia uso "ilegítimo" da segurança para reprimir liberdades.

Agência Lusa
text

Um tribunal de Hong Kong sentenciou esta segunda-feira o ex-milionário da comunicação social pró-democracia Jimmy Lai, com nacionalidade britânica, a uma pena total de 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa,pedindo a forças estrangeiras que impusessem sanções ou bloqueios ou se envolvessem em outras atividades hostis contra Hong Kong ou a China.

O empresário, fundador do jornal pró-democracia Apple Daily — entretanto encerrado —, corria o risco de ser condenado a prisão perpétua, não obstante as pressões do Reino Unido, dos Estados Unidos e organizações defensoras dos direitos humanos a favor de sua libertação.

Jimmy Lai foi considerado culpado em 15 de dezembro por três acusações, no desfecho de um julgamento que, segundo os defensores dos direitos humanos, marcou o fim da liberdade de imprensa de que o território, retrocedido pelo Reino Unido à China em 1997, se orgulhava há décadas.

Crítico do Partido Comunista Chinês, Jimmy Lai foi detido em 2020 ao abrigo de uma lei de segurança nacional imposta pela China e aprovada nesse ano, que Pequim considerou necessária para a estabilidade da cidade após os protestos antigovernamentais no ano anterior.

A sentença de Jimmy Lai pode criar tensões entre Pequim e governos estrangeiros, depois da condenação já ter suscitado as críticas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Após o veredicto em dezembro, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que tinha pedido ao homólogo chinês, Xi Jinping para ponderar a libertação de Jimmy Lai, e afirmou que se sentia “muito mal” com a condenação.

“Sinto-me muito mal”, disse na altura Trump aos jornalistas. “Falei com o Presidente Xi sobre isso e pedi que considerasse a sua libertação”, revelou.

Também o Reino Unido pediu que o magnata de 78 anos fosse “libertado imediatamente”, com a chefe da diplomacia britânica, Yvette Cooper, a condenar a decisão, considerando-a uma “perseguição por motivos políticos”.

O empresário declarou-se inocente de todas as acusações. Já os seus seis ex-colegas do Apple Daily e os dois ativistas  que aceitaram a culpa, receberam penas de prisão entre seis anos e três meses e 10 anos. Jimmy Lai já tinha sido condenado por vários crimes menores relacionados com alegações de fraude e ações no âmbito dos protestos em Hong Kong em 2019. Encontra-se a cumprir uma pena de prisão de quase seis anos por esses crimes.

Taiwan condena dura sentença

O Governo de Taiwan já condenou esta segunda-feira a “dura” sentença, denunciando o uso “ilegítimo” da segurança nacional para “reprimir as liberdades fundamentais”.

Num comunicado emitido após a leitura da sentença, o Conselho para os Assuntos do Continente (MAC) — entidade responsável pelas relações com a China continental — exigiu o “fim da perseguição política” e a “libertação imediata” de Lai.

“A severa pena aplicada a Jimmy Lai ao abrigo da Lei de Segurança Nacional de Hong Kong não só o priva da liberdade pessoal e esmaga a liberdade de expressão e de imprensa, como também nega o direito fundamental dos cidadãos a responsabilizarem os seus governantes”, afirmou o MAC.

Segundo a entidade, este caso demonstra novamente que, sob o modelo de “um país, dois sistemas” promovido pelo Partido Comunista Chinês (PCC), as liberdades e direitos prometidos aos habitantes de Hong Kong “não passam de meras declarações formais”, tendo o sistema judicial sido convertido numa “ferramenta de repressão política e de vingança contra dissidentes”.

O Governo de Taipé criticou ainda o facto de os crimes imputados ao empresário incluírem a sua influência mediática e ligações internacionais no âmbito da segurança nacional, com o objetivo de “criar um efeito dissuasor que transcenda setores e fronteiras”.

“Não se trata de um caso isolado nem exclusivo de Hong Kong, mas de um sinal de alerta de que o PCC está a acelerar a exportação do seu autoritarismo”, declarou o MAC, apelando aos cidadãos taiwaneses para que “tomem como advertência a dolorosa experiência de Hong Kong” e protejam o seu “modo de vida livre”.