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Pieter Mulier vai assumir direção criativa da Versace

Menos de uma semana depois da notícia da despedida da Alaïa, o designer toma conta do rumo da marca italiana a partir de 1 de julho, depois do brevíssimo consulado de Dario Vitale.

Maria Ramos Silva
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Pieter Mulier é o designer escolhido para chefiar a direção criativa da Versace, uma decisão que é conhecida menos de uma semana depois da notícia da sua saída da maison de alta-costura Alaïa, dando assim por encerrados os rumores de que poderia ser o senhor que se segue.

A notícia foi avançada esta quinta-feira pela WWD, que dá conta do comunicado entretanto divulgado pelo grupo Prada, detentor da marca italiana. Neste anuncia-se “o início de um novo capítulo para a marca”. “Quando consideramos a aquisição da Versace, identificámos Pieter Mulier como a pessoa certa para a marca. Acreditamos que ele pode realmente desbloquear todo o potencial da Versace e que ele será capaz de se envolver em um diálogo frutífero com o forte legado da marca. Estamos animados para começar esta viagem juntos”, descreve Lorenzo Bertelli, presidente executivo da Versace, a quem Mulier se irá apresentar a partir de 1 de julho. Segundo o Business of Fashion, Pieter poderá fazer o seu debute nos desfiles já no próximo mês de setembro.

A casa de moda sublinha ainda como ao longo de sua carreira o designer moldou estéticas distintas, contribuindo para o sucesso de marcas como Raf Simons, Jil Sander, Dior, Calvin Klein e mais recentemente a Alaïa, cuja direção criativa liderou ao longo de cinco anos.

O designer belga chega com a missão de lançar e estabilizar uma nova direção criativa na Versace depois das turbulências nos últimos meses. Em dezembro passado, apenas dois dias depois do Grupo Prada ter oficializado a compra da marca e três meses depois da sua estreia em setembro em Milão, estalava a notícia da saída de Dario Vitale da casa italiana. O diretor criativo abandonou o cargo a 12 de dezembro, ficando Donatella, embaixadora chefe da marca, a assegurar a condução dos destinos, uma solução provisória e a título interino.

A estreia oficial do milanês Vitale, o primeiro a ocupar o cargo vindo de fora da família (e que tinha passado anteriormente pela Miu Miu, marca também do Grupo Prada) foi recebida sem unanimidade e deixou no ar uma remodelação iminente. A coleção apresentada na Pinacoteca Ambrosiana foi inspirada na era Gianni Versace dos anos 1980, com referências do lado sexy e ousado que fazem parte do ADN da marca, mas as vozes mais críticas temeram que se tivesse afastado em demasia da imagem Versace. Outros, por seu turno, consideram que Vitale se apegou em excesso à estética de Gianni, sem explorar a própria identidade.

Quanto ao Mulier, coloca a fasquia num lugar elevado mas traz o conforto do sucesso criativo e também comercial na sua anterior posição. Foi o primeiro diretor criativo da maison depois da morte do seu fundador, Azzedine Alaïa, em 2017, apresentou a sua primeira coleção com a marca parisiense na primavera de 2022 e, desde então, o seu estilo arquitetónico e a precisão das linhas têm marcado pontos nos dois campeonatos. De resto, a Versace procurará limitar as suas perdas operacionais e em termos de receitas pôr fim à estagnação que marcou os sete anos em que foi propriedade do grupo americano Capri Holdings. Veremos o que o futuro trará.