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(A) :: Anísio repetiu a história de amor para se tornar herói (a crónica do Benfica-Alverca)

Anísio repetiu a história de amor para se tornar herói (a crónica do Benfica-Alverca)

Benfica começou melhor e marcou cedo, caiu na 1.ª parte e dominou na 2.ª, mas falta de eficácia atrapalhava. Anísio voltou a marcar na primeira vez em que tocou na bola e foi herói com o Alverca (2-1)

Mariana Fernandes
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Estava muito longe de ser um fim de semana qualquer. A 21.ª jornada da Primeira Liga, bem a meio da temporada, trazia a possibilidade de alargar margens no topo da classificação, encurtar margens no topo da classificação ou manter tudo praticamente na mesma. O Benfica recebia o Alverca na Luz na antecâmara do Clássico de segunda-feira entre FC Porto e Sporting — e sabia que só uma vitória permitia garantir que irá conquistar terreno a um dos principais rivais ou até aos dois.

Na memória recente, porém, estava ainda o empate da semana passada em Tondela. A equipa de José Mourinho escorregou na sequência da euforia alcançada na Liga dos Campeões contra o Real Madrid, afastou-se do Sporting e viu a derrota do FC Porto com o Casa Pia mascarar um resultado que poderia ter deixado o Benfica a 12 pontos da liderança. Ainda assim, o treinador encarnado não se tinha esquecido da sensação de não ganhar. E não queria repeti-la este domingo.

Ficha de jogo

Benfica-Alverca, 2-1

21.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Bruno Costa (AF Viana do Castelo)

Benfica: Trubin, Sidny Lopes Cabral (Sudakov, 73′), Tomás Araújo, Otamendi, Samuel Dahl, Fredrik Aursnes, Leandro Barreiro, Prestianni (Bruma, 85′), Rafa Silva (António Silva, 88′), Schjelderup (Anísio Cabral, 85′), Pavlidis (Enzo Barrenechea, 88′)

Suplentes não utilizados: Diogo Ferreira, Ivanovic, Manu Silva, Kevin Pinto

Treinador: José Mourinho

Alverca: Matheus Mendes, Kaiky Naves, Sergi Gómez, Bastien Meupiyou (Isaac James, 88′), Nabil Touaizi, Vasco Moreira, Lincoln (Rhaldney, 71′), Francisco Chissumba, Figueiredo (Cédric Nuozzi, 81′), Chiquinho (Fabrício Garcia, 45′), Marezi (Mathis Clairicia, 81′)

Suplentes não utilizados: Mateus, Julián Martínez, Davy Gui, Diogo Spencer

Treinador: Custódio Castro

Golos: Schjelderup (16′), Figueiredo (30′), Anísio Cabral (86′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Lincoln (8′), a Sidny Lopes Cabral (23′), a Matheus Mendes (39′), a Prestianni (66′), a Tomás Araújo (90+7′)

“O meu trabalho é ganhar amanhã. Eu quero é ganhar ao Alverca, a minha missão é ajudar os meus a ganhar ao Alverca. Acho que o ‘focus’ de todos nós e dos benfiquistas que vão amanhã ao estádio tem de ser ganhar ao Alverca. O que não é seguramente fácil. E todos juntos, todos motivados, a partir daqui e a tentar puxar pelo estádio e também a pedir que o estádio puxe por nós. Ganhar, é fundamental ganhar 24 horas, números redondos, antes do Clássico. Se me perguntarem quem é que eu gostava que ganhasse, é óbvio que aquilo de que eu gostava não conta para nada. Mas esquecendo o nome dos clubes, e eu não quero ir por aí, diria que era melhor para nós que o primeiro classificado perdesse”, atirou na antevisão da partida.

Assim, na Luz e com chuva torrencial à mistura, José Mourinho não contava com Amar Dedic, que está limitado fisicamente, e também Daniel Banjaqui, que está com gripe. Nesse sentido, Sidny Lopes Cabral aparecia na direita da defesa, com Rafa Silva a estrear-se a titular no regresso aos encarnados e Sudakov a começar no banco, mantendo-se a dupla formada por Fredrik Aursnes e Leandro Barreiro no meio-campo. Do outro lado, num Alverca que vinha de duas jornadas sem ganhar mas que está numa posição confortável no Campeonato, Custódio Castro tinha Chiquinho, Figueiredo e Marezi no ataque.

