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(A) :: Caso Epstein. Chefe de gabinete de Keir Starmer demite-se devido a nomeação de embaixador que passou informações sensíveis ao empresário

Caso Epstein. Chefe de gabinete de Keir Starmer demite-se devido a nomeação de embaixador que passou informações sensíveis ao empresário

Morgan McSweeney admitiu ser responsável pela nomeação de Peter Mandelson, embaixador britânico nos EUA suspeito de partilhar informações secretas com Jeffrey Epstein.

Mariana Carvalho
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O mais recente relatório do Departamento de Justiça norte-americano — que libertou o conjunto de documentos conhecidos como Epstein Files —, evidenciou ligações entre o empresário condenado por crimes sexuais e o embaixador do Reino Unido nos EUA desde 2025, Peter Mandelson. Morgan McSweeney, chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico e protegido de longa data de Mandelson, renunciou ao cargo este domingo, após assumir responsabilidade pela nomeação do embaixador que, alegadamente, revelou informações confidenciais do governo a Jeffrey Epstein.

O braço-direito de Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, anunciou na tarde deste domingo a saída do governo. “A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada”, admitiu Morgan McSweeney no comunicado citado pelo The Guardian. “Ele lesou o nosso partido, o nosso país e a confiança na política.” A demissão de McSweeney acontece depois de uma onda de protestos de membros do Partido Trabalhista contra a sua permanência no cargo, após a divulgação dos Epstein Files.

Para além das ligações ao agressor sexual que se suicidou na prisão em 2019, as informações divulgadas sugerem que Peter Mandelson recebeu dinheiro de Epstein e trocou informações sensíveis com o empresário, enquanto desempenhava funções como Secretário de Negócios no Reino Unido. Desde que os e-mails se tornaram públicos, Mandelson foi obrigado a interromper as funções como embaixador nos EUA e renunciou ao lugar no Partido Trabalhista e na Câmara dos Lordes — câmara alta do parlamento britânico.

Nestas circunstâncias, Morgan McSweeney admite que “a coisa certa a fazer é afastar-se”. No comunicado à imprensa, o antigo chefe de gabinete relembrou “as mulheres e meninas cujas vidas foram arruinadas por Jeffrey Epstein e cujas vozes permaneceram silenciadas durante demasiado tempo”.

Keir Starmer já comentou a saída do seu braço-direito. Citado pelo The Guardian, admitiu que “foi uma honra trabalhar com Morgan McSweeney durante anos”. “O nosso partido e eu devemos-lhe gratidão, e agradeço-lhe pelo serviço que prestou.”