Todas as projeções das televisões conhecidas às 20h deste domingo davam a vitória a António José Seguro. O resultado final estava certo, mas os valores provaram-se errados. Mesmo sem conseguir evitar a vitória esmagadora do socialista, André Ventura ultrapassou o resultado máximo que duas dessas projeções admitiam que viesse a ter e igualou esse valor na terceira projeção: 33,2%. Quanto às sondagens, duas das que foram publicadas nas últimas semanas ficaram a décimas de acertar nos 66,8% do socialista, enquanto as mais antigas refletem o caminho que Seguro fez até ser eleito: em novembro de 2024 tinha intenções de voto abaixo dos 5%.
A primeira sondagem em que o nome de Seguro aparece como possível candidato à Presidência da República é um estudo de opinião da Intercampus. Neste, Seguro foi a escolha de apenas 4,7% dos 605 entrevistados, atrás dos socialistas Ana Gomes (5,1%) e Mário Centeno (6,4%), assim como de André Ventura (6,6%), Luís Marques Mendes (9,8%), Pedro Passos Coelho (13,9%) e Henrique Gouveia e Melo (23,2%). Mesmo se fossem distribuídos os 15,3% de indecisos, o resultado projetado do socialista não passaria dos 5,55% dos votos. É uma diferença de mais de 61% para o resultado deste domingo.
No entanto, as estimativas mais recentes ficaram muito mais próximas dos resultados finais, faltando ainda contar os votos de 20 freguesias que realizam a eleição na próxima semana. O Radar das Sondagens do Observador para a segunda volta das presidenciais projetava uma votação de 67,52% para Seguro e de 32,48% para Ventura. Estes valores foram calculados tendo por base todas as sondagens divulgadas em órgãos de comunicação social entre a primeira volta e a eleição deste domingo.
A última tracking poll da Pitagórica para a TVI/CNN projetava, após distribuição de indecisos, um resultado de 67,8% para o socialista e de 32,2% para o líder do Chega. Esses valores, obtidos após um trabalho de campo realizado entre 3 e 5 de fevereiro, são ligeiramente diferentes dos projetados na primeira sondagem após a primeira volta. Depois da vitória de Seguro no dia 18 de janeiro, a tracking poll apontava para um resultado de 69,7% para o socialista na segunda volta e de 30,3% para o líder do Chega.
A sondagem mais recente do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica ficou igualmente muito perto do resultado da segunda volta. Este foi o estudo de opinião com a maior amostra: 1601 inquiridos entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro e ficou a décimas do resultado deste domingo, ao prever 67% para Seguro e 33% para Ventura.
A única sondagem do ICS/ISCTE/Gfk feita depois da primeira volta também se aproximou muito do resultado deste domingo. O estudo de opinião realizado para SIC e Expresso apontava para uma vitória de Seguro com 66%, enquanto Ventura obtinha 34% dos votos. Por outro lado, a única sondagem da Intercampus neste período dava 71,3% dos votos ao socialista e 28,7% ao líder do Chega. Este estudo de opinião, cujo trabalho de campo foi realizado nos três dias que sucederam à primeira volta, foi o que deu o melhor resultado a António José Seguro.
Ainda antes da primeira volta das eleições, o cenário de uma segunda volta entre Seguro e Ventura foi testado junto do eleitorado pelas casas de sondagens. À medida que se aproximava o dia 18 de janeiro, as sondagens indicavam com mais clareza que o socialista e o líder do Chega seriam os dois primeiros classificados da primeira volta. Já nessa altura todos os estudos de opinião apontavam para uma vitória inequívoca de Seguro.
Na última edição da tracking poll da TVI/CNN para a primeira volta, as respostas foram claras perante o cenário António José Seguro vs. André Ventura: o primeiro venceria com 71% dos votos e o segundo ficaria com 29%, após distribuição de indecisos.
A última sondagem da Intercampus para o Now era a única a não projetar uma segunda volta entre Ventura e Seguro, prevendo Luís Marques Mendes a passar no lugar deste último. Esse estudo de opinião, conhecido na quarta-feira que antecedeu o domingo da primeira volta, dava 63,8% dos votos ao socialista e 36,2% ao líder do Chega.
À semelhança desta última, a última sondagem da Aximage para o Diário de Notícias também falhou o resultado de Seguro por defeito. Feita a distribuição de indecisos e contando apenas com os votos expressos, o socialista tinha um resultado projetado de 62,8% ao passo que, para o líder do Chega, o valor era de 37,2%.
Antes da primeira volta, a sondagem da Universidade Católica para a RTP, também apontava no sentido de uma derrota de Ventura face a Seguro, ainda que através de um método diferente. O CESOP questionou os inquiridos sobre a disponibilidade para votar em cada um dos candidatos à primeira volta. Um terço dos entrevistados (33%) admitiram votar em Ventura, num resultado muito próximo do que obteve este domingo. Por outro lado, 54% admitia votar em Seguro, menos 12% do que acabaram por fazê-lo.
https://observador.pt/2026/01/18/seguro-e-ventura-na-segunda-volta-todas-as-sondagens-que-previram-este-cenario-dao-vitoria-a-seguro/