O socialista António José Seguro tornou-se no sexto Presidente da República eleito da história da democracia, após uma vitória esmagadora, traduzida no maior número de votos alcançado por um candidato presidencial.
Partindo de um patamar, nas sondagens de há cerca de um ano, que não chegava aos dois dígitos, Seguro terminou a corrida presidencial com o dobro do resultado do seu adversário, o líder do partido Chega, André Ventura, e com uma força política reforçada pelo segundo melhor resultado percentual de sempre de um candidato a Belém.
Com esta vitória, Portugal volta a ter um Presidente da República militante do PS, após os mandatos de Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa nos últimos 20 anos e numa altura em que o PSD está no poder e os partidos à direita dos socialistas dominam dois terços do parlamento.
Com 66,8% (3.480.158 votos), quando faltavam apurar os resultados e sete consulados – 20 freguesias adiaram a eleição por uma semana – o ex-secretário-geral do PS já tinha batido o recorde de votos expressos de um candidato em eleições presidenciais, detido por Mário Soares nas eleições de 1991 (3.459.521). Seguro ficou, contudo, atrás dos 70,3% de Mário Soares no sufrágio de 1991, que percentualmente continua a ser o maior sempre.
O candidato da área socialista obteve 66,8% contra 33,2% de André Ventura, ao qual a derrota não impediu que reclamasse a liderança da direita em Portugal, num discurso que já vinha ensaiando durante a campanha eleitoral.
A vitória de António José Seguro é tanto mais assinalável quanto a sua entrada na corrida presidencial fez-se de forma pouco entusiástica, inclusive no seu campo político, gerando apreensão entre muitos socialistas, como o ex-presidente do parlamento Augusto Santos Silva, que chegou a afirmar que a candidatura “não parecia cumprir os requisitos mínimos” para poder ser apoiada pelo PS, designadamente porque se ficava “pelas banalidades”.
Após uma travessia do deserto de 11 anos, iniciada após ser derrotado por António Costa nas primárias no PS de 2014, o nome de Seguro foi lançado pelo anterior líder socialista, Pedro Nuno Santos, numa entrevista televisiva há pouco mais de um ano, mas então pouco levada a sério nas hostes do partido. O próprio PS liderado por José Luís Carneiro, um homem de quem Seguro é muito próximo, demorou a apoiar o candidato.
Seguro anunciou oficialmente a candidatura em meados de junho de 2025 e o PS só em outubro, passadas as autárquicas, aprovou formalmente o apoio ao candidato, por sinal um antigo secretário-geral do partido que continuava a gerar resistências entre alguns destacados dirigentes, alguns dos quais esperavam uma candidatura do ex-ministro António Vitorino.