(c) 2023 am|dev

(A) :: Analistas admitem corte em breve mas BCE não dá sinais de que descida dos juros esteja iminente

Analistas admitem corte em breve mas BCE não dá sinais de que descida dos juros esteja iminente

Autoridade monetária da zona euro manteve a taxa de juro em 2%, nível onde permanece desde junho, numa fase em que os analistas admitem que existe alguma pressão para uma descida dos juros em breve.

Edgar Caetano
text

O Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juro inalterada em 2% nesta quinta-feira, o nível onde permanece desde junho, numa fase em que os analistas admitem que existe alguma pressão para uma descida dos juros em breve. A presidente do BCE, na conferência de imprensa habitual, Christine Lagarde, salientou que a decisão foi tomada “de forma unânime” no Conselho do BCE, numa fase em que se considera que os riscos para a inflação estão “globalmente equilibrados”.

Em comunicado divulgado através do site do BCE, a autoridade monetária nota que “a economia permanece resiliente num ambiente global desafiante. O baixo desemprego, os balanços sólidos do setor privado, a implementação gradual dos investimentos públicos em defesa e infraestruturas e os efeitos favoráveis ​​dos cortes anteriores nas taxas de juro estão a sustentar o crescimento”.

Por outro lado, “as perspetivas são ainda incertas, devido principalmente à contínua incerteza em relação à política comercial global e às tensões geopolíticas“. Ainda assim, Christine Lagarde reiterou que o BCE “está numa boa posição” e a “inflação está numa boa posição”, o que pode ser lido como um sinal de que não estará iminente uma mexida nas taxas de juro.

No comunicado, lê-se também que “o Conselho do BCE está determinado a garantir que a inflação estabiliza na sua meta de 2% a médio prazo” e, para isso, irá tomar decisões com base naquilo que disserem os dados económicos, com reavaliações “reunião a reunião para determinar qual é a postura adequada da política monetária”.

Em particular, as decisões do Conselho sobre as taxas de juro irão basear-se na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos associados, tendo em conta os dados económicos e financeiros mais recentes, bem como a dinâmica da inflação subjacente e a eficácia da transmissão da política monetária. O Conselho não se compromete, à partida, com uma trajetória específica para as taxas de juro”, escreve o BCE.

Alguns analistas, como os da Allianz Global Investors, admitem que a incerteza geopolítica pode gerar “choques que justifiquem um ajustamento na política monetária”. “Na nossa opinião, os riscos de inflação a médio prazo na zona euro continuam a inclinar-se em baixa“, afirma o analista Michael Krautzberger, diretor de investimento global (CIO) desta gestora de ativos.

“Isto pode não obrigar o BCE a reduzir as taxas de juro, mas dada a incerteza das políticas dos EUA no que diz respeito às eleições intercalares e ao seu impacto na Europa, um corte preventivo por parte do BCE é possível e justifica-se“, afirma o analista, acrescentando que “a reunião de março, em que vão ser divulgadas novas previsões macroeconómicas, poderá ser uma oportunidade para agir”.

Também os analistas do ING assinalam que, caso o BCE deixe de dizer que está “em boa posição”, qualquer “primeiro passo seria um corte, e não um aumento – pelo menos no curto prazo”.

Seja por alguma “inquietação generalizada nos mercados ou, mais concretamente, pelo fortalecimento do euro, existe o risco de a inflação ficar abaixo do objetivo nos próximos meses”, acrescenta o ING, argumentando que “enquanto a recuperação cíclica da zona euro se mantiver, qualquer inflação abaixo do objetivo não deve ser confundida com riscos deflacionistas, mas ainda assim poderá encorajar os membros mais moderados do BCE a pressionar por um corte preventivo da taxa de juro”.

Já Jorg Kramer, analista do Commerzbank, salienta que nesta quinta-feira “a presidente do BCE, Christine Lagarde, sinalizou, na prática, que as principais taxas de juro se irão manter inalteradas. “Não esperamos quaisquer outras alterações nas taxas de juro para o resto do ano. No entanto, em termos da distribuição dos riscos em torno deste cenário principal, consideramos um novo corte nas taxas mais provável do que um aumento”, porque “os riscos relacionados com a inflação estão atualmente inclinados para o lado negativo”, acrescenta.