O líder do Chega conseguiu, na segunda volta das presidenciais, uma percentagem acima da obtida pela Aliança Democrática (AD) nas últimas legislativas, mas com menos votos do que a coligação encabeçada por Luís Montenegro em maio de 2025.
Na segunda volta das eleições presidenciais votaram também menos eleitores do que nas últimas legislativas.
Quando faltam apurar 20 freguesias (a maioria das quais apenas votarão no próximo domingo) e sete consulados, de acordo com os dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, André Ventura contabiliza 33,18% e cerca de 1,7 milhões de votos, contra 66,82% de António José Seguro (mais de 3,4 milhões de votos), que venceu o sufrágio e será o próximo Presidente da República.
Em maio de 2025, Luís Montenegro venceu as suas segundas eleições legislativas consecutivas com 31,8% e 2.008.488 votos, somando as duas coligações lideradas pelo PSD.
Nessas eleições antecipadas, a AD (coligação PSD/CDS-PP no Continente e Madeira) conseguiu 1.971.602 votos, a que se somaram os 368.886 votos obtidos pela coligação PSD/CDS-PP/PPM nos Açores.
Em março de 2024, Luís Montenegro tinha vencido as legislativas com 28,3% e cerca de 1,8 milhões de votos nas coligações lideradas pelo PSD (a maioria em formato Aliança Democrática com CDS-PP e PPM), perdendo depois as europeias também em coligação com 31,1% (1,2 milhões de votos).
Nas legislativas de 2025, votaram 6.317.949 votantes dos 10.850.215 inscritos (58% de votantes).
Na segunda volta das presidenciais, de acordo com os dados provisórios, votaram cerca de 5,4 milhões de pessoas (cerca de 50% de votantes).
Na sua declaração na noite eleitoral, o líder do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, quis distinguir os dois atos eleitorais, presidenciais e legislativas.
“Nada mudou com esta eleição presidencial. Da parte do Governo, nós não estamos à espera de nenhuma outra contagem que não aquela que é a essencial, que é saber quem é que venceu as eleições e quem é o novo Presidente da República. E quanto isso, já não há dúvidas, é o Dr. António José Seguro”, afirmou, numa declaração ainda antes das 21:00.
Montenegro considerou que as duas eleições legislativas que disputou “foram inequívocas relativamente à vontade política do povo português para escolher o Governo”.
“Aquilo que me parece – e é a nossa posição – os portugueses não querem que se estabeleça uma discussão sobre saber se o Governo é de esquerda, é de direita. O Governo é de Portugal, é assim que nós o vemos. O Governo é o governo dos portugueses, de todos os portugueses, é o governo do país”, disse.
E acrescentou: “E a liderança do Governo do país é do atual primeiro-ministro e da força política, a Aliança Democrática, que concorreu às duas últimas eleições e que as venceu de forma inequívoca”.
“Nada disso esteve em apreciação nestas eleições presidenciais. Aqueles que quiserem fazer leituras políticas disso poderão fazê-lo. Não é o nosso caso, aquilo que compete ao Governo fazer é executar o seu programa. E fazê-lo de forma competente, fazê-lo de forma firme e fazê-lo também com a humildade democrática de quem, não tendo uma maioria absoluta na Assembleia da República, sabe que precisa de dialogar com as demais forças partidárias que têm representação parlamentar”, acrescentou Luís Montenegro.