É um dos poucos fantasmas da carreira de Pep Guardiola. Em quase uma década ao comando do Manchester City, o treinador só venceu em Anfield numa única ocasião, somando três empates e seis derrotas nos restantes jogos. Visitar o Liverpool tornou-se sinónimo de desilusão para os citizens e para o espanhol, que procurava fazer diferente este domingo.
Ainda assim, a semana de Pep Guardiola foi muito além da deslocação a Anfield. Na antecâmara do apuramento para a final da Taça da Liga, graças à vitória frente ao Newcastle na quarta-feira, o treinador abordou a guerra na Ucrânia, a guerra na faixa de Gaza, a guerra no Sudão e ainda as mortes provocadas pelo ICE em Minneapolis, nos EUA. Dias depois e após ser criticado por muitos por não se cingir a falar sobre futebol, voltou a defender o direito de se expressar sobre o que se passa para lá das quatro linhas.
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“Por que é que não devo expressar o que sinto? Só porque sou treinador? Sendo honesto, não sinto que tenha dito nada de especial. Não concordo, mas respeito absolutamente todas as opiniões. O que eu disse, basicamente, foi questionar quantos conflitos existem neste momento por todo o mundo. Quantos? Muitos. Eu condeno-os a todos. Se há pessoas inocentes a serem mortes, eu condeno-os a todos e não seleciono qual é o mais importante ou que país é mais importante do que o outro. Se não entendem a minha mensagem, tudo bem, mas eu não a consigo dizer de outra forma. Estar envolvido com o futebol e não falar sobre isto ou aquilo… É por isso que o mundo continua em silêncio, é isso que o mundo quer, não é? Que estejamos calados, que não digamos nada. Penso exatamente o contrário”, sublinhou.
Ora, este domingo e com a necessidade de vencer para não deixar fugir na liderança o Arsenal, que já tinha vencido o Sunderland, Guardiola tinha Bernardo e Matheus Nunes no onze, com Rúben Dias a começar no banco, e apostava em Semenyo e Marmoush no apoio a Haaland e em detrimento de Phil Foden. Do outro lado, num Liverpool que vinha de duas goleadas contra Qarabag e Newcastle, Arne Slot tinha Hugo Ekitike como referência ofensiva, com Salah, Florian Wirtz e Gakpo nas costas, e ainda contava com Curtis Jones como suplente.
Numa primeira parte que terminou sem golos, o Manchester City esteve quase sempre por cima e o Liverpool acabou por demonstrar alguma incapacidade para contrariar esse facto. Os citizens poderiam ter inaugurado o marcador logo nos instantes iniciais, com Alisson a evitar o golo de Haaland com uma boa defesa (2′), e Khusanov cabeceou por cima na sequência de um livre de Bernardo (9′). Os reds cresceram ligeiramente já perto da meia-hora e Salah ainda teve uma boa oportunidade para marcar, atirando por cima depois de uma saída em falso de Donnarumma (28′), mas nada mudou e o jogo chegou mesmo ainda empatado ao intervalo.
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Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a segunda parte começou como tinha começado a primeira — intensa, com muitos duelos e espaço para correr, mas com o Manchester City a manter algum ascendente face à incapacidade que o Liverpool tinha para sair a jogar. Os citizens pareciam oferecer a bola aos reds, juntando os setores para fechar todos os caminhos rumo à baliza de Donnarumma, e o objetivo claro era disparar no contra-ataque e ferir a defesa contrária dessa maneira.
Nesse sentido, o Liverpool somou as três primeiras situações de perigo da segunda parte, com Szoboszlai a atirar rasteiro para Donnarumma encaixar (52′) e Hugo Ekitike a rematar ao lado já na área (53′) e a falhar também o cabeceamento depois de uma assistência perfeita de Salah (56′). Os reds ganharam confiança e cresceram, com o City a afundar demasiado, e Pep Guardiola decidiu mexer para lançar Rúben Dias e Rayan Cherki, com o central português a voltar aos relvados depois de uma ausência de um mês por lesão.
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A equipa de Arne Slot continuava por cima, mas demasiado perdulária, com Florian Wirtz a atirar contra a defesa contrária na sequência de um passe genial de Ekitike de calcanhar (65′). Até que, já nos últimos 20 minutos, Szoboszlai voltou a escrever uma página de história: livre direto a 30 metros da baliza, posição frontal, um remate fortíssimo e sem hipótese para Donnarumma (74′), colocando o Liverpool a vencer em Anfield quase da mesma maneira com que deu a vitória frente ao Arsenal no início da temporada.
Já dentro dos derradeiros 10 minutos, porém, o City conseguiu empatar: Cherki cruzou na direita, Haaland ganhou nas alturas e Bernardo apareceu na cara de Alisson a desviar para marcar (84′). Arne Slot lançou Curtis Jones e, já nos descontos, o guarda-redes brasileiro fez falta sobre Matheus Nunes na área e ofereceu uma grande penalidade, que Haaland converteu (90+3′). Nos últimos instantes, Szoboszlai ainda foi expulso com cartão vermelho direto num lance em que um golo de Cherki foi anulado (90+10′), mas já nada mudou.
No fim, apesar de uma segunda parte muito abaixo do normal, o Manchester City venceu o Liverpool em Anfield e carimbou a segunda vitória de Pep Guardiola no estádio dos reds, mantendo viva a corrida pela conquista da Premier League a seis pontos da liderança do Arsenal.
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