As coroas, joias e vestidos de gala deram lugar à farda, ao capacete, à mochila e à arma na mão. O ministério da Defesa dos Países Baixos e a Casa Real informaram na passada quarta-feira que a Rainha Máxima alistou-se como reservista e iniciou o seu treino no Exército Real. Aos 54 anos, a mulher de Willem-Alexander inscreveu-se no serviço militar mesmo no limite da idade, que é de 55 anos. A monarca, “assim como outros reservistas, deseja contribuir para a segurança da Holanda”, lê-se na publicação nas redes sociais. “A nossa segurança não pode ser dada como garantida”, diz ainda um comunicado de imprensa divulgado pela Casa Real.
Nas fotografias e vídeos divulgados, Máxima aparece em vários momentos do treinamento, como exercícios na água, com óculos escuros e uma mochila nas costas; escalada, equipada com capacete e cordas de segurança; e a prática de tiro, assim como um curso de “habilidades mentais”. A Rainha Máxima atualmente possui a patente de soldado raso, e ao concluir o seu treinamento, será promovida ao posto de tenente-coronel, ficando à disposição das forças armadas em caso de emergência.


O alistamento de Máxima vem num momento em que o ministério da Defesa dos Países Baixos promove uma campanha de recrutamento, com o objetivo de aumentar o efetivo de 80 mil para 100 mil até 2030, como explicou o secretário de Estado da Defesa, Gijs Tuinman, à rede pública neerlandesa NOS. Os reservistas compõem a força de trabalho flexível dentro das forças armadas, e são convocados em caso de emergência. As funções são variadas, e passam também por médicos, especialistas em cibersegurança, músicos na orquestra, entre outras.
Dessa forma a família real parece “dar o exemplo”. O Rei Willem-Alexander também foi reservista antes de ascender ao trono, em 2013. O monarca completou o serviço militar na marinha e manteve o posto de oficial da reserva tanto na marinha quanto no exército e na força aérea, além da Marechaussee, um braço das forças armadas neerlandesas que tem papel militar e de polícia. A herdeira ao trono, a princesa Amália, concluiu o treino militar geral no início de janeiro e foi promovida a cabo, trabalhando como “aluna-trabalhadora no Estado-Maior da Defesa”, no ministério da Defesa dos Países Baixos, enquanto continua os seus estudos na Academia Militar. Amalia ingressou em setembro do Defensity College, onde combina cadeiras teóricas com treinos físicos num curso que tem duração de dois anos. Ao contrário dos restantes cadetes, a princesa não recebe qualquer tipo de remuneração.


Outras princesas e príncipes em formação militar
O serviço militar é de certa forma uma tradição entre os herdeiros aos tronos europeus. Leonor de Espanha, por exemplo, ingressou na Academia Militar em setembro de 2023, e está agora a cumprir o terceiro ano de formação, na Academia Geral do Ar e do Exército de San Javier, em Múrcia. Nos anos anteriores passou pela Academia Geral Militar de Zaragoza e pela Escola Naval de Marín. Na cerimónia de celebração da Páscoa Militar, tradicionalmente realizada a 6 de janeiro, Filipe VI destacou as experiências da filha nestes anos de treino. “Sei que a ajudam a entender e assumir, em toda a sua plenitude, o compromisso e o sentido de dever, que são a bússola moral da vida militar; aquela que para si escolheram todos os homens e mulheres que compõem as nossas Forças Armadas e a Guarda Civil, ganhando o afeto e o respeito da sociedade à qual se devem e servem.” Durante o atual ano letivo, a princesa terá disciplinas como Formação Militar Geral, Técnicas de Comando e Formação para o Serviço, Logística, Psicologia e Formação Física Militar. Já no segundo semestre, o plano académico se concentra em competências mais técnicas e operacionais e inclui cadeiras como Ciências Aeroespaciais ou Ensaios em voo e veículos não tripulados. Leonor ocupa agora a patenter de alferes, e no final do ano letivo será tenente, finalizando uma importante etapa que antecede a sua ascensão ao trono espanhol, quando também assumirá o Comando Supremo das forças armadas do país.

Entre 2024 e 2025 também a princesa Ingrid Alexandra, filha do príncipe herdeiro Haakon, da Noruega, esteve no serviço militar. A jovem, que é a segunda na linha de sucessão ao trono norueguês, serviu por 15 meses no Batalhão de Engenharia no Campo Skjold. “Gostaria de agradecer pelo serviço prestado e pela contribuição para a segurança da Noruega”, disse, na cerimónia de formatura, o príncipe Haakon. Depois da formação militar, entretanto, a princesa de 21 anos seguiu para a Universidade de Sidney, na Austrália, onde começou em agosto de 2025 o programa de Bacharelato em Artes, no qual também estuda relações internacionais e economia política, um curso que deve durar três anos.
Das mulheres herdeiras aos tronos europeus, Elisabeth da Bélgica é a mais velha. Aos 24 anos, está prestes a formar-se no mestrado em Políticas Públicas na Harvard — depois de uma decisão de Donald Trump interromper os seus estudos por alguns meses. Antes disso, estudou história e política na Lincoln College, na Universidade de Oxford. Mas ainda antes, em 2021, aos 20 anos, Elisabeth fez um curso de um ano de Ciências Sociais e Militares na Academia Militar Real. Quando finalmente terminar o percurso académico, em maio, deve assumir um papel mais ativo dentro da família real. Aliás, em janeiro, a princesa acompanhou o pai, o Rei Philippe, numa receção no palácio ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, e à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.


Aos 20 anos, Christian da Dinamarca também se prepara para assumir a posição de Chefe de Estado — aliás, já o tem feito quando o pai, o Rei Frederik X, está fora. Em janeiro, o príncipe herdeiro interrompeu o seu treinamento de tenente para assinar documentos relacionados com a função, incluindo projetos de lei ratificados. Entretanto, o jovem tem se dedicado à função militar desde 2025, quando passou pelo exigente exercício REX, um treinamento em ambiente rural com pouca alimentação e sono, no qual os recrutas chegaram a caminhar mais de 60 quilómetros; e também fez o seu primeiro voo num caça. Quando concluir o treinamento, em junho, o príncipe vai servir como comandante de pelotão de soldados recrutados da Guarda Real, no Quartel em Høvelte.