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O Benfica começou o jogo praticamente com uma enorme oportunidade para marcar: Rafa e Schjelderup combinaram e o norueguês apareceu na área a rematar para uma boa defesa de Matheus Mendes (2′). Os encarnados arrancaram claramente por cima, com grande presença no meio-campo contrário e alguma facilidade em chegar à baliza do Alverca, e Aursnes também ameaçou o golo com um pontapé forte que passou por cima (15′).

Logo a seguir, de forma muito natural, o Benfica chegou mesmo à vantagem. Rafa arrancou descaído na direita, atirou de trivela à entrada da grande área e Matheus Mendes defendeu para a frente, com Schjelderup a aparecer para marcar na recarga (16′). A partir daí, porém, os encarnados caíram. A equipa de José Mourinho pareceu ficar demasiado descansada com o resultado e baixou linhas, quebrou a intensidade e perdeu posse de bola, permitindo ao Alverca uma reação que não era expectável tendo em conta o quarto de hora inicial.

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Marezi teve logo uma boa ocasião para empatar, falhando a finalização na sequência de um cruzamento de Figueiredo (20′), e os ribatejanos iam desequilibrando sempre que aceleravam pela esquerda e por intermédio de Chiquinho, que causava muitas dificuldades a Lopes Cabral. À passagem da meia-hora, já depois de Prestianni aparecer na cara de Matheus Mendes a permitir a mancha do guarda-redes (29′), o empate surgiu mesmo.

Chiquinho voltou a arrancar sem grande oposição e abriu na esquerda em Marezi, que cruzou para a área e viu Figueiredo escapar a Otamendi e Dahl para bater Trubin (30′). Pavlidis ainda poderia ter recuperado a vantagem, com um pontapé forte que Matheus Mendes defendeu (38′), mas já nada mudou até ao fim da primeira parte. Ao intervalo, Benfica e Alverca estavam empatados na Luz e os encarnados tinham de voltar a acordar para reagir à postura muito competitiva dos ribatejanos.

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Custódio mexeu logo ao intervalo e tirou Chiquinho para colocar Fabrício Garcia, algo que só se justifica por problemas físicos do avançado, já que estava a ser o principal impulsionador dos ribatejanos. O Benfica teve uma boa oportunidade para marcar logo nos instantes iniciais, com Rafa a acertar no poste depois de um cruzamento de Lopes Cabral na direita (50′), e ficava claro que os encarnados tinham voltado do balneário com a intenção de recuperar rapidamente a vantagem.

Rafa e Schjelderup eram os principais desequilibradores, com o primeiro a ter outro lance em que atirou por cima (51′), e o Alverca ia procurando sobreviver à asfixia implementada pelos encarnados. Pavlidis desperdiçou uma oportunidade clara ao cabecear ao lado na área (55′), marcou cinco minutos depois na sequência de uma assistência de Schjelderup mas viu o golo ser anulado por mão na bola (60′) e Prestianni também obrigou Matheus Mendes a uma boa defesa (69′), mas o tempo ia passando sem que o resultado se alterasse.

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Custódio fez a segunda substituição à entrada para os últimos 20 minutos, trocando Lincoln por Rhaldney, e José Mourinho respondeu com Sudakov por Lopes Cabral, colocando Aursnes na direita da defesa e utilizando o ucraniano em simultâneo com Rafa. Os encarnados continuaram a carregar, com Prestianni a brilhar na direita antes de rematar forte para Matheus Mendes defender com a cabeça (76′), mas a falta de eficácia associada à exibição brutal do guarda-redes brasileiro ia perpetuando a igualdade.

A cerca de cinco minutos do fim, porém, Mourinho lançou Anísio Cabral e Bruma — e o jovem avançado, tal como tinha acontecido contra o Estrela da Amadora, só precisou de segundos para marcar. Dahl cruzou na esquerda e Anísio, de cabeça e na primeira vez em que tocou na bola, quebrou a barreira de Matheus Mendes e recuperou a vantagem (86′). O Benfica precisou de sofrer, mas venceu o Alverca na Luz e regressou aos triunfos no Campeonato, ficando agora à espera do resultado do Clássico do Dragão para saber o que pode ganhar a FC Porto, Sporting ou aos dois.

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