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Iúri estendeu a mão a Diogo à procura de mais uma felicidade: Portugal conquista prata no madison e termina Europeu com duas medalhas

Menos de 24 horas depois de se ter sagrado campeão da Europa no omnium, Iúri Leitão juntou-se a Diogo Narciso no madison para voltar a subir ao pódio. Só uma super Alemanha superou portugueses.

Tiago Gama Alexandre
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Ao quarto dia apareceu, finalmente, a vez de Portugal brilhar. Depois de três dias com mais baixos do que altos, Iúri Leitão estreou-se na edição de 2026 do Campeonato da Europa de Pista com uma brilhante prestação no omnium, prova em que venceu três das quatro vertentes e ficou com a medalha de ouro, naquele que é o primeiro título europeu da história da Seleção Nacional em disciplinas olímpicas de pista na categoria de elites. Para além disso, o ciclista da Caja Rural-Seguros RGA chegou aos seis títulos olímpicos no seu palmarés e às dez medalhas em Europeus. Na quarta-feira, houve ainda tempo para Daniela Campos entrar em ação na corrida por pontos, terminando no 17.º lugar.

https://observador.pt/2026/02/04/chegou-deixou-os-outros-a-ver-e-acabou-a-vencer-iuri-leitao-sagra-se-campeao-da-europa-no-omnium-depois-de-dominar-tres-das-quatro-provas/

“Foi um dia muito longo. Comecei muito bem, com duas vitórias, e a última corrida foi muito longa e difícil, com muito calor, mas foi igual para todos. Joguei as minhas cartas e no final conquistei a camisola de campeão europeu, o que me deixa muito feliz. É a minha sexta camisola mas, para mim, é como se fosse a primeira. Foi uma corrida muito difícil, tive de lutar até ao fim e por isso tem um significado especial. Estou muito orgulhoso. Quero agradecer a todas as pessoas que, desde sempre, me acompanharam, especialmente hoje [quarta-feira]. Agradeço também a toda a minha família e aos meus amigos, especialmente ao meu colega Miguel Salgueiro que está em recuperação. Saiu hoje do hospital de propósito para conseguir ver a corrida e quero deixar-lhe uma palavra especial de agradecimento. Não posso esquecer a minha esposa, que está comigo e que me atura todos os dias neste processo para que este sonho seja possível”, disse o pistard.

“O Iúri trabalhou arduamente neste programa de omnium e sai daqui um justo vencedor. Ganhámos as duas primeiras corridas e entrámos bem na eliminação, mas ficámos sem espaço numa fase de transição e saímos prematuramente, algo que não estava nos planos. No entanto, o Iúri teve uma atitude extremamente positiva e, na última corrida, demonstrou toda a sua capacidade e supremacia relativamente aos adversários. Foi muito difícil ganhar, mas conseguimos levar a melhor com muita resiliência e sentido de oportunidade. Este é mais um momento histórico. Tem um significado especial ganhar nas disciplinas olímpicas. Já tínhamos feito vários pódios, mas nunca tínhamos ganho um Europeu de elite nestas disciplinas. É preciso muita competência a vários níveis, do atleta e da equipa, para sermos eficientes num programa tão duro. Estamos quase nas 90 medalhas entre Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos, o que é muito significativo para o ciclismo português”, analisou, por sua vez, o selecionador nacional Gabriel Mendes.

https://twitter.com/UEC_cycling/status/2019325509918945747?s=20

O Europeu chegou ao fim esta quinta-feira em Konya, com Portugal a entrar em ação no madison, a prova que encerrou o programa de competições no velódromo daquela cidade turca. Inicialmente, Miguel Salgueiro tinha sido o escolhido para acompanhar Iúri Leitão, campeão olímpico da vertente, mas a queda do ciclista da AP Hotels & Resorts-Tavira-SC Farense no primeiro dia levou o selecionador a optar por Diogo Narciso (Credibom-L.A. Alumínios-Marcos Car), com os dois a reeditarem a dupla que levou Portugal ao quinto lugar no último Campeonato do Mundo, em Santiago do Chile. O objetivo passava por alcançar a melhor classificação possível, tentando repetir o feito dos gémeos Ivo e Rui Oliveira (UAE Team Emirates-XRG) na edição passada: chegar às medalhas (foram bronze).

A corrida começou bastante movimentada, com os Países Baixos (Yoeri Havik e Vincent Hoppezak) a conquistarem os primeiros cinco pontos. Portugal respondeu com Iúri a vencer o sprint seguinte. A partir daí, a dupla nacional continuou a somar pontos e chegou à volta 50 empatada com os neerlandeses no segundo lugar, com nove pontos, menos três que a Alemanha (Roger Kluge e Moritz Augenstein). Ainda assim, Leitão e Narciso acabar por decair ligeiramente nas 50 voltas seguintes, mas continuou na luta, não deixando fugir os líderes (sexto lugar, dez pontos). A 90 voltas do fim, Iúri Leitão acelerou em resposta aos alemães, mas não conseguiu fugir ao grupo. A Alemanha continuou a mostrar a sua supremacia, alcançou a primeira dobragem e tentou de imediato a segunda, com Portugal a seguir na perseguição e a conseguir os 20 pontos de bónus, subindo ao segundo lugar à entrada para as últimas 50 voltas.

https://twitter.com/UEC_cycling/status/2019415011547099178?s=20

A partir daí, os alemães arrancaram para a terceira volta, demonstrando uma superioridade pouco vista na disciplina. Com a medalha de ouro entregue, Iúri Leitão e Diogo Narciso garantiram a prata nos dois sprints seguintes e terminaram a prova com mais dois pontos somados na última passagem pela meta. Feitas as contas, a Alemanha terminou o madison com 85 pontos e uma vantagem de 30 em relação a Portugal (55). Com 38 pontos, a Bélgica ficou com o bronze. No que concerne ao quadro de medalhas, a Seleção Nacional despediu-se de Konya com dois pódios (um ouro e uma prata).