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(A) :: Defesa dos Seahawks sufoca Patriots e Seattle vence segunda Super Bowl da sua história

Defesa dos Seahawks sufoca Patriots e Seattle vence segunda Super Bowl da sua história

"Defense wins championships". Por muito que a NFL tenha mudado nos últimos anos, este adágio continua tão válido como sempre. Melhor defesa da liga dá aos Seattle Seahawks segundo troféu da história.

Edgar Caetano
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Os New England Patriots precisaram de chegar ao quarto e último período do jogo para marcar os seus primeiros pontos. Até essa altura, foram mais de 45 minutos (úteis) de um perfeito sufoco imposto pela defesa dos Seattle Seahawks, a melhor deste ano na NFL. Por muito que a liga de futebol americano tenha mudado nos últimos anos, com cada vez maior ênfase no jogo ofensivo, o adágio “Defense wins championships” continua válido: boas defesas vencem troféus, sobretudo quando do outro lado está um quarterback demasiado jovem para resistir a tamanha pressão.

Os Seattle Seahawks venceram a Super Bowl LX, este domingo, batendo os New England Patriots por 29-13. Os Seahawks eram favoritos à vitória num jogo que, tal como muitos previram, foi um verdadeiro pitéu para quem aprecia a componente defensiva da modalidade. Para quem prefere os highlights virais das jogadas ofensivas, bem… nem por isso. Nada que surpreenda, já que os dois treinadores principais – Mike MacDonald e Mike Vrabel – são dois especialistas no jogo defensivo.

Os fãs casuais da NFL – e há muitos milhões que só veem um jogo por ano, a Super Bowl – tiveram pouco ou nada que os empolgasse (além do espetáculo piro-musical do intervalo). Mas os adeptos mais ferrenhos puderam testemunhar uma masterclass de como se consegue usar a agressividade de uma defesa talentosa e bem treinada para atormentar um quarterback como Drake Maye. Ficou claro que talvez o jovem Maye tenha o talento – o tempo o dirá – mas não tem, para já, a maturidade necessária para desmontar uma defesa como fazia Tom Brady (que ganhou seis Super Bowls envergando aquele mesmo uniforme dos Patriots).

Não fosse a defesa dos Patriots também uma das mais disciplinadas da liga e a demolição dos New England Patriots, pelos Seattle Seahawks, teria sido bem mais estrondosa. Apesar de tudo, durante mais de metade do jogo os Seattle Seahawks não conseguiram mais do que marcar field goals, três pontos de cada vez – ainda assim, era melhor do que os zero pontos com que terminaram todas as séries ofensivas dos Patriots antes do último quarter do jogo.

Só numa fase muito adiantada do jogo, quando a reviravolta era muito difícil, é que os Patriots deixaram Drake Maye abrir mais um pouco o seu jogo – o que deu dois touchdowns tardios a New England mas, também, deu origem aos erros mais graves do jovem quarterback: duas interceções, uma sob pressão e a outra nem tanto, que basicamente carimbaram a vitória para Seattle.

Os Seahawks, que venceram a segunda Super Bowl da sua história (a primeira foi em 2014), não precisaram de fazer muito, do ponto de vista ofensivo. O quarterback Sam Darnold percebeu que para ganhar o jogo só precisava de não inventar muito e alimentar Kenneth Walker, o running back que acordou na manhã de domingo e escolheu a violência: correu 135 jardas e quase igualou, sozinho, toda a produção ofensiva da restante equipa.

Darnold, que inúmeras vezes recebeu o rótulo de “fracassado”, tornou-se, sem grande protagonismo, o primeiro quarterback a vencer uma Super Bowl depois de representar mais de cinco equipas na sua carreira. E o treinador, Mike MacDonald, teve neste domingo a sua consagração, depois de ter tirado os Seattle Seahawks da irrelevância em que tinha caído nos últimos tempos.

Hoje com 38 anos, há apenas 12 MacDonald estava a bater à porta de outra equipa, os Baltimore Ravens, a pedir para fazer um estágio como assistente dos treinadores defensivos. Agora, é o “maestro” de uma possível dinastia em Seattle, capaz de vencer vários troféus nos próximos anos.

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