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(A) :: Santander está a "suspender" pagamento de créditos nas zonas afetadas pela depressão Kristin e pode devolver pagamentos já feitos

Santander está a "suspender" pagamento de créditos nas zonas afetadas pela depressão Kristin e pode devolver pagamentos já feitos

Banco afirma que "está a haver uma suspensão" dos pagamentos de créditos cujas prestações estão a vencer, à espera da moratória anunciada pelo Governo. "A situação é tranquila" nesta fase.

Edgar Caetano
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O Santander Portugal diz que está a haver “uma suspensão” da cobrança de prestações de crédito por clientes que o pedem por terem sido afetados pela tempestade Kristin, sobretudo no centro do país. Já as prestações que foram cobradas desde 28 de janeiro poderão vir a ser devolvidas. A futura presidente do banco, Isabel Guerreiro, salientou que também os clientes de seguros (multirriscos) “podem estar descansados” porque os processos estão a avançar muito rapidamente, por vezes em poucas horas.

As declarações foram feitas durante a apresentação de resultados anuais do Santander Portugal que foi a última de Pedro Castro e Almeida, que vai assumir outro cargo dentro do grupo em Espanha. A partir de 1 de março, a presidência da comissão executiva irá passar a ser ocupada por Isabel Guerreiro, anunciou o banco no final do mês passado. Também presente na conferência de imprensa, Isabel Guerreiro falou sobre o impacto das tempestades recentes, designadamente a depressão Kristin.

“Os clientes do Santander que têm seguro multirriscos podem estar descansados”, afirmou a futura presidente da comissão executiva. “Estamos no terreno desde a primeira hora e temos situações de pessoas que reportam estragos e passado duas horas está um perito a avaliar”, afirmou a responsável, que confirma que o banco já fez um levantamento das perdas potenciais mas prefere não o revelar publicamente.

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Isabel Guerreiro acrescentou, então, que está a “haver uma suspensão” dos pagamentos dos créditos que estão a vencer prestações nos últimos dias. Além disso, apesar de ainda não ter sido revelado o decreto-lei do Governo, o banco já está a aceitar manifestações de interesse por parte de clientes que pediram para suspender os pagamentos de crédito. Mesmo aqueles que não o fizeram, assim que entrarem em vigor as moratórias o banco poderá reembolsar aquilo que os clientes pagaram desde 28 de janeiro.

Miguel Belo Carvalho, também membro da administração do banco, acrescentou que “o diploma prevê que [as moratórias] sejam retroativas a 28 de janeiro”. “A partir do momento em que estiver em vigor o que vamos fazer é reembolsar as prestações dos clientes” que tenham sido pagas. “No entretanto, temos capacidade para agilizar a liquidez de clientes que de alguma forma necessitem de algum apoio”, afirmou o administrador, garantindo que para já “não se sentiu grande dificuldade por parte dos clientes, que tinham recebido os seus salários, e nesta fase a situação é tranquila”.

Acho que [as moratórias] são um instrumento bastante útil e muito oportuno. Esperemos que do ponto de vista da ativação legal será rápido, nos próximos dias, não parece que venha a ser um tema”, afirmou Miguel Belo Carvalho.

A propósito dos estragos provocados pela depressão Kristin, o Governo anunciou no domingo medidas abrangendo famílias, empresas e entidades públicas, incluindo moratórias no crédito à habitação e crédito às empresas que suspendem o pagamento das prestações mensais. As moratórias anunciadas são de 90 dias, a começar (retroativamente) em 28 de janeiro, e podem ser estendidas, depois, por mais 12 meses.

Pedro Castro e Almeida acrescentou, sobre este ponto, que a pandemia de Covid-19 “trouxe, mais do lado dos bancos, uma mudança de paradigma na relação com os clientes. Mudou-se a maneira de pensar de ‘cobrar por cobrar’, e os bancos têm de ter soluções fora da caixa” para resolver os problemas quando surgem acontecimentos de emergência. Tanto da parte dos bancos como das seguradoras, garantiu o presidente do Santander, está a haver uma atitude pró-ativa e sem excessiva preocupação com possíveis fraudes que existia no passado.

Neste momento ainda está uma agência fechada, Cernache do Bonjardim, por falta de comunicações.

